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domingo, 3 de março de 2013

Heleno: O Príncipe Maldito



"Heleno" foge do lugar comum dos filmes brasileiros, trazendo a história do que seria um dos primeiros "jogadores problema" do futebol.
Heleno de Freitas era formado em Direito, vindo de família rica e vaidoso. Nada muito a ver com a maioria dos boleiros que em grande parte não tem acesso à educação ou deixam de lado mesmo quando começam a jogar bola.

O grande destaque do primeiro "bad boy" foi no Botafogo, clube onde despontou e teve suas melhores fases, tanto no campo quanto no extra-campo. Ao longo de sua curta carreira, colecionou gols e mulheres. Fez 209 gols em 235 partidas, uma marca realmente impressionante e teve muitos casos amorosos, frutos de sua "boa pinta", classe social, e, claro, sua agitada vida noturna na boêmia carioca.

Sua saída de General Severiano se deu em 1948, a maior transferência do futebol brasileiro até então, para o Boca Juniors, da Argentina, onde teria conhecido Eva Perón, supostamente mais um de seus casos. Sua passagem pelo Boca foi curta e logo no ano seguinte Heleno voltava ao Brasil, para defender um alvinegro, mas dessa vez o Vasco da Gama. A glória tão buscada no Botafogo veio então no Vasco, um título carioca, o único por clubes da carreira de Heleno.

Assim como deveria ser com qualquer jogador, Heleno tinha o sonho de disputar um mundial de clubes, o que não ocorreu devido ao cancelamento do mundial graças a Segunda Guerra Mundial. Heleno fica extremamente frustado mas ao mesmo tempo obcecado pela copa em 50 que seria disputada no Brasil.

Sífilis. Com uma palavra podemos encerrar a carreira de um dos melhores jogadores brasileiros antes dos títulos mundiais. Sua vida cheia de prazeres o castigou com a contração de sífilis e o posterior agravamento da doença que naquela época carecia em tratamentos efetivos. Assim, a doença o deixa em um sanatório em seus últimos seis anos de vida, em Barbacena. A obsessão em jogar a Copa no Brasil passou ao desejo de jogar ao menos uma partida no maior estádio do mundo, o Maracanã, o que conseguiu por alguns minutos com a camisa do América...

A dedicação e a obsessão de Heleno em ser o melhor jogador de seu tempo e a gana de representar seu clube e seu país, parecem apenas utopias em tempos hodiernos. O desleixo, a despreocupação e o não comprometimento dos nossos atletas nos últimos 20 anos tomou o lugar do "amor à camisa". Claro que não generalizo. Sem dúvidas que Marcos, Rogério Ceni, Harley ou até mesmo um Émerson Sheik ou Tevez, que têm amor pelo que fazem e jogam como se fosse o últimos jogo de suas carreiras ainda existem, mas são cada vez mais raros; assim como no tempo de Heleno não eram todos jogadores que tinham sua dedicação.

Mas, sem dúvidas, eram em maior número do que hoje...

(Post simultaneamente publicado em http://ehtudohistoria.blogspot.com.br/)

terça-feira, 30 de outubro de 2012

04 de maio de 2006 - Parte 2


Por AMFP e Martins

Quando o Corinthians parecia próximo de marcar outro gol, o River matou o jogo com outro gol, agora de Higuaín que se tornaria o carrasco do Timão, num contra-ataque rápido.

Protestos e vaias começaram a ecoar nas arquibancadas. Nessa hora eu já estava em um momento catártico e confesso que só me lembro de relance o que ocorria em meu redor.

Em outro contra-ataque, o golpe de misericórdia: Higuaín marcou o terceiro gol do River.

A partir disso, o clima no estádio ficou pesadíssimo. Pressenti que algo de ruim parecia próximo e resolvi que iria embora antes do jogo terminar. Ia voltar de transporte público mesmo, não iria esperar o pessoal da organizada. Só queria chegar logo na minha casa, com o coração destruído mais uma vez, por uma das derrotas mais sofridas que vi no estádio.

Em todas as minhas idas ao estádio acompanhar o Corinthians, era a primeira e única vez que saí antes do jogo terminar. Na verdade, não consegui sair...

Lembro que o gol que sacramentava a vitória inconteste do River e a eliminação do Corinthians bateu em mim como um meteoro. Do gol adversário, lembro apenas do som de desgosto da torcida. Nesse momento, por mais estranho que possa parecer, entrei em algum tipo de estado de choque, que deve ter contribuído para a alteração já citada de minhas lembranças desse dia.

Quando estava me dirigindo ao portal principal, fui interceptado por uma horda de corinthianos vindos das arquibancadas amarelas e verdes. Num piscar de olhos, me vi no meio da multidão, um monstro sem rosto e coração como diria Mano Brown. Comecei a ser espremido e empurrado: não pensei duas vezes! Como sou macaco velho de estádio, comecei a empurrar, xingar...fui tomado por aquela ira coletiva que pairava no Pacaembu aquela noite.

Depois de contidos por uma dúzia de PM’s, a multidão se dispersou. Eu, entre eles.

Da indesejável reação do gol argentino até ser chamado à realidade por meu amigo, no momento da dispersão da torcida subindo as arquibancadas, não consigo lembrar de nada.

Quando retomei consciência de si, rumei para o portão principal, cabisbaixo. E dores, muitas dores: pela derrota sofrida e pelos empurrões e borrachadas entre a multitudão.

Por onde saí do estádio, não sei. Como era acostumado nos jogos de quarta-feira em que íamos eu e Bro’z, por morarmos perto ele me deixava em casa. Mesmo forçando, não consigo lembrar do caminho ou algo do tipo, se conversamos no trajeto. O que sei é que amanheci em casa. Triste. Foi a primeira derrota realmente sentida que acompanhei no estádio. As outras, contando a Copa do Brasil do ano anterior, superei como se fossem acidentes normais de percurso. Essa não...

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

04 de maio de 2006 - Parte 1*


Por AFMP e Martins

Mais um dia de aula da minha graduação na PUC. O tradicional migué na aula de quarta seria necessário, já que o Corinthians 2h15 após o início da aula jogaria no Pacaembú pela Libertadores da América em busca do título até então inédito.

E lá vou eu mais uma vez assistir o Corinthians in loco. As 21h45 começaria mais uma das fatídicas partidas do meu time na Libertadores da América.

Sempre gostei de chegar cedo ao estádio. Ficava sempre junto das organizadas, na arquibancada amarela. Cheguei na praça Charles Miller com o busão da Estopim da Fiel, umas duas horas antes do início da partida, não me lembro bem. Entramos no estádio sem muitos problemas e nos acomodamos nos assentos de sempre.

O adversário? River Plate, da Argentina.

Assim como o tradicional migué na aula, naqueles tempos eu tradicionalmente deixava para comprar o ingresso na última hora junto com um camarada, o apelidado Bro’z, confiando na sorte e nos cambistas. Quando pegamos os ingressos, ao preço de R$ 80, os dois, percebi uma coisa estranha: os ingressos eram diferentes...

A escalação que ficaria marcada pelo fracasso? Silvio Luiz, Coelho (Eduardo Ratinho), Marcos Vinícius, Betão e Rubens Júnior; Marcelo Mattos, Xavier (Roger Chinelinho) Ricardinho e Carlos Alberto (Rafael Moura); Tevez e Nilmar. O técnico a época, o coroa metrossexual Ademar Braga.

Dada a diferença visual nos ingressos, deixei o camarada passar primeiro na catraca, já que se o ingresso dele não funcionasse, voltaríamos para tirar satisfação com o cambista. Quando ele colocou o ingresso na catraca, nenhum problema. Resultado? Provavelmente o meu que estaria “zoado”. Quando fui passar, escutei em alto em bom som, à revelia do barulho do estádio, o “estrondo” característico da catraca quando o ingresso é falso. O “catraqueiro” prontamente disse: “O ingresso é falso. Pode ‘sair fora’”.

Perdi aula, gastei quase o triplo comprando o ingresso e não consigo entrar no estádio. Como último arroubo de insistência, fui na última catraca do lado direito, completamente contrário a que tinha ido. Escutei o mesmo som. O “catraqueiro” deste lado, por sua vez, pegou meu ingresso na catraca e disse, dando uma rasgadinha no ingresso: “Pula aí...”. Pulei.

Se eu disser que me lembro de tudo que aconteceu naquela noite, estarei mentindo para vocês. Do que me lembro do jogo em si, foi que o jogo começou nervoso com muitas faltas e muitos passes errados para os dois lados. Lembro-me que o Corinthians tinha muito volume de jogo, mas não finalizava.

Primeiro tempo quase indo embora. 0 x 0.

O Corinthians perdera o jogo de ida em Buenos Aires por 3x2 e uma vitória simples nos colocaria nas quartas-de-final. E com moral: afinal passaríamos pelo grande River Plate!

Aquela agonia pelo gol que não saía, quando na reta final do primeiro tempo Nilmar desviou uma cobrança de falta com a cabeça e o Pacaembu explodiu em festa.

Acabou o primeiro tempo e todos estavam confiantes. Sair para o intervalo vencendo a partida, sem levar gols era tudo que sonhávamos: o resultado parecia perfeito! No segundo tempo era cozinhar o galo e tentar matar o jogo num contra-ataque.

Mas não foi bem assim.

Logo no começo do primeiro tempo, Gallardo – que voltou com o diabo no corpo para a segunda etapa – cobrou uma falta (ou escanteio, apenas me lembro que foi uma bola cruzada) e Coelho marcou contra.

Para mim, até 15s atrás, imaginava que o gol contra de Coelho tinha sido o terceiro e que tinha colocado fim ao sonho da Liberta. Porém, segundo Martins, o co-autor, e o Google, realmente o gol de Coelho foi apenas o de empate do River. Como explicar então essa memória selecionada que guardei? Provavelmente o fim trágico do jogo assim como o nervosismo no estádio forçou meu cérebro a alterar essa lembrança e tornar ainda mais trágico esse momento...

A alegria virou agonia, nervosismo. Ainda mais quando o River se retrancou.

*Como o post ficou extenso, os autores optaram por dividir o texto em duas partes. Próximo capítulo vem na próxima semana.

terça-feira, 19 de junho de 2012

COR x SAN, 20/06/12. O jogo mais importante da história do Corinthians?


Bom, para mim, se contar os jogos que tenho a oportunidade de ver, é o mais importante. 

Em 90, além de não lembrar, ainda não torcia para o Corinthians. Contrariando boa parte dos torcedores, quando criança torcia para a Portuguesa, por influência do meu padrinho, que me levava ao Canindé. Comecei a torcer para o Corinthians quando já era cavalo, com 14, 15 anos. Escolhi o time sim. Ano de 2002.

Naquele ano o Corinthians tinha aquele time do Parreira, com "o melhor lado esquerdo do mundo", com Kleber, Ricardinho e Gil. Acho que naqueles tempos o futebol estava mais interessante que hoje, com muito menos frescura por parte dos atletas. As provocações tinham mão tripla, já que ao menos os torcedores dos times da capital tinham motivos para exaltar seus clubes. O Palmeiras ainda vivia da ressaca da Libertadores, o São Paulo era freguês do Corinthians mas chegava e o Santos vinha montando um time com Diego e Robinho para não "cair", segundo seu técnico, Leão.

Voltando à questão da importância do jogo, um dos primeiros "daqueles" após minha decisão de "virar a casaca", já foi importante, o da Copa do Brasil. Uma peleja tensa, com resultado apertado. Praticamente um batismo de fogo para o novo integrante fiel. Em seguida, veio o Rio-São Paulo. Mais jogos complicados contra o time da Vila Sônia. 

Claro que nem só de vitórias vivi. Em 2006, assisti no Pacaembu a derrota para o River nas oitavas de final da Libertadores. Esse jogo merece uma postagem especial, vou conversar com o Martins uma postagem conjunta, já que ele também estava no Pacaembu nesse dia.

Em 2009, a importância dos jogos mudou de foco. Não era mais o campeonato que importava, e sim quem estava em campo. O maior jogador que vi, Ronaldo.
Ter a honra de ver o Fenômeno em campo era algo incomparável. Acompanhado de títulos então...

Faz duas semanas que comprei o ingresso para amanhã. Já estou nervoso desde o jogo contra o Vasco, o qual também assisti no Pacaembu. Ontem, meu nervosismo começou a se manifestar "apenas" em 24 horas do dia, e não mais apenas quando eu "lembrava" do jogo. Amanhã devo quase morrer do coração.

Como disse no último domingo após o jogo de society comentado no post anterior, sairei do Pacaembu chorando de qualquer jeito. Se classificarmos, lágrimas de emoção devido à final inédita. Se não classificarmos...

sábado, 21 de abril de 2012

Grandes Jogos do Passado #1

Pensando em realmente fazer jus ao nome do nosso blog, trago aqui um fato muito interessante ocorrido em 1954, na Inglaterra. O jogo fazia parte da preparação do Arsenal para a temporada 53/54 e o seu adversário era a nossa querida Portuguesa de Desportos, que tinha em seu elenco, excelentes craques como Djalma Santos e Julinho Botelho.

O torcedor recebia com seu ingresso o flyer abaixo:

O resultado da partida: Arsenal 7x1 Portuguesa.