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terça-feira, 16 de junho de 2015

Dezesseis anos depois

Há 16 anos atrás, eu era um garoto de 16 anos que morava longe de São Paulo, cidade que foi o palco daquela final de Libertadores, na noite de 16 de junho. A possibilidade da conquista de um título inédito do meu time era a maior motivação que eu podia ter até então. E, como a maioria das glórias alcançadas, só poderia vir com aquela carga de sofrimento que só os deuses são capazes de enviar.

E o Palmeiras no ardor da partida, tendo perdido a primeira partida por 1x0 para o Deportivo Cali na Colômbia, no saudoso Stadium Palestra Italia, fez 1x0 com Evair, tomou o empate e conseguiu, com Oséas, levar a partida para os pênaltis.

Dali em diante fica difícil lembrar com exatidão dos detalhes da partida. É a hora em que a noção de tempo e espaço se esvai, a realidade perde a forma, o universo inteiro se resume a uma coisa chamada disputa de pênaltis. No gol palmeirense todas as apostas na santidade de Marcos. Marcos era 12. O dia 16. Do outro lado o colombiano Zapata encarregado da última cobrança. Ele partiu para a bola e chutou. Marcos de um lado. Bola pra outro. Pra fora. Pra gritar. Pra morrer e reviver em uma questão de segundo. Pra ser Campeão da Libertadores. Pra 16 anos depois voltar a ser apenas um garoto de 16 anos, num dia 16.


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Casa nova, velhos problemas

Em 1920, o Palestra Itália, com apenas 6 anos de vida, resolveu comprar o estádio que alugava no Parque Antarctica e construiu, aos poucos,  o estádio que tinha o mesmo nome do time. Em 1930, realizou o primeiro jogo noturno, com um empate em 3x3 com o Juventus. Três anos depois, as arquibancadas de madeira foram substituídas por concreto armado, aumentando a capacidade do estádio, no jogo em que o Palestra venceu o Bangu por 6x0, dando início ao mais moderno estádio de futebol até então, antes da construção do Pacaembu. Na década de 50, as arquibancadas paralelas foram unificadas pela "ferradura", proporcionando um número ainda maior de espectadores e, em 1964, o gramado elevado fez nascer os famosos "Jardins Suspensos de Palestra Itália", inaugurado com uma vitória do Palmeiras sob o Guaratinguetá em 2x0.


O Palestra, nascido na primeira década do século XX, se afasta cada vez mais do Palmeiras que agoniza nas primeiras décadas do século XXI. Uma sucessão de erros de administração culminou em dois rebaixamentos (2002 e 2012) e dois títulos ( Paulista 2008 e Copa do Brasil 2012). E a história de um time é feita através de seus títulos, mas também através de seus fracassos. O Palmeiras coleciona os dois, ainda que os insucessos, infelizmente, insistem em acontecer com maior frequência.

O grande alento do torcedor alviverde é o retorno a sua casa, mais uma vez reformada, agora com status de arena multiuso, o Allianz Parque. Muito por conta da empolgação que tal retorno traria, como de fato aconteceu na noite de ontem, a torcida teve a sensação de que o estádio novo viria com um time novo, mas isso esteve longe de acontecer. Uma atuação pífia de jogadores com a menor condição de fazer parte de um elenco cujo time tem uma história tão vencedora quanto o Palmeiras. A inauguração da nova arena ficou marcada pela derrota de 2x0 para a equipe pernambucana do Sport.


Hoje o torcedor chora. De emoção pelo estádio novo. De apreensão pela ameaça de mais um rebaixamento. De insegurança pelo futuro incerto.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Os 100 Anos da Sociedade Esportiva Palmeiras

É possível falar do time do coração e ser imparcial? Em alguns momentos sim, hoje não é o caso. Hoje é dia que a paixão fala mais alto e forte e é ela quem comanda e cadencia as poucas palavras capazes de serem escritas diante desta tela, quando nem as palavras se bastam com tanta emoção, com tanto amor. Hoje o dia é do Palmeiras!



Os 100 anos são do Palmeiras, do Palestra, do time formado por imigrantes italianos que desejavam ter uma equipe de futebol, pois o esporte já contava com times de outras nacionalidades. Nasceu na Praça da Sé, cresceu na Água Branca e se espalhou pelo país inteiro, pelo mundo todo.



Com esquadrões cada vez mais fortes, o time foi ganhando mais adeptos, o campinho do Parque já não mais comportava tanta gente, veio o Conde, o investimento, o estádio. Stadium Palestra Italia. Mais tarde, as velhas arquibancadas de madeira dariam lugar a um moderno estádio feito em concreto armado, inovador para os padrões da época. Como inovador foi a elevação do campo, evitando assim a danificação do gramado com as recorrentes enchentes do bairro, surgindo os Jardins Suspensos.



Surgem Bianco, Heitor, Romeu, Imparato, Oberdan, Junqueira, Waldemar, Valdir, Leão, Luis, Dudu, Ademir, Nei, César, Velloso, Marcos, Evair, Edmundo, Arce, Alex, Rivaldo, Sampaio e uma constelação de craques que eternizaram o alviverde no patamar das grandes equipes de futebol. Enfrentou a peste e a guerra, envergou o fardamento da seleção brasileira com orgulho e vitória, ostentando a sua fibra.















Logo teremos casa nova. Esperanças renovadas, como o fogo da fênix verde que renasce e dá novas folhas a estas Palmeiras e aos nossos corações. Hoje o dia é do Palmeiras, vida longa ao alviverde imponente!

sábado, 21 de junho de 2014

A Eterna Muralha

As mãos que tremem ao escrever este pequeno rascunho não são nada perto das gigantes mãos de um grande homem que se foi, e que nunca tremeu.
Estas mãos eram de Oberdan Cattani, a muralha verde palestrina, que proporcionou muitas alegrias, além do respeito e admiração de todos.
Vencedor por diversas vezes. Viu e fez do Palestra líder, o Palmeiras campeão. Um dos símbolos da "defesa que ninguém passa", ainda assim, ele passou e nos marcou, deixando o legado de amor incondicional e dedicação entre o homem e o esporte.

Seu Oberdan permanecerá vivo em nossos corações, como o grande P, no centro de seu peito.
Difícil escrever e descrever algo que foge da compreensão, o que nos resta é somente aplaudir e agradecer por tudo aquilo que o grande goleiro fez.



"Iniciei no Palestra e vesti a camisa do Palmeiras, o que representa muito mais do que amor.
Oberdan Cattani
12/06/1919
20/06/2014

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Palmeiras - 99 anos

Nosso blog nasceu da conversa no bar entre quatro amigos, dois palmeirenses e dois corintianos, que acreditam que a vida é sustentada pela tríade: futebol - história - futilidades. Cada qual da sua maneira, procuramos contar nossas experiências e opiniões sempre no intuito de entreter e servir de assunto para mais conversas de bar, assim como são as nossas.

Particularmente hoje é um dia mais que especial para mim pois trata-se do aniversário de 99 anos da Sociedade Esportiva Palmeiras. Caso não saiba, foi uma reunião entre quatro amigos imigrantes italianos em 1914, que sonharam com a criação de um clube que representasse seu povo na cidade de São Paulo.


De lá para cá, muita coisa aconteceu, o mundo mudou, as pessoas mudaram, tudo está diferente. Vivemos glórias e decepções, em todos os aspectos da vida. Isso nos torna humanos. Isso nos torna únicos. Como único é também o sentimento que cada um tem pelo time que ama. Eu amo o Palmeiras. Milhões de pessoas também, e muitas outras não. E isso faz de mim ser apenas o que eu sei ser: palmeirense. 


Amar incondicionalmente é encontrar o seu próprio reflexo diante de si. É saber que existe um pedaço de você, nem que seja uma partícula, naquele universo em que você deseja estar o tempo todo presente. Com o Palmeiras eu vivo todas as emoções passíveis de um ser humano viver, às vezes nem todas são tão boas de se viver, mas até no sofrimento se faz necessário o aprendizado para que nos tornemos cada vez mais fortes. Fiz amigos, amores, tristezas, alegrias, fiz a minha vida e quero fazer a minha história.

O Palmeiras é meu sonho, como é este blog, e como foi o sonho daqueles 4 italianos imgrantes. É necessário muita luta para se conseguir um objetivo, mas acima de tudo, há de se acreditar em si mesmo e no valor que cada um de nós temos. Apesar do nome, tenho pouco de filósofo, não sou capaz de entender muita coisa do mundo. Principalmente o amor, tampouco sei explicá-lo, mas se tivesse que dizê-lo em uma só palavra, só poderia dizer: PALMEIRAS.

À nossa torcida alviverde, meus parabéns e obrigado por ser mais um torcedor que canta e vibra! Avanti!!!


Diógenes Sousa
torcedor da SEPalmeiras

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Dica de Leitura #8



O novo estádio do Palmeiras - o Allianz Parque - está entrando em sua fase de finalização e, em breve, o torcedor palmeirense estará de volta à sua casa nova. Enquanto isso, o Verdão vai adotando o Pacaembu como seu segundo lar e fazendo o dever de casa para voltar à série A. Porém, não é a primeira vez que uma reforma acontece lá no Palestra, então, vamos conhecer um pouco sobre a história deste estádio?

O livro ALMA, de José Custódio e Luiz Carlos Fernandes, é excelente para nos contar sobre "a história da arena esportiva mais antiga do país." Além do campo de futebol, onde houve a primeira partida oficial da história, entre o Germânia e o Mackenzie, ocorreu a primeira corrida de automóveis da América Latina e pousou o primeiro avião do nosso correio aéreo.


Feito em quadrinhos com uma ótima qualidade, o livro traz o surgimento do estádio, desde a fundação do Parque da Companhia Antarctica, no finalzinho do século XIX, até os dias atuais, além de momentos históricos como os primeiros títulos do Palestra Italia, a mudança do nome para Palmeiras e os grandes craques que passaram pelo time durante esses quase 100 anos.

É uma emocionante aula de história, que mostra um pouco do crescimento da cidade de São Paulo através do esporte e, principalmente, de demonstração de amor por um clube, amor que não se explica, que vem do fundo do coração, que vem do fundo da Alma.

ALMA - A História da Arena Esportiva mais antiga do País
Custódio e Fernandes
64 páginas

quinta-feira, 13 de junho de 2013

O dia em que dei um título para o Palmeiras

Dia 12 de Junho de 1993. Uma data histórica para todos os torcedores palmeirenses. Mais do que um simples dia dos namorados, esse dia se eternizaria por quebrar um jejum de 17 anos da equipe alviverde frente ao seu maior rival Corinthians, um 4x0 de um dos jogos mais eletrizantes entre os dois times, um clássico de tirar o fôlego de milhões de pessoas em todo o país.

Ontem comemorou-se 20 anos deste feito homérico. E esta epopéia palestrina foi contada de maneira brilhante representada na figura daquele que foi uns dos maiores centroavantes que o Palmeiras teve, cuja camisa número 9 era o símbolo de um guerreiro, de um artilheiro, de um matador, de um Evair. E ele mesmo nos conta nessa obra como foi a sua chegada ao Palmeiras, todos os percalços pelos quais teve que passar (e superar) para ser o grande representante da conquista de 1993.

Se, no campo, Evair contava com Zinho e Edmundo para arrasar as defesas adversárias, aqui ele forma outra parceria de imenso sucesso e talento, com o jornalista Mauro Beting e o historiador Fernando Galuppo, que nos fazem reviver toda a atmosfera daquela galáxia composta pelo próprio Evair e as demais estrelas palmeirenses.

À esta altura você deve estar se perguntando o que o título do post tem a ver com tudo isso. É muito simples e também muito louco. A poucos meses antes do lançamento da obra, Evair, lançou nas redes sociais que alguém sugerisse o nome do título do livro. O escolhido foi: Fim do Jejum, Início da Lenda.  E o autor foi este humilde blogueiro que vos escreve agora. A emoção foi muito grande e com certeza será eterna, como é a minha admiração por esses três palmeirenses (Evair, Beting e Galuppo). O primeiro fez história, os outros dois a contaram com extrema maestria e eu procurei resumir o sentimento de uma vida em uma frase pois, naquele 12 de junho, uma lenda nasceu.


SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS
1993 - Fim do Jejum, Início da Lenda
Evair Aparecido Paulino, Mauro Beting e Fernando Razzo Galuppo
BB Editora
178 páginas
2013

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Ao Ídolo Com Carinho

Geralmente nós ou a imprensa e a mídia de um modo geral ou, por que não dizer, o mundo todo, sempre homenageiam um ídolo quando da partida deste. Essa homenagem se resume a um, dois dias e depois fica no esquecimento. Mas e quando o homenageado é alguém que transpõe essa linha, tornando-se imortal? É disso que pretendo tratar com você hoje, que acompanha o FutHistFut.

Se nosso ídolo morreu é porque ele então não era de fato nosso ídolo. Eles não morrem. Digamos que fique mais difícil de conseguir um autógrafo, tirar uma foto, mas ele está lá, ou melhor, está aqui, dentro da memória de cada fã, de cada pessoa que admirava seu trabalho.



Joelmir Beting é um desses heróis. Herói economista. Por que? Ele nos salvou da inflação? Não, mas ele ajudou a entendê-la, com sua maestria em decifrar linguagens extensas e complexas e transformá-las num bate-papo informal durante anos na TV e no rádio. Me lembro da minha infância, de ouvir aquele homem falando no telejornal sem saber uma palavra sequer do assunto mas com uma atenção imensa naquele modo simples de falar que cativara não só a mim, como a todos os que estavam na sala.

Jornalista e eterno palmeirense, cujo amor o fez deixar o jornalismo esportivo, ainda assim tenho a certeza de que tinha e tem orgulho do filho Mauro que seguiu a mesma profissão, a mesma paixão. Paixão essa que começa com P de Palestra, P de Palmeiras, P de Pai, do qual também sempre me orgulho do meu.

Eu termino o post homenageando a Família Beting pela importância na história do jornalismo e também do Palmeiras e deixo uma das célebres frases do Seo Joelmir:

"Explicar a emoção de ser palmeirense, a um palmeirense, é totalmente desnecessário. E a quem não é palmeirense... É simplesmente impossível!".

sábado, 30 de março de 2013

O apoio é fundamental

Como diz Milton Nascimento: "Amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito." E o nosso time, onde guardamos? No coração, acompanhando-o por onde for, independente da situação? Na cabeça, pensando friamente e sabendo dividir sua existência do restante da sua vida? Difícil resposta, pois sabemos que existem torcedores os mais diversos possíveis, desde o mais fanático ao simples modinha, que mal sabe a escalação do time atual.

Particularmente, eu não torço pelo Palmeiras. Eu vivo o Palmeiras, é ele que delimita minhas ações, me trazendo alegria e tristeza, orgulho e decepção. Quem convive comigo sabe deste casamento que temos há 30 anos e que veio de uma herança de pai pra filho. Ainda assim, eu respeito completamente a individualidade dos outros, pois cada um torce como quer e para quem quiser.

Infelizmente, a situação do Palmeiras é muito triste. A primeira década do século XXI não foi nada boa e estes primeiros anos da segunda também não. É uma série de erros que já foram explorados em diversos meios da imprensa, internet, conversas de bar e não se chega a uma solução. A esperança veio com o novo presidente, que tomou posse no final de janeiro, então, duras críticas à sua gestão também não seriam corretas, mas o alerta foi dado, essa fase de reorganização precisa, com o perdão do pleonasmo, ser mais reorganizada. O vexame da última semana deixou isso bem claro, a história atual do Palmeiras está cheia de capítulos negros e humilhantes, não condizentes com as glórias alcançadas em quase 100 anos de existência.

A torcida tem um papel fundamental nessa hora. Por mais que seja difícil, e eu sei que é, devemos todos funcionar como uma alavanca para colocarmos o nosso alviverde no lugar do qual ele nunca deveria ter saído. Eu continuo torcendo e vivendo pelo Palmeiras, na esperança de também fazer parte de seus capítulos de vitórias e sucesso.