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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Racismo no Futebol



Ontem, 20 de Novembro, comemorou-se o Dia da Consciência Negra, data da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. A essa data, fazemos uma reflexão acerca da importância do negro na nossa sociedade no mesmo patamar e da mesma maneira que brancos, indígenas e qualquer etnia que seja, há de ser valorizar o ser humano, ainda que essa realidade esteja muito longe de acontecer, com exemplos no nosso cotidiano que nos mostra que esta humanidade ainda tem muito o que aprender.

Vejamos o exemplo do racismo no futebol, que é o carro-chefe do nosso blog. Há casos e mais casos lamentáveis de práticas racistas ao longo da existência do esporte amado por muitos, mas que ainda traz em si muita pequenez. Chama-se o jogador negro de macaco, oferecem a ele bananas na arquibancada,insulta-se das mais diversas formas, uma verdadeira atrocidade que já passou da hora de acabar.


Em um dos casos mais polêmicos do futebol, o jogador Grafite, que atuava pelo São Paulo, em 2005, foi alvo de ofensas racistas do jogador Leandro Desábato, do Quilmes. Disputando a Libertadores da América, os dois times se enfrentavam no Morumbi, quando Grafite empurrou o rosto do zagueiro argentino e foi expulso de campo. Justificando sua atitude, Grafite afirmou que foi vítima de racismo, ao ser chamado de “macaco” pelo argentino. Desábato foi preso no gramado e ficou dois dias na prisão. Grafite prestou queixa contra o argentino, e o jogador só foi liberado após pagar uma multa de R$ 10 mil, e pôde voltar à Buenos Aires, mas se comprometendo a voltar ao Brasil durante o processo. Algum tempo depois, Grafite retirou as queixas contra o argentino.

Se lembrarmos de grandiosos ídolos como Pelé, Coutinho, Luis Pereira, Eusébio, Dener, Dida, Leônidas da Silva, César Sampaio, Freddy Rincón, entre tantos outros jogadores negros, o futebol teria a beleza que é, sem a existência deles? Racismo em qualquer âmbito de nossa convivência como seres humanos é inadmíssivel. Sejamos inteligentes. Sejamos todos felizes!


sexta-feira, 12 de julho de 2013

Futebol pelo Mundo – São Thomé das Letras



Foram três dias intensos de heavy metal em Varginha. Festival Roça’n Roll, acontecendo na fazenda Estrela.

De lá íamos esticar nossa viagem até São Thomé das Letras, fazer umas trilhas, ver umas cachoeiras, tomar umas cachaças.

Tudo começou com o fim do último dia de evento do festival. Desmontamos acampamento, colocamos as mochilas nas costas e rumamos para pegar o ônibus que nos levaria até a cidade.

Uma caminhada até a rodoviária, um lanche e uma dormida das 3h30 da madrugada até as 6h da manhã, já que o ônibus que ia para Três Corações sairia meia hora depois. Parada na cidade que o Pelé nasceu e pegamos outro ônibus até São Thomé.

Chegamos na cidade por volta das 9h da manhã, encontramos o camping, montamos acampamento e demos uma boa descansada.

Depois do descanso, o mercado. Compramos os suprimentos e na volta para o camping, um carro de som anunciava: “É hoje, às 14h, o jogo entre o São Thomé Esporte Clube e Sociedade Esportiva Juventus de São Bento Abade, no Arizão. Prestigiem!”

Na mesma hora, Gustavo e eu nos olhamos e dissemos: “vamos ver esse jogo”.

Vista do lado interno do Arizão
Almoçamos, pegamos a máquina fotográfica e lá fomos nós para o Arizão.

Chegamos às 14h em ponto. E tudo muito vazio, muito tranquilo. Começaram a chegar os primeiros torcedores e descobrimos, que na verdade, o jogo seria às 15h. Resolvemos que iríamos tomar uma cerveja.

Nesse ínterim surge o torcedor-símbolo do São Thomé, o Zé Carlos: já entra embriagado, tumultuando e dizendo que ia tocar o terror no bandeirinha. Também sentou um senhor do nosso lado. Começou a contar história da época em que jogou e também treinou o time da cidade. Que jogavam num campo de pedregulhos, com barranco para todos os lados do campo.

Eis que surge o time da casa. 14h45 e nada do time adversário. Passam-se uns dez minutos e o time de São Bento chega, junto com sua torcida barulhenta. Ficamos sabendo que a viagem atrasou porque o motorista do ônibus, que trouxe o time e a torcida, atropelou um motoqueiro no caminho.

A torcida adversária interrompeu o nosso papo com o senhor, que estava interessante.

14h55 entra o goleiro adversário para se aquecer e junto com ele o trio de arbitragem. Uma enrolação sem fim e a gente a fim de mais uma cerveja.

Ambos os times em campo, saúdam a torcida e mais demora. Por fim, o jogo começa com uns 20 minutos de atraso.

São Thomé Esporte Clube
Grudamos no alambrado e começamos a conversar sobre quem seriam os destaques. Gustavo apostou no camisa 7 do time de São Thomé, dizendo que parecia o líder do time e também pelos passes no aquecimento. Eu apostei no camisa 9, que tinha jeito de fazedor de gol. Do time de São Bento, quem chamou a atenção foi um sósia do Ronaldinho Gaúcho.

Só um parêntese: é incrível que quase em toda pelada que participo ou assisto tem um sósia do R10. Em Alagoas foi assim, por exemplo...

Jogo começa e vai amarrado até o fim do primeiro tempo. A única coisa que salvava era o volante do time de São Thomé: sujeito franzino e com perfil de veterano que não perdia uma bola dividida e antecipava a marcação como poucos que eu vi. Usava a camisa 17.

Mas o jogo continuava tão ruim que o bandeirinha que estava do nosso lado, virou para gente e disse: “esse jogo está ruim demais, parece que os dois times estão com medo de perder”. Assim, sem o mínimo de decoro mesmo. E para seu azar ainda teve que escutar o Zé Carlos dizendo que ia arrancar a orelha dele, arrancar o carrapato que supostamente estaria preso na orelha dele com o dente, para finalizar com “o bandeirinha, não fica triste não”.

Fim do primeiro tempo e um pulo ao mercado para comprar mais uma cerveja.

Começa o segundo tempo mais agitado. O goleiro de São Thomé não segurava uma bola e assustava a torcida. Mas aí que os craques de São Thomé resolveram a partida: primeiro o camisa 7 num bate e rebate na área do Juventus; e o segundo do camisa 9, gol de centroavante, entrando por trás da zaga e fuzilando o goleiro, mesmo depois de um escorregão.

Infelizmente as intempéries climáticas não permitiram que assistíssemos ao jogo até o fim. Uma chuva colossal se aproximava e preocupados com a possibilidade de um dilúvio destruir nossas barracas, voltamos ao camping para montá-las num local mais protegido.

Assim terminou uma das experiências mais engraçadas da minha vida, no que diz respeito ao futebol.

Se o jogo não primou pela qualidade técnica, garantiu diversão através do Zé Carlos e dos torcedores que apelidaram o juiz de “bunda baixa”. Fora a bateria menos animada que eu já vi e os gritos de guerra que a gente usava no primário.

Não é só pelos cinco títulos mundiais com a seleção. Não é só pelo domínio dos clubes brasileiros nos campeonatos continentais. Não é só pelo Pelé, Romário, Ronaldo, Ronaldinho e outros gênios dentro de campo (as vezes não tão gênios fora deles).No fim das contas, é vendo que existe futebol e campeonatos amadores em lugares tão ermos e pequenos como São Thomé e São Bento é que faz sentido a afirmação: “Brasil, a pátria de chuteiras”.

Ficamos devendo a ficha técnica. Nesse caso, nem a internet pode nos salvar.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Futebol pelo Mundo - Alagoas


Sábado, 14 de janeiro de 2012. Pouco mais de meio-dia.

Estava passando férias em Arapiraca, Agreste do estado de Alagoas. Segunda maior cidade do estado, com 220 mil habitantes, é conhecida como a Capital do Fumo, por ser uma das maiores produtoras de tabaco do país. Apesar das grandes empresas beneficiadoras de tabaco tenham saído para a região Sul, ainda é muito comum ver enormes plantações de fumo, pessoas destalando as folhas na porta de suas casas e enormes rolos secando ao sol.

A viagem foi uma das experiências mais bacanas que já tive: 2.500 quilômetros de estradas pelo Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Sergipe, revezando a direção com meu sogro; conhecer e nadar no Rio São Francisco; conhecer as praias mais bonitas do Brasil; e conhecer a maravilhosa família da minha namorada, que me adotou de fato.

Mas o que tudo isso tem a ver com futebol, afinal?

Como publicado em outro post, no início do blog, gosto de ver partidas de futebol quando viajo a outros lugares, nem que seja de várzea. Dessa vez não foi diferente.

Nesse exato dia 14 de janeiro, tive uma experiência fantástica assistindo a partida de abertura da Primeira Divisão do Campeonato Alagoano, ASA X CEO. É engraçado perceber que boa parte dos times alagoanos, tem nomes em forma de siglas: ASA, CEO, CRB, CSA, CSE...

No meu caso: Agremiação Sportiva Arapiraquense X Centro Esportivo Olhodaguense, de Olho d’Água das Flores, do sertão alagoano.

Estávamos acomodados no povoado do Pau D’Arco, pouco mais de 10 quilômetros do centro de Arapiraca. Um clima bastante agradável de cidade do interior, onde quase toda a família de minha namorada, a Sika, reside.

Durante a semana, ficamos especulando de ir ao jogo. Uma prima da Sika se animou e organizou tudo para que pudéssemos ir. Chegando o dia, lá fomos nós esperar o ônibus (que passa de hora em hora), para ir a cidade acompanhar a partida: Sika, Jé (meu cunhado), Alexandra, Bombom e Alice (primas da Sika) e eu.

Chegamos ao centro da cidade e caminhamos por cerca de vinte minutos até o estádio. Era pouco depois das 14h, quando estávamos na bilheteria do Estádio Coaracy da Mata, conhecido como Fumeirão.  O nome é em homenagem ao prefeito da cidade na década de 1950 e também fundador do ASA; o apelido, é justamente pela cidade ser conhecida como grande produtora de fumo.

Vinte reais o ingresso, mas o casadinho saía pelo mesmo preço. No entorno do estádio, aquela esfera que não existe mais em São Paulo: uma série de barracas de ambulantes, vendendo uma variedade de lanches e bebidas.

Antes de entrar, uma revista policial bem truculenta.

E um sol de rachar mamona. Calor dos bravos para um jogo as 15h.

Ao entrar no estádio, uma surpresa. Tudo muito bonito, bem cuidado, gramado em ordem, banheiros limpos. Coisa rara nos estádios, principalmente os de times menores.

O ASA, como todos sabem, ficou conhecido no cenário nacional ao desclassificar o Palmeiras da Copa do Brasil de 2002. Hoje é uma das forças do futebol alagoano, disputando a Série B do Campeonato Brasileiro desde 2010 e foi vice-campeão da Copa do Nordeste em 2013.

Já o CEO era um time recém-promovido a divisão principal do campeonato estadual.

O pessoal ficou meio chateado ao saber que o craque do time, Didira, não iria para o jogo. Antes de o jogo começar, chutei 2 X 0 para o ASA. Fiz minhas apreciações sobre os jogadores que pareciam que jogavam bem:  Jorginho, camisa 8 e Lúcio Maranhão, camisa 9 do ASA e o Luciano, camisa 2 do CEO.

O jogo começou com cara de que ia ser bom: logo nos primeiro minutos Danilo Bahia, que substituía o craque Didira, abriu o placar e fez o primeiro gol do campeonato. A partir daí, o ASA começou a cozinhar o jogo que ficou truncado. O ASA não fazia a bola fluir e não chutava em gol. O CEO jogava fechado, explorando contra-ataque.

A torcida não poupava ninguém: jogadores do ASA e do CEO e principalmente o técnico Leocir Dall’Astra. Xingamentos como Febre do Rato e seus derivados (Filho da Febre de Rato, Filho da Doença da Febre do Rato) eram bastante comum. As provocações mais comuns ao adversário são “volta pra fazenda”, “jogador de sítio” ou “isso aqui é gramado de Série B e não aquele chiqueiro onde vocês jogam”, garantiram nossos momentos de alegria no estádio.

Acabou o primeiro tempo.

Lúcio Maranhão, dando jóinha pra torcida!
No começo do segundo tempo, o que parecia difícil de acontecer – diante a fragilidade do CEO – ocorreu: gol de empate do CEO, marcado por Danilo Souza. Torcida é tudo muito parecido e a pressão no time só aumentou. Contudo, aos 15 minutos da etapa final, Lúcio Maranhão, o excelente camisa 9 do ASA, passou a régua e de cabeça e deu números finais ao placar.

O restante do segundo tempo foi muito bom e bastante corrido. Chances para os dois lados, mas o jogo acabou mesmo 2 X 1 para o ASA.

O que mais me surpreendeu, foi saber que existia um jogador nigeriano no banco de reservas do ASA, chamado Alamir e que entrou no segundo tempo. Foi uma contratação bastante alardeada na cidade, mas o jogador era muito fraco e os torcedores ficaram decepcionados.

No mais, voltei com a impressão de que logo o Jorginho e o Lúcio Maranhão estariam na mira de algum clube grande. Excelente jogadores: um volante bastante participativo e um centroavante bom de bola. Já o lateral-direito Luciano não foi tão bem quanto eu imaginava.

Na volta, paramos num lugar denominado Sandubaria Escritório, onde fazem lanches sensacionais. Em homenagem ao jogo, encarei um glorioso ASA Gigante, uma espécie de X-Tudo reforçado, o qual eu recomendo muito.

FICHA TÉCNICA
ASA 2 x 1 CEO
Árbitro: Charles Hebert Cavalcante
Auxiliares: Pedro Jorge Santos de Araújo e Benílson dos Santos Silva


ASA: Zandoná, Chiquinho Alagoano, André Nunes, Edson Veneno e Vitinha; Cal, Jorginho, Valdívia(Henri) e Danilo Bahia (Marcelo Costa); Lúcio Maranhão e Tiago (Alamir).
Técnico: Leocir Dall’astra

CEO: Humberto, Luciano, Humberto Recife, Ítalo e Júlio Tatu; Miranda, Danilo Souza (Jesiel), Alex (Léo) e Pitolo; Deizinho (Buiu) e Neto Bala.
Técnico: Alisson Dantas

Cartões Amarelos: Jorginho e Alamir(ASA); Ítalo(CEO)
Gols: Danilo Bahia 1min 1T e Lúcio Maranhão 15min 2ºT(ASA) Danilo Souza 5min 2ºT(CEO)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

"O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball)" x Estatísticas no futebol

Assim como as críticas de filme começam praticamente todas com um "cabeçalho", começarei nesse modelo por aqui também:


"O Homem que Mudou o Jogo", título original "Moneyball", é um filme estadunidense de 2011, estrelado por Brad Pitt, no papel de Billy Beane, gerente do  Oakland A's na temporada de 2002. Beane tem que montar um time competitivo, à revelia de um orçamento que chega a ser 1/3 do das grandes equipes da liga.
Muito bem, a história é essa. Mas qual esporte é o dos A's? Beisebol.
A pergunta de 1 milhão de dólares então seria: E o que um filme que fala sobre beisebol faz num blog dedicado a "História, Futebol e Futilidades"? A resposta se resume a uma palavra: Estatísticas.
As estatísticas são utilizadas na hora de selecionar os jogadores para o time levando em conta estritamente a sua função e posição no campo de jogo. Não entendo lhufas de beisebol, mas a ideia é bem interessante: um jogador que tem em sua função apenas rebater a bola, precisa saber lançar ou receber? A resposta, segundo Peter Brand (Jonah Hill), o coadjuvante do filme, é não. Um rebatedor que tem bom aproveitamento em rebatidas que resultam em pontos é um jogador a ser contratado; por eventualmente não conseguir grande desempenho em lançamentos ou algo do tipo, esse jogador então seria barato, já que o pensamento até então seria o de que os jogadores a contratar seriam aqueles mais "completos".
Após muita resistência e percalços, com essa filosofia a dupla Beane/Brand consegue 20 vitórias consecutivas, um recorde na liga americana. Ao final da temporada, Beane recebe uma proposta do Boston Red Sox, o que o tornaria o gerente mais bem pago da história. Ele recusa a oferta, permanecendo em Oakland, e dois anos depois, baseando-se nas idéias de Brand e Beane, o Red Sox é campeão.

Para além da qualidade fílmica (fotografia, roteiro, atores e etc), o filme traz uma questão bastante interessante que talvez possa ser extrapolada ao futebol, por exemplo. Todos querem ter Messi, Cristiano Ronaldo e Iniesta em seus times, porém, ter esse tipo de jogador é muito caro. A saída então para os times com menos recursos poderia ser encontrada na análise das características dos jogadores de forma absolutamente racional? Para mim, sim.
Quais as qualidades do volante Ralf, do Corinthians? Desarme e marcação. Qual função ele desempenha em campo? Primeiro volante, que requer "desarme e marcação". Assim como Pierre, ex-Palmeiras, atual Atlético-MG, Ralf não possui boas habilidades de passe ou drible; porém, se observarmos sua função em campo, essas qualidades não são requeridas, do mesmo modo que Iniesta não precisar saber dar botes ou Cristiano Ronaldo tirar bolas de cabeça em sua área. Por mais que pareça algo óbvio, nem sempre essa observação é feita, o que resulta em contratações desastrosas, como por exemplo, Daniel Carvalho pelo Palmeiras. Daniel não é péssimo em nada, apenas no peso. Como um meia que tem a responsabilidade de organizar o jogo e puxar o time pode não ser ágil?

Assim como no filme, apenas estatísticas não bastam nas horas de decisão. Por outro lado, apenas o individual também não. O conceito de equipe coesa, com funções e obrigações bem definidas é colocado no filme como sendo a chave do sucesso do A's. Se observarmos a Inter de Milão 09/10 com Mourinho, o Brasil 94/02 e o Corinthians 11/12, o conceito de equipe está bem claro. Nessas equipes, quando muito existiam 2 craques que desequilibravam as partidas: Sneijder e Etoo; Bebeto e Romário; Ronaldo e Rivaldo; Emerson e Paulinho. O resto do time ficava longe de ser constituído de craques. Em alguns casos encontramos até jogadores que fora daquele contexto, não seriam nem titulares.

Supertimes dão certo? Sem dúvidas. Os "galácticos" do Real Madrid (01 - 07, 09 - ), provam isso. Contudo, não parece que será possível contratar um Zidane, Ronaldo, Figo e Beckham por 200 milhões de euros em um contexto em que a UEFA vem com o "Fair Play financeiro". Não obstante, dirigentes vivem reclamando que não dá para montar uma equipe competitiva para a disputa do campeonato brasileiro sendo que a receita de seu time é em alguns casos 20% da dos times de ponta. Como resolver?

Além de acessar o futhistfut.blogspot.com, acho que os dirigentes deveriam assistir ao "Moneyball" acompanhados de leituras sobre "Periodização Tática", também já comentada no citado blog...

sábado, 8 de setembro de 2012

O amor não tem distância


Hoje trazemos um prisma diferente do futebol. Acreditamos realmente que a torcida pode influenciar no resultado do jogo, seja incentivando ou até mesmo vaiando e criticando. Tivemos o exemplo de Palmeiras x Sport essa semana, com vídeos motivadores, ingressos mais baratos por parte da diretoria, para incentivar o time alviverde na luta para sair da zona de descenso. O resultado foi positivo com mais de 30 mil pagantes no Pacaembu e o Palmeiras vencendo o jogo por 3x1.

Mas e quem mora longe do seu time de coração e não pode acompanhar os jogos ao vivo no estádio? Para ilustrar essa ligação entre o time e a torcida um depoimento de uma torcedora do Vasco, leitora do nosso blog, Mariana Rezende:

"Quando se ama o futebol não há barreiras para o torcedor, mas é certo que a distância tira um pouco o brilho do momento caloroso e único que é estar em um estádio.

Nasci em uma cidade do interior do Goiás, e isso nunca me impediu de torcer pelo Clube de Regatas Vasco da Gama. A paixão me foi passada de família, pela minha avó, torcedora fanática desde 1945.

Mesmo o futebol goiano não sendo muito forte, minha cidade, apesar de ser pequena, tem um time, a Jataiense, chamada de raposa do sudoeste goiano, que fazia a alegria da arquibancada nos clássicos goianos, e que já teve Borges (atualmente atacante do Cruzeiro) no time, e que hoje, infelizmente, está passando por um mau momento.


Não é que eu não goste ou não apoie os times goianos, eu gosto sim, eu torço sim, espero que eles se recuperem da má fase atual, e espero frequentar mais vezes os estádios goianos, mas minha paixão pelo Vasco foi algo muito natural, e que me inspirou a amar esse esporte ainda mais.

Tive a oportunidade de assistir jogos do Vasco em Goiânia, contra o Goiás (quando ainda fazia parte da série A) e mais recentemente contra o Atlético-GO. Hoje faço faculdade em Minas Gerais, e toda oportunidade que tenho de assistir aos jogos do Cruzeiro ou Galo contra o meu time (ou não) eu vou.


Esse ano na primeira rodada do Brasileirão, no jogo: Cruzeiro x Atlético-GO, em Minas Gerais, senti o que era estar no meio da torcida organizada, junto com a Máfia Azul. Foi algo extraordinário. Não existe nada tão forte quanto o futebol para unir tantas pessoas em um só coro, um só grito, e uma só paixão, como esse esporte.

É verdade que não sei o que é um jogo em casa, com a minha torcida, e estar na torcida adversária, fora de casa nunca é fácil, tem que ter sangue frio para aguentar a pressão, mas isso não me faz acompanhar ou torcer menos pelo Vasco do que um carioca, pelo contrário. Acho importante ir ao estádio, torcer, apoiar, vibrar junto com o time, mas essa paixão, essa alegria, tem que ser pelo time que realmente gostamos, e não pelo que moramos mais perto do estádio.

O meu grito de gol não é diferente do grito de um carioca, minhas lágrimas não são menos verdadeiras do que a de um carioca, e minha satisfação em vestir a camisa cruzmaltina não é menor que a de um carioca. Torcedor é torcedor. Independente do Estado onde mora e do time que ama".

terça-feira, 3 de abril de 2012

Futebol pelo mundo* – Rio Grande do Sul


Sempre gostei muito de assistir futebol no estádio, mas confesso que ultimamente isso tem sido algo raro na minha vida. Não porque desgostei do futebol ou de vê-lo in loco, mas, sobretudo pelos altos preços do ingresso que inviabilizam a ida de pessoas ao estádio, que como eu, não tem uma remuneração muito alta, que pode permitir pagar trinta ou quarenta reais em um ingresso (sem contar transporte, alimentação e outras besteiras que você sempre acaba gastando).

Entretanto, resolvi que sempre que viajar para algum lugar fora de São Paulo e passar um tempo suficiente, irei assistir a um jogo local, nem que seja de várzea e/ou categorias de base. Minha primeira aventura se deu a pouco menos um ano atrás, no dia 27 de julho de 2011. Fui passar um período de férias com minha namorada no Rio Grande do Sul, na casa dos pais de meu grande amigo Gustavo Dhein, todos gremistas doentes. Disse a ele, que uma de suas missões seria me levar para assistir um jogo no estádio Olímpico Monumental.

Estávamos em Porto Alegre, uma noite fria (mas nem tanto), e lá fomos nós: Sika, Gustavo, seo Rivaldo (pai do Gustavo) e eu rumo ao Olímpico. Eles moram próximo ao estádio, então fomos caminhando, se “encontrando” com outros torcedores pelas ruas e começando a sentir aquele clima que só quem vai a estádios sabe qual é. Como era um jogo de meio de semana, as 19h30, o movimento não era dos maiores, mas grande para um jogo de meio de semana as 19h30.

Compramos os ingressos para o anel inferior, entramos. O primeiro impacto foi bem positivo: apesar de não haver cadeiras, as arquibancadas de cimento conferem certo romantismo ao estádio; o campo bem próximo e uma vista excelente de todo ele. Foi engraçado perceber que mesmo em jogo contra um time de menor expressão (América-MG) o clima do jogo é completamente diferente do daqui: muitas famílias, crianças e grupos de “gurias” vão ao jogo, pois a atmosfera é bem diferente da de São Paulo: o clima não é tenso. Foi engraçado notar que as mulheres no sul são muito engajadas com o futebol; não que aqui na haja mulheres engajadas, mas lá o lance é diferente e não sei bem como explicar.

O Olímpico estava vazio até quinze minutos antes do jogo. De uma hora para outra, sem mais nem menos, as arquibancadas começaram a encher. O jogo começa e noto que a torcida gremista é bastante vibrante e a Alma Castelhana canta e toca o jogo inteiro, inclusive nos intervalos.

O Grêmio jogou pessimamente e levou o primeiro gol numa falha do bom goleiro Victor que completava 200 jogos com a camisa gremista. Gol de Willian Rocha aos 15 minutos do primeiro tempo. O jogo foi arrastado até os 15 do segundo tempo, quando Miralles empatou a partida, e mesmo com sua expulsão aos 26 minutos, o Grêmio sufocou o adversário até o fim e quase virou após o jovem atacante Leandro perder um gol inacreditável. Fim da partida, Grêmio 1 X 1 América-MG.

É engraçado como uma partida vista do estádio muda sua opinião em relação a alguns jogadores. Eu não gostava do Fábio Rochemback e do Gilberto Silva e percebi que são baitas jogadores: o primeiro é o sujeito que empurrava o time para frente, um verdadeiro motor; o segundo é um baita de um marcador e dificilmente perde uma jogada. Sobre o América, tive ao menos a possibilidade de xingar aos montes o Fábio Junior e o delegado Antônio Lopes. E mais: tive a possibilidade de assistir um jogo de futebol no Olímpico Monumental que vai ser demolido ano que vem. É uma pena, pois é um templo sagrado do futebol brasileiro, onde inclusive, foi palco de uma imensa alegria quando o Timão foi campeão, pela primeira vez, da Copa do Brasil em 1995 e também de uma das maiores tristezas que o futebol me proporcionou: o rebaixamento em 2007.

Futebol a parte, quando for ao sul, recomendo três experiências gastronômicas: o clássico café colonial em qualquer restaurante de beira de estrada; a pizza de coração de frango; e por fim e não menos importante, o X-Gordo ou X-Trator em qualquer lanchonete de Porto Alegre. Para acompanhar, uma Polar bem gelada ou um algum bom vinho seco gaúcho.

Ficha Técnica do jogo:

Campeonato Brasileiro 2011 - 12ª rodada
27/julho/2011
Grêmio 1 x América - MG 1
Local:
Olímpico Monumental, Porto Alegre (RS)
Árbitro: Péricles Cortez (RJ)
Público: 15.033
Renda: R$ 210.249,50
Gols: Willian Rocha 15 do 1º; Miralles 15 do 2º
Cartão amarelo: André Lima, Carleto, Amaral, Dudu, Caleb, Fábio Júnior e China
Expulsão: Miralles 26 do 2º
GRÊMIO: Victor, Saimon, Mário Fernandes, Rafael Marques e Lúcio; Gilberto Silva, Fábio Rochemback, Escudero (Marquinhos, 18 do 2º) e Douglas (Leandro, 11 do 2º); Miralles e André Lima. Técnico: Julinho Camargo
AMÉRICA/MG: Neneca, Willian Rocha, Micão e Amaral; Marcos Rocha, Dudu (Eliandro, 35 do 2º), China, Caleb (Rodriguinho, 20 do 2º) e Carleto (Gabriel, 13 do 2º); Léo e Fábio Júnior. Técnico: Antônio Lopes

* Esta é uma seção em que vou falar das minhas experiências futebolísticas em outras cidades e estados do Brasil, e quem sabe em outros países, em um futuro não muito distante.