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quinta-feira, 20 de março de 2014

O Futebol e a Cidade

Em ano de Copa do Mundo no Brasil, cada vez mais se fala da paixão do brasileiro sobre o esporte bretão. E você sabe quando este sentimento começou? Falaremos um pouco dele hoje no nosso blog.

A maioria das pessoas sabe que o futebol foi trazido ao Brasil por Charles Miller no final do século XIX, numa partida entre funcionários da São Paulo Railway e da Companhia de Gás, no bairro do Brás, em São Paulo.

Logo a elite paulistana se interessou pelo novo esporte e alguns espaços para a prática do futebol foram surgindo, como a Chácara Dulley, o Velódromo da Dona Veridiana e o Parque Antarctica - onde houve a primeira partida oficial em 1902. Quem não era pertencente a esta classe ficava resignada à Várzea do Carmo - daí surge a expressão "Futebol de Várzea", que usamos até hoje, ligada diretamente ao futebol amador.


A virada do século XIX para o XX também ficou marcada por várias transformações na cidade de São Paulo, uma delas é essa busca por espaços de lazer e entretenimento. Além disso, neste período começam a surgir algumas indústrias que levariam a cidade, juntamente com o café, a um novo patamar de desenvolvimento.

Pensando nesta questão e nas relações entre a indústria que surgia e a demanda por locais de lazer, este blogueiro e também historiador procurou trazer à tona a história do [click no link] Parque Antarcticano seu TCC defendido há poucos diascontando um pouco das relações de urbanização que São Paulo viveu desde então. Neste trabalho podemos ver como o Parque e depois Estádio Palestra Italia contribui para o entendimento de questões sociais, culturais e urbanísticas da nossa cidade. Leia, deixe seu comentário e até a próxima!


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Dica de Carnaval em São Paulo

Para você que sempre acompanha nosso blog, pedimos desculpas pelo longo período sem postagens novas, a vida acadêmica é algo que nos consome por completo e nos deixa sem tempo para coisas mais legais, como escrever para todos.

Falaremos hoje de algo muito significativo com a história da cidade de São Paulo, infelizmente, uma história um pouco esquecida pela maioria das pessoas. Trata-se dos rios que compõem a cidade. Ficamos atentos somente ao Tietê, Pinheiros e Tamanduateí porque, além de estarem visíveis, são motivos de preocupação quando vem as chuvas e mostram claramente a ação do homem na transformação da cidade.

Mas existem tantos outros rios, retificados e canalizados, escondidos sob a manta de asfalto que fazem sua história ser esquecida. Um deles é o Rio Saracura, que corre onde hoje é a Avenida Nove de Julho. Para trazer o rio à tona, ou ao menos a sua história, e aproveitando o clima de carnaval que já percorre pela cidade, foi criado o BLOCO FLUVIAL DO PEIXE SECO, que sairá pela avenida cantando sobre o Saracura e mostrando a importância que o rio tem para toda a cidade.

Venha fazer parte desta navegação, vista-se de azul e branco e vamos todos navegar pelas águas do Saracura, com muita alegria e diversão neste carnaval! Até lá!!


sábado, 18 de janeiro de 2014

São Paulo 460 Anos - Andando pela Cidade #4

Lançar um post no blog no sábado à noite combina muito com o passeio que iremos fazer. Trata-se de uma das ruas mais instigantes e com a energia mais efervescente que a cidade de São Paulo possui. Você deve imaginar, estamos falando da Rua Augusta.


De acordo com o Dicionário de Ruas, o nome "Augusta" não indica uma homenagem à alguém conhecida e sim um título de nobreza ou adjetivo, ou seja, no sentido de dizer o quão importante e imponente a rua é, já que o desejo do português Mariano Antonio Vieira,  proprietário da "Chácara do Capão", local onde hoje passa a rua, no final do século XIX, criou ali também o bairro de Bela Cintra e a rua Augusta serviria de acesso do novo bairro à Avenida Paulista, importante local da elite paulistana, como dissemos no post anterior.

A rua tem seu início nas proximidades da Praça Roosevelt, subindo até a Avenida Paulista e depois segue rumo ao bairro dos Jardins. Nos anos 60, torna-se reduto da juventude paulistana e da pluralidade que a cidade representa, agregando valor às mais diversas tribos diferentes, opção nela não falta para quem gosta de se divertir. A variedade gastronômica, as várias baladas e bares fazem da Augusta uma rua em o que importa é o prazer. Aproveite a noite e até a próxima!!

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

São Paulo 460 Anos - Andando pela Cidade #3

Continuando nosso passeio pela cidade de São Paulo, daremos uma olhada numa das avenidas mais importantes da cidade e, por que não dizer, do país, a Avenida Paulista. Além de ser um dos centros financeiros de São Paulo é também um dos pontos turísticos mais visitados por conter uma série de locais de cultura e de entretenimento. 

Criada em 1891 pelo engenheiro uruguaio Joaquim Eugênio de Lima, a Avenida Paulista veio do desejo da nova burguesia paulista em ocupar uma região que, além de promover a expansão da cidade, serviria como área residencial distante da movimentada centralidade do período, representada pelos bairros de Campos Elíseos e Higienópolis.

Hoje a Paulista apresenta uma série de locais que, para quem ainda não conhece, é uma boa oportunidade de passeio: Casa das Rosas, Centro Cultural FIESP, Itaú Cultural, Livraria Cultura, MASP, Parque Trianon e muitos outros.

As estações de metrô existentes na avenida tornam o acesso muito mais prático e, nos fins de semana, há vários grupos que promovem passeios gratuitos pela avenida contando toda sua história. Aproveite e até a próxima!

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

São Paulo 460 Anos - Andando pela Cidade #2

Nossa visita hoje fica por conta da Biblioteca Mário de Andrade, essencial para quem quer aprender sobre a história da cidade de São Paulo. Fundada em 1925 na Rua 7 de Abril com o nome de Biblioteca Municipal de São Paulo.

Em 1937, incorporou a Biblioteca Pública do Estado e, com um acervo cada vez maior, mudou-se para a Rua da Consolação. O novo prédio foi inaugurado em 1942 pelo prefeito Prestes Maia e foi projetado pelo arquiteto francês Jacques Pilon sendo um marco na arquitetura Art Déco na cidade. Em 1960, a biblioteca passa a receber o nome de Mário de Andrade.

Após várias mudanças e reformas, em 2011 a biblioteca é reinaugurada permitindo ao público a utilização de áreas de consulta de coleções fixas e material circulante, além de diversos eventos em seu auditório, que permitem à Mário de Andrade sua inclusão na agenda cultural de São Paulo.

Como frequentador assíduo e pesquisador da cidade, posso afirmar que a quantidade do acervo aliada à qualidade e competência dos funcionários que ali trabalham fazem da biblioteca um local bastante prazeroso para se estudar e que vale muito a pena de ser conhecido. Até a próxima!



Biblioteca Mário de Andrade - Circulante
Av. São Luís, 235 - Centro
Tel: (11) 3775-0004/3775-0006
circbma@prefeitura.sp.gov.br
www.bma.sp.gov.br
2ª - 6ª - 8h30 às 20h30
Sábado - 10h às 17h

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

São Paulo 460 anos - Andando pela Cidade #1

É o primeiro post de 2014 e de antemão desejamos um ano com muitas felicidades e sucesso para você que nos acompanha e nos prestigia sempre. Que o futebol seja motivo de união, de tiração de sarro e de alegria entre as pessoas, nunca de brigas e jamais de violência!

Para começar o ano, vamos mostrar um pouco da cidade natal do nosso quartel-general, São Paulo, que completa no dia 25 seus 460 anos. E para isso iniciamos a série Andando Pela Cidade, para mostrar um pouco de sua história e servir de convite para um passeio que é muito agradável.

Começaremos pelo Pátio do Colégio ou Pateo do Collegio, não por acaso, o local eleito como marco inicial da cidade de São Paulo, criado em 25 de Janeiro de 1554. Porém, esta construção não é a original, vítima de um desmoronamento de causas desconhecidas, mas sim uma feita nos mesmos moldes, em 1954. Abriga, entre outros hoje, o Museu Anchieta, Biblioteca e uma cripta com o fêmur do padre que batiza o museu.
Ilustração de 1824
Na época, localizado no alto de uma colina e cercado dos rios Tamanduateí e Anhangabaú, o lugar, chamado de Vila São Paulo de Piratininga, era uma opção estratégica de segurança.
Hoje o local apresenta atividades culturais. O museu, composto por sete salas, expõe coleções de arte sacra, uma pinacoteca, objetos indígenas, uma maquete de São Paulo no século XVI, a pia batismal e antigos pertences de Anchieta, entre outras coisas. Muitas pessoas aproveitam o cafezinho e o clima nostálgico no jardim do pátio.
Jardim

Como um dos principais símbolos da história paulistana, o lugar ainda preserva a grafia original do português arcaico. Viaje no túnel do tempo e se surpreenda com o início da trajetória de uma das mais importantes cidades da América Latina. Aproveite e vá conhecer as origens de São Paulo, até a próxima!!!

Vista Aérea


Serviço:
Pateo do Collegio
End.: Praça Pateo do Collegio, 2 - Centro - São Paulo (próximo ao metrô Sé)
Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 9h às 16h30. Para visita monitorada é preciso agendar de segunda a sexta, das 13h às 16h
Preço: Museu Anchieta - R$ 6 (inteira), R$ 3 para estudantes, R$ 2 para alunos de escola pública. Gratuito para crianças de até sete anos, pessoas maiores de 60 anos e deficientes físicos.
Tel.: (11) 3105-6898
Site: www.pateocollegio.com.br

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Dica de Leitura #9 - Como Viver em São Paulo sem Carro

A dica de leitura de hoje é para quem se depara todo dia com o trânsito caótico e a perda de tempo nos congestionamentos de São Paulo. O problema do trânsito remete ao tempo em que as políticas públicas priorizaram o uso do automóvel, em detrimento de um transporte coletivo que contemplasse a população, ou seja, o carro virou obrigação e não uma opção para as pessoas, já que existe toda aquela mística e glamour sobre o possante de quatro rodas, como o sonho de ter o primeiro carro e assim por diante.

Mas hoje este sonho é um pesadelo e sair às ruas com o carro é cada vez mais complicado, trabalhoso e estressante, seja pela dificuldade de locomoção ou até mesmo para encontrar um lugar para estacionar, haja paciência! Em contrapartida, parece ser a única solução de quem quer fugir de um transporte público precário, com milhares de pessoas aglomeradas em ônibus, trens e metrô com lotações máximas e problemas diários, além de tarifas não condizentes com a qualidade do serviço que prestam.









Será possível, então, viver em São Paulo sem carro? A resposta está no livro de mesmo nome, de Leão Serva e Alexandre Lafer Frankel, em sua segunda edição, com o depoimento de 15 pessoas, como a jornalista Maria Tereza Cruz, a atriz Natália Rodrigues, o médico Paulo Saldiva, entre outros,  que dão dicas de como aproveitar melhor a cidade e seus caminhos, seja de transporte público, bicicleta ou a pé mesmo.

Sabemos que a cidade necessita muito de melhorias em relação a esta questão, mas esse tipo de leitura nos faz refletir se nosso comportamento pode ser mudado para contribuir com este panorama. Procure a página do livro no Facebook, faça o download gratuito do guia e boa leitura!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Andrés Sanches: O Bom, o Mau e o Feio


















Andrés Sanches pode ser enquadrado como sendo ao mesmo tempo os três personagens do clássico filme de Sergio Leone, "O Bom, o Mau e o Feio". Visto como "o Bom" por considerável parte da torcida do Corinthians; como "o Mau" por considerável parte dos torcedores adversários e, last but not least, "o Feio", tanto por sua figura do ponto de vista estético quanto por sua atuação em recentes casos, como o do "Clube dos 13", "CBF" e, mais recentemente, na reunião com Romário e Chilavert sobre o futebol sulamericano.

O Bom

Como já adiantado, Andrés é tido por considerável parte da torcida corinthiana como um grande, alguma parte o considera o maior, presidente do Corinthians. Além do "sonho da casa própria" realizado, Andrés de fato ajustou as contas do clube, agregou um novo significado e magnitude à marca Corinthians, foi responsável pela concretização dos planos de um CT moderno, o que os rivais já possuíam há boas décadas, enfim, uma série de realizações.
Ainda que muitos adeptos, e muitos adversários, consigam perceber que Andrés não é um personagem dos faroestes, maniqueísta, sua figura em muitas discussões toma forma de Deus pelos partidários e de Diabo pelos opositores. Em qualquer dos lados, o que ocorre é um pré conceito na avaliação de sua atuação como dirigente.

O Mau

Em estatísticas não oficiais, quer dizer, no puro achismo, 9 entre 10 torcedores rivais não "vão com a cara" de Andrés Sanches. Parte dessa "birra" pode se dever ao fato do status que o presidente corinthiano alçou o time de Parque São Jorge. Outra parte dessa visão dos torcedores dos demais clubes pode ser também uma reação ao modo como o ex presidente é tratado pelos torcedores alvinegros e pelo modo mais informal com que Andrés exerceu a presidência. Não me lembro de caso parecido com algum presidente de qualquer clube do mundo com aquele jogo em que Andrés assistiu junto da torcida, na arquibancada, lugar avesso ao conforto das tribunas ao qual estamos todos acostumados a ver os presidentes. Afora todo o exposto, Andrés sempre "brigou" pelos interesses do Corinthians. Quando saliento isso, quero explicitar o fato de que se a gestão encontrava algum entrave aos seus interesses gerado por algum clube, Andrés simplesmente optou pelo Corinthians em vez das soluções políticas. Caso exemplar foi o de não mais jogar alugando o estádio do Morumbi.

O Feio

Recentemente diversas reuniões "em prol do futebol como um todo" têm sido feitas. O movimento de jogadores "Bom Senso FC" em relação ao calendário vêm de uma tendência que, bem ou mal, podemos tomar como ponto a dissolução do "Clube dos 13". O monopólio do repasse dos direitos de transmissão exercido pelo "Clube dos 13" mostrava-se, no mínimo, improdutivo do ponto de vista econômico, já que as cifras no primeiro contrato negociado individualmente cresceram para todos os clubes.
A atuação de Andrés pós Corinthians, na CBF, se mostrou bastante conturbada em relação ao caso Mano Meneses. A aparente estreita relação com Ricardo Teixeira também deixava Andrés aos olhos da opinião pública como mais um vilão do futebol, já que Teixeira e sua atuação como presidente têm sido questionada há um bom tempo do ponto de vista ético. A mudança de presidente da instituição e a demissão de Mano, o técnico de Andrés, colocou anches em uma posição insustentável. A demissão era o único caminho.
O vulto de Andrés voltou a se manifestar no começo de setembro. Uma reunião para discutir o futebol sulamericano, criticado desde os tempos à frente do Corinthians, foi realizada no Parque São Jorge com as presenças mais repercutidas do deputado Romário, notabilizado no cargo com processos relativos à CBF, e Chilavert e Maradona. Os rumos ou os porquês da reunião ainda permanecem nas versões oficiais, que não cabem ser discutidas aqui graças às matérias presentes nos maiores sites de comunicação que podem facilmente ser acessadas. Porém, apenas pela presença de Andrés na reunião já foram ouvidos burburinhos em relação a esses rumos e porquês...


O objetivo deste post, autoral em seu conteúdo, não é de forma alguma encerrar ou "dar números finais à partida", mas sim oferecer um panorama do que posso perceber nessa questão. Creio que nos dois extremos das opiniões esse post não representará grande coisa. Porém, para aqueles que se colocam em posição de pensar sobre o futebol de forma mais "científica" esse post pode trazer argumentos e certa bagagem para continuarmos essa discussão que ainda está bem longe de terminar.

(Post publicado simultaneamente em http://ehtudohistoria.blogspot.com.br/)

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Homenagem - Mauro Beting

No dia 2 de Setembro, o jornalista e comentarista Mauro Beting comemorou mais um aniversário. Na imprensa desde os anos 90, certamente você já o viu em algum canal de televisão, já o ouviu no rádio e já leu suas colunas no jornal e na internet, até mesmo nos videogames. Ele é unânime entre os que acompanham futebol, pelo modo imparcial como comenta e escreve, pelo senso de humor inteligente que lhe é peculiar. Nunca negou a ninguém que é palmeirense e nunca fez questão de ser lembrado por isso.


Juntamente com outros jornalistas, lançou há pouco tempo o canal CHUPA FC, em que sua veia cômica está ainda mais veemente, muito mais até do que sua vasta cabeleira. Além disso, é autor dos livros A Ira de Nasi, Nunca fui Santo, Bolas & Bocas - Frases de Craques e Bagres do Futebol, As Melhores Seleções Estrangeiras de Todos os TemposOs Dez Mais do Palmeiras, Fim do Jejum - Início da Lenda, entre outros.


O futebol é um esporte tão simples que, explicá-lo, paradoxalmente, é algo complicado, pois é necessário escapar do óbvio. Mauro faz isso exatamente como seu amado pai Joelmir fazia com a economia, consegue transcrever seus conceitos de forma palpável, plausível, prazerosa.

Mauro é exemplo de quem faz o que gosta e Beting é sinônimo de quem sabe como fazer. Orgulho de Joelmir e Lucila. Da esposa e filhos. Do jornalismo brasileiro, da torcida palmeirense, de todos amantes do futebol e espelho para quem tergiversa sobre História, Futebol e Futilidades. 


Parabéns, Mauro!

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Jogando Contra a Homofobia - O Beijo da Discórdia

Por Sousa e Martins

A história do futebol possui capítulos muito tristes em relação ao preconceito. No final do século XIX, quando o futebol foi trazido ao Brasil por Charles Müller, e os negros não podiam participar das partidas, em função da condição de escravizado recém-abolida e da sua condição de marginalizado. Nem a possibilidade de ver os jogos lhes era dada. Ainda nos dias de hoje vemos muitos jogadores sendo hostilizados em função de sua cor, inclusive na "democracia racial" chamada Brasil.

Nesse sentido, percebemos que o futebol, por estar inserido em nossa sociedade, acaba reproduzindo os padrões normativos preconceituosos do cotidiano. Incluindo o excluído quando é de seu interesse, e excluindo ainda mais o excluído quando lhe convém.

Crescemos ouvindo que o futebol é uma paixão que move milhões de pessoas por todo o mundo. Agora, leia essa frase novamente e responda: se o futebol move milhões, você acha realmente que todas essas pessoas são heterossexuais?

Humanos, demasiado humanos...

Sim, o futebol é um esporte praticado por seres humanos. Incrível como nos esquecemos disso, né? Ainda mais quando o foco é o time pelo qual torcemos. Emerson Sheik, jogador do Corinthians, é a polêmica da semana, pelo "selinho" dado em um amigo num restaurante em São Paulo, no último domingo. Assim foi com Ronny e Leandro Amaro, durante um treino no Palmeiras em março deste ano e diversos outros casos.

Não estamos aqui discutindo a opção sexual de A ou B. Mas um comportamento que foge os "padrões" heterossexuais estabelecidos é tratado como uma anormalidade que muitas vezes esbarra - quando não cai - na homofobia.

Também não estamos atacando torcedores de time A ou B. Alguns integrantes de organizadas do próprio Corinthians falaram tantas asneiras, que chegou a dar dó da tamanha ignorância e pequenez intelectual. São esse tipo de gente que hostiliza homossexuais na rua, que hostiliza sua namorada no estádio e que ainda fazem um mal sem tamanho ao clube a que torcem, a partir do momento que se sentem no direito de pedir a expulsão do jogador que marcou dois gols e teve a melhor atuação da final do torneio mais cobiçado pelos torcedores do clube: a Libertadores da América.

O problema é que já perdemos outras ótimas oportunidades para debater seriamente esse tema: quando Jorge Lafond -a eterna Vera Verão - declarou ter um caso com um jogador da Seleção Brasileira, ou o ódio/desprezo demonstrado pela torcida sãopaulina com o Richarlyson, ou no próprio caso do Ronaldo e os travestis.

Mas não! Preferimos contribuir com a propagação da normatividade homofóbica, machista e preconceituosa através de piadas de gosto duvidoso e que ridicularizam homossexuais, mulheres e outras minorias. As torcidas preferem apenas rivalizar, utilizando de apelidos jocosos para atingir os rivais, ao invés de engrandecer o próprio time. E digo mais: as organizadas que tanto batem na tecla de que não são uma corja de bandidos, que desenvolvem projetos sociais em suas sedes preferem é fomentar ainda mais a homofobia do que enfrentar um problema da sociedade de frente.

A imprensa também cumpre seu papel, quando trata o assunto como polêmica. Assistindo o Jogo Aberto, por exemplo, ambos os apresentadores trataram o tema como se fosse algo de outro planeta. Trataram de jogar mais combustível na fogueira deixando de lado, por exemplo, um assunto extremamente grave como o espancamento de um flamenguista por parte de uma torcida organizada do São Paulo, como se fosse algo menos relevante.

Pois é: uma demonstração de amor e afeto choca mais as pessoas do que a selvageria!

Estamos nos tornando fundamentalistas extremamente perigosos. Afinal, além de considerarmos os rivais inimigos, transformamos os homossexuais em um inimigo também!

"Os homens se parecem mais com sua época do que com seus pais" disse Marc Bloch, parafraseando um provérbio árabe. Acho que na maioria das vezes, somos piores como seres sociais do que nossos pais o foram.

Enfim, a intenção aqui não é tornar Emerson Sheik um heroi, um mártir, mas sim servir de alerta para pensarmos e refletirmos sobre as atitudes e julgamentos que a sociedade vem fazendo. É preciso pensar se o próximo passo para a homofobia e as outras formas de preconceito não transformarão o homem em um ser humanofóbico, em que valores como amor, carinho e respeito sejam jogados para escanteio ou deixados no banco de reservas.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Pelos poderes dos pêlos

Como dá pra perceber, o post de hoje não tem muito a ver com futebol, mas tem muita história contida nele. A começar pela suposta polêmica gerada por algumas pessoas nas redes sociais ao se depararem com as fotos da atriz Nanda Costa na Playboy deste mês. Alegou-se ser um absurdo, falta de higiene, de estética, de bom gosto, o fato da atriz não ter depilado os seus pêlos pubianos para o ensaio. Disseram que ela é a nova Claudia Ohana, outra atriz que virou sinônimo de quem não é adepta da depilação.

Quem tem 30 anos ou mais, certamente vai se lembrar de que a "moda" entre as modelos das revistas masculinas era cultivar a "mata atlântica", com o perdão da expressão um tanto pejorativa. Agora, será que era realmente "moda"? Quem a inventou? A natureza humana e seus hormônios, marcados como a fase em que a menina se transforma em mulher? Os pêlos que ali nascem tem a sua função, seja de proteção dos órgãos sexuais, seja meramente estética. 

Praticamente nos anos 2000 para cá começa essa verdadeira caça ao pêlo, visivelmente mostrada pelos ensaios nus em que as modelos cada vez mais aparecem desprovidas de qualquer vestígio daquela mata que cobria as gerações anteriores. Esse é o novo padrão, ditado pela sociedade atual. E, por ser ditado, deve sim ser discutido. Não se ele está certo ou está errado, mas pelo direito da mulher escolher o que achar melhor para si. Quem não segue um padrão, torna-se exceção e, por isso, sofre preconceito e é execrado. Como não vestir a tal roupa, não ouvir a tal música, não seguir tal tendência.

Enfim, o que gruda mais que cera de depilação é alguém ser taxado e julgado por outra pessoa que não compartilha da mesma ideia. O que corta mais fundo que lâmina de barbear é a dor da repressão de quem não segue a própria vontade. Seja o que for, seja quem for, com pêlo ou sem pêlo, seja sempre você mesmo. E seja feliz.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Futebol pelo Mundo – São Thomé das Letras



Foram três dias intensos de heavy metal em Varginha. Festival Roça’n Roll, acontecendo na fazenda Estrela.

De lá íamos esticar nossa viagem até São Thomé das Letras, fazer umas trilhas, ver umas cachoeiras, tomar umas cachaças.

Tudo começou com o fim do último dia de evento do festival. Desmontamos acampamento, colocamos as mochilas nas costas e rumamos para pegar o ônibus que nos levaria até a cidade.

Uma caminhada até a rodoviária, um lanche e uma dormida das 3h30 da madrugada até as 6h da manhã, já que o ônibus que ia para Três Corações sairia meia hora depois. Parada na cidade que o Pelé nasceu e pegamos outro ônibus até São Thomé.

Chegamos na cidade por volta das 9h da manhã, encontramos o camping, montamos acampamento e demos uma boa descansada.

Depois do descanso, o mercado. Compramos os suprimentos e na volta para o camping, um carro de som anunciava: “É hoje, às 14h, o jogo entre o São Thomé Esporte Clube e Sociedade Esportiva Juventus de São Bento Abade, no Arizão. Prestigiem!”

Na mesma hora, Gustavo e eu nos olhamos e dissemos: “vamos ver esse jogo”.

Vista do lado interno do Arizão
Almoçamos, pegamos a máquina fotográfica e lá fomos nós para o Arizão.

Chegamos às 14h em ponto. E tudo muito vazio, muito tranquilo. Começaram a chegar os primeiros torcedores e descobrimos, que na verdade, o jogo seria às 15h. Resolvemos que iríamos tomar uma cerveja.

Nesse ínterim surge o torcedor-símbolo do São Thomé, o Zé Carlos: já entra embriagado, tumultuando e dizendo que ia tocar o terror no bandeirinha. Também sentou um senhor do nosso lado. Começou a contar história da época em que jogou e também treinou o time da cidade. Que jogavam num campo de pedregulhos, com barranco para todos os lados do campo.

Eis que surge o time da casa. 14h45 e nada do time adversário. Passam-se uns dez minutos e o time de São Bento chega, junto com sua torcida barulhenta. Ficamos sabendo que a viagem atrasou porque o motorista do ônibus, que trouxe o time e a torcida, atropelou um motoqueiro no caminho.

A torcida adversária interrompeu o nosso papo com o senhor, que estava interessante.

14h55 entra o goleiro adversário para se aquecer e junto com ele o trio de arbitragem. Uma enrolação sem fim e a gente a fim de mais uma cerveja.

Ambos os times em campo, saúdam a torcida e mais demora. Por fim, o jogo começa com uns 20 minutos de atraso.

São Thomé Esporte Clube
Grudamos no alambrado e começamos a conversar sobre quem seriam os destaques. Gustavo apostou no camisa 7 do time de São Thomé, dizendo que parecia o líder do time e também pelos passes no aquecimento. Eu apostei no camisa 9, que tinha jeito de fazedor de gol. Do time de São Bento, quem chamou a atenção foi um sósia do Ronaldinho Gaúcho.

Só um parêntese: é incrível que quase em toda pelada que participo ou assisto tem um sósia do R10. Em Alagoas foi assim, por exemplo...

Jogo começa e vai amarrado até o fim do primeiro tempo. A única coisa que salvava era o volante do time de São Thomé: sujeito franzino e com perfil de veterano que não perdia uma bola dividida e antecipava a marcação como poucos que eu vi. Usava a camisa 17.

Mas o jogo continuava tão ruim que o bandeirinha que estava do nosso lado, virou para gente e disse: “esse jogo está ruim demais, parece que os dois times estão com medo de perder”. Assim, sem o mínimo de decoro mesmo. E para seu azar ainda teve que escutar o Zé Carlos dizendo que ia arrancar a orelha dele, arrancar o carrapato que supostamente estaria preso na orelha dele com o dente, para finalizar com “o bandeirinha, não fica triste não”.

Fim do primeiro tempo e um pulo ao mercado para comprar mais uma cerveja.

Começa o segundo tempo mais agitado. O goleiro de São Thomé não segurava uma bola e assustava a torcida. Mas aí que os craques de São Thomé resolveram a partida: primeiro o camisa 7 num bate e rebate na área do Juventus; e o segundo do camisa 9, gol de centroavante, entrando por trás da zaga e fuzilando o goleiro, mesmo depois de um escorregão.

Infelizmente as intempéries climáticas não permitiram que assistíssemos ao jogo até o fim. Uma chuva colossal se aproximava e preocupados com a possibilidade de um dilúvio destruir nossas barracas, voltamos ao camping para montá-las num local mais protegido.

Assim terminou uma das experiências mais engraçadas da minha vida, no que diz respeito ao futebol.

Se o jogo não primou pela qualidade técnica, garantiu diversão através do Zé Carlos e dos torcedores que apelidaram o juiz de “bunda baixa”. Fora a bateria menos animada que eu já vi e os gritos de guerra que a gente usava no primário.

Não é só pelos cinco títulos mundiais com a seleção. Não é só pelo domínio dos clubes brasileiros nos campeonatos continentais. Não é só pelo Pelé, Romário, Ronaldo, Ronaldinho e outros gênios dentro de campo (as vezes não tão gênios fora deles).No fim das contas, é vendo que existe futebol e campeonatos amadores em lugares tão ermos e pequenos como São Thomé e São Bento é que faz sentido a afirmação: “Brasil, a pátria de chuteiras”.

Ficamos devendo a ficha técnica. Nesse caso, nem a internet pode nos salvar.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Acervo de Camisas do Futebol, História e Futilidades - Parte I

Por Sousa e Martins

Ter uma camisa do seu time de coração não é tão simples quanto se parece, até porque os preços de venda são cada vez maiores. Porém, mais do que o preço que tem a camisa, é o valor que ela representa. Esse sim é inestimável e torna a camisa o nosso manto sagrado.

A camisa faz parte do uniforme, ou seja, que tem a mesma forma, idêntico, fazendo do torcedor parte integrante do time, principalmente no estádio. Mas quem não tem camisa não é torcedor? É sim mas, convenhamos, que usar a camisa do clube nos faz realmente crer que somos parte daquilo tudo, é algo que mexe com nosso imaginário.

A minha primeira camisa do Palmeiras só veio em 2007. Presente de um tio, era a número 7 que Edmundo usou na sua segunda passagem pelo clube. Foi a primeira de muitas, de lá, sempre que posso compro uma para ampliar a pequena coleção que tenho, com algumas comemorativas, como a do primeiro jogo que fui, em 1987, a do goleiro Leão e uma do Palestra Italia. Enfim, se as camisas são nossas segundas peles, nada melhor do que ver várias delas...

Todos nós procuramos nos encaixar em algum grupo desde a infância. A noção de pertencimento é tão remota quanto à própria civilização humana. Ser corintiano é o que melhor me define. Sinto-me parte de um todo, de um grupo social que mesmo bastante heterogêneo compactua da mesma convicção: o amor incondicional pelo Corinthians.

Mas vou além. Faço parte de um grupo ainda maior. Do grupo que gosta de futebol acima de tudo. E meu acervo de camisas se baseia acima de tudo em futebol...e mais um pouco. Não vou ser hipócrita; por mais que eu goste de futebol, jamais compraria a camisa de um rival de São Paulo. Palmeiras, São Paulo e Santos: JAMAIS!!!

Na verdade, como bem lembrou o Sousa, até do Corinthians eu tendo a não comprar. Afinal os preços das camisas oficiais são exorbitantes e me recuso a pagar um preço tão alto, por mais que eu ache os uniformes 1 e 2 desse ano sensacionais. Meu acervo do Corinthians é na maioria de camisas ganhas, exceto a de 1997 – período em que Túlio Maravilha vestiu o manto – a de 2003 com patrocínio da Pepsi e a réplica da camisa de 1910, que fora minha última aquisição.

Fora isso, tenho três que considero relíquias:

- Autografada de 1987, contendo assinaturas de Ronaldo Giovanelli, Biro Biro, Wilson Mano, Eduardo Amorim (para ficar nos mais importantes).

- Autografada de número 9 (do Nilson) de 1994, contendo assinaturas de Ronaldo Giovanelli, Souza, Fabinho, Marques e do zagueiro Gralak.

- Autografada de número 10 (do Souza) de 1994, contendo assinaturas de Marcelinho, Ezequiel, Zé Elias e do Rivaldo.

Além dessas, tenho um de treino e um agasalho, que embora não seja o oficial, me acompanha nas tardes e noites frias no Pacaembú. Possuo duas réplicas da camisa da Fiorentina – uma preta e branca e outra branca e roxa – em homenagem a primeira camisa que o Dr. Sócrates vestiu na Europa, apesar de não ter tido muito sucesso por lá.

Outras duas, não ligadas a minha memória emocional, são a de torcedor do glorioso ASA de Arapiraca e do Nova Iguaçu. Gosto muito de sair com camisas de times com menos visibilidade. Ando mirando uma do Juventus da Móoca...

Enfim, se existem duas mercadorias que me encantam com seu fetiche são camisas de futebol e livros. Hoje em dia, devido ao trabalho e ao estudo tenho me dedicado mais aos livros. Mas espero um dia que o preço dos artigos esportivos caia ou que aumente o meu poder de compra. Assim posso usufruir de belas camisas de futebol e livros mais belos ainda.