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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Andrés Sanches: O Bom, o Mau e o Feio


















Andrés Sanches pode ser enquadrado como sendo ao mesmo tempo os três personagens do clássico filme de Sergio Leone, "O Bom, o Mau e o Feio". Visto como "o Bom" por considerável parte da torcida do Corinthians; como "o Mau" por considerável parte dos torcedores adversários e, last but not least, "o Feio", tanto por sua figura do ponto de vista estético quanto por sua atuação em recentes casos, como o do "Clube dos 13", "CBF" e, mais recentemente, na reunião com Romário e Chilavert sobre o futebol sulamericano.

O Bom

Como já adiantado, Andrés é tido por considerável parte da torcida corinthiana como um grande, alguma parte o considera o maior, presidente do Corinthians. Além do "sonho da casa própria" realizado, Andrés de fato ajustou as contas do clube, agregou um novo significado e magnitude à marca Corinthians, foi responsável pela concretização dos planos de um CT moderno, o que os rivais já possuíam há boas décadas, enfim, uma série de realizações.
Ainda que muitos adeptos, e muitos adversários, consigam perceber que Andrés não é um personagem dos faroestes, maniqueísta, sua figura em muitas discussões toma forma de Deus pelos partidários e de Diabo pelos opositores. Em qualquer dos lados, o que ocorre é um pré conceito na avaliação de sua atuação como dirigente.

O Mau

Em estatísticas não oficiais, quer dizer, no puro achismo, 9 entre 10 torcedores rivais não "vão com a cara" de Andrés Sanches. Parte dessa "birra" pode se dever ao fato do status que o presidente corinthiano alçou o time de Parque São Jorge. Outra parte dessa visão dos torcedores dos demais clubes pode ser também uma reação ao modo como o ex presidente é tratado pelos torcedores alvinegros e pelo modo mais informal com que Andrés exerceu a presidência. Não me lembro de caso parecido com algum presidente de qualquer clube do mundo com aquele jogo em que Andrés assistiu junto da torcida, na arquibancada, lugar avesso ao conforto das tribunas ao qual estamos todos acostumados a ver os presidentes. Afora todo o exposto, Andrés sempre "brigou" pelos interesses do Corinthians. Quando saliento isso, quero explicitar o fato de que se a gestão encontrava algum entrave aos seus interesses gerado por algum clube, Andrés simplesmente optou pelo Corinthians em vez das soluções políticas. Caso exemplar foi o de não mais jogar alugando o estádio do Morumbi.

O Feio

Recentemente diversas reuniões "em prol do futebol como um todo" têm sido feitas. O movimento de jogadores "Bom Senso FC" em relação ao calendário vêm de uma tendência que, bem ou mal, podemos tomar como ponto a dissolução do "Clube dos 13". O monopólio do repasse dos direitos de transmissão exercido pelo "Clube dos 13" mostrava-se, no mínimo, improdutivo do ponto de vista econômico, já que as cifras no primeiro contrato negociado individualmente cresceram para todos os clubes.
A atuação de Andrés pós Corinthians, na CBF, se mostrou bastante conturbada em relação ao caso Mano Meneses. A aparente estreita relação com Ricardo Teixeira também deixava Andrés aos olhos da opinião pública como mais um vilão do futebol, já que Teixeira e sua atuação como presidente têm sido questionada há um bom tempo do ponto de vista ético. A mudança de presidente da instituição e a demissão de Mano, o técnico de Andrés, colocou anches em uma posição insustentável. A demissão era o único caminho.
O vulto de Andrés voltou a se manifestar no começo de setembro. Uma reunião para discutir o futebol sulamericano, criticado desde os tempos à frente do Corinthians, foi realizada no Parque São Jorge com as presenças mais repercutidas do deputado Romário, notabilizado no cargo com processos relativos à CBF, e Chilavert e Maradona. Os rumos ou os porquês da reunião ainda permanecem nas versões oficiais, que não cabem ser discutidas aqui graças às matérias presentes nos maiores sites de comunicação que podem facilmente ser acessadas. Porém, apenas pela presença de Andrés na reunião já foram ouvidos burburinhos em relação a esses rumos e porquês...


O objetivo deste post, autoral em seu conteúdo, não é de forma alguma encerrar ou "dar números finais à partida", mas sim oferecer um panorama do que posso perceber nessa questão. Creio que nos dois extremos das opiniões esse post não representará grande coisa. Porém, para aqueles que se colocam em posição de pensar sobre o futebol de forma mais "científica" esse post pode trazer argumentos e certa bagagem para continuarmos essa discussão que ainda está bem longe de terminar.

(Post publicado simultaneamente em http://ehtudohistoria.blogspot.com.br/)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

"O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball)" x Estatísticas no futebol

Assim como as críticas de filme começam praticamente todas com um "cabeçalho", começarei nesse modelo por aqui também:


"O Homem que Mudou o Jogo", título original "Moneyball", é um filme estadunidense de 2011, estrelado por Brad Pitt, no papel de Billy Beane, gerente do  Oakland A's na temporada de 2002. Beane tem que montar um time competitivo, à revelia de um orçamento que chega a ser 1/3 do das grandes equipes da liga.
Muito bem, a história é essa. Mas qual esporte é o dos A's? Beisebol.
A pergunta de 1 milhão de dólares então seria: E o que um filme que fala sobre beisebol faz num blog dedicado a "História, Futebol e Futilidades"? A resposta se resume a uma palavra: Estatísticas.
As estatísticas são utilizadas na hora de selecionar os jogadores para o time levando em conta estritamente a sua função e posição no campo de jogo. Não entendo lhufas de beisebol, mas a ideia é bem interessante: um jogador que tem em sua função apenas rebater a bola, precisa saber lançar ou receber? A resposta, segundo Peter Brand (Jonah Hill), o coadjuvante do filme, é não. Um rebatedor que tem bom aproveitamento em rebatidas que resultam em pontos é um jogador a ser contratado; por eventualmente não conseguir grande desempenho em lançamentos ou algo do tipo, esse jogador então seria barato, já que o pensamento até então seria o de que os jogadores a contratar seriam aqueles mais "completos".
Após muita resistência e percalços, com essa filosofia a dupla Beane/Brand consegue 20 vitórias consecutivas, um recorde na liga americana. Ao final da temporada, Beane recebe uma proposta do Boston Red Sox, o que o tornaria o gerente mais bem pago da história. Ele recusa a oferta, permanecendo em Oakland, e dois anos depois, baseando-se nas idéias de Brand e Beane, o Red Sox é campeão.

Para além da qualidade fílmica (fotografia, roteiro, atores e etc), o filme traz uma questão bastante interessante que talvez possa ser extrapolada ao futebol, por exemplo. Todos querem ter Messi, Cristiano Ronaldo e Iniesta em seus times, porém, ter esse tipo de jogador é muito caro. A saída então para os times com menos recursos poderia ser encontrada na análise das características dos jogadores de forma absolutamente racional? Para mim, sim.
Quais as qualidades do volante Ralf, do Corinthians? Desarme e marcação. Qual função ele desempenha em campo? Primeiro volante, que requer "desarme e marcação". Assim como Pierre, ex-Palmeiras, atual Atlético-MG, Ralf não possui boas habilidades de passe ou drible; porém, se observarmos sua função em campo, essas qualidades não são requeridas, do mesmo modo que Iniesta não precisar saber dar botes ou Cristiano Ronaldo tirar bolas de cabeça em sua área. Por mais que pareça algo óbvio, nem sempre essa observação é feita, o que resulta em contratações desastrosas, como por exemplo, Daniel Carvalho pelo Palmeiras. Daniel não é péssimo em nada, apenas no peso. Como um meia que tem a responsabilidade de organizar o jogo e puxar o time pode não ser ágil?

Assim como no filme, apenas estatísticas não bastam nas horas de decisão. Por outro lado, apenas o individual também não. O conceito de equipe coesa, com funções e obrigações bem definidas é colocado no filme como sendo a chave do sucesso do A's. Se observarmos a Inter de Milão 09/10 com Mourinho, o Brasil 94/02 e o Corinthians 11/12, o conceito de equipe está bem claro. Nessas equipes, quando muito existiam 2 craques que desequilibravam as partidas: Sneijder e Etoo; Bebeto e Romário; Ronaldo e Rivaldo; Emerson e Paulinho. O resto do time ficava longe de ser constituído de craques. Em alguns casos encontramos até jogadores que fora daquele contexto, não seriam nem titulares.

Supertimes dão certo? Sem dúvidas. Os "galácticos" do Real Madrid (01 - 07, 09 - ), provam isso. Contudo, não parece que será possível contratar um Zidane, Ronaldo, Figo e Beckham por 200 milhões de euros em um contexto em que a UEFA vem com o "Fair Play financeiro". Não obstante, dirigentes vivem reclamando que não dá para montar uma equipe competitiva para a disputa do campeonato brasileiro sendo que a receita de seu time é em alguns casos 20% da dos times de ponta. Como resolver?

Além de acessar o futhistfut.blogspot.com, acho que os dirigentes deveriam assistir ao "Moneyball" acompanhados de leituras sobre "Periodização Tática", também já comentada no citado blog...

sábado, 18 de agosto de 2012

A Crise Econômica e o Futebol


As crises econômicas são inevitáveis ao sistema capitalista, disse Karl Marx.

O mundo vem assistindo a uma grande crise econômica durante os últimos cinco anos. Tudo começou com a quebra do Lehman Brothers, tradicional banco de investimentos norte-americano, que desencadeou uma série de quebras de outras instituições financeiras. A crise não se restringiu apenas ao sistema econômico dos Estados Unidos: o efeito sistêmico ocorrido atingiu todo o mercado financeiro mundial e em poucas semanas começou a atingir a Europa e o primeiro “sintoma” foi à estatização de um dos maiores bancos islandeses.

Os países europeus – principalmente os da Zona do Euro – criaram pacotes na tentativa de evitar o colapso de seus sistemas financeiros. No entanto, nenhuma política econômica foi eficiente e em 2011 a crise se instalou de vez na Europa, pois faltou justamente uma melhor gestão política da União Européia em gerir os endividamentos públicos de países como Portugal, Espanha, Itália, Irlanda e em maior gravidade na Grécia.

O resultado disso foi fuga de capital, falta de crédito, aumento de desemprego, queda do PIB e a possibilidade de uma recessão econômica de escala mundial.

E o que isso tem haver com Futebol?

O post originou-se de uma indagação do comentarista esportivo da ESPN Paulo Vinícius Coelho, o PVC, que diante da negociação do jovem zagueiro Marquinhos do Corinthians para o Roma questionava se valeria a pena para um jogador de futebol trocar o Brasil para ir para um país afundado na (talvez) maior crise econômica de todos os tempos.

O argumento do garoto é que no Corinthians ele é a quinta opção e tem poucas chances de jogar, ao contrário do time italiano que só possui dois zagueiros – Burdisso e Leandro Castán – e suas chances de atuar são maiores.

No entanto, ele atuará em uma liga que não é mais tão forte como já fora um dia, em uma equipe tradicional, mas que, entretanto não tem muitas pretensões para a temporada. O Roma também vive uma época de vacas magras, de elenco enxuto e sem muito dinheiro para grandes investimentos. É o reflexo da crise do sistema capitalista no futebol profissional.

Na verdade, a maioria dos times europeus vive num período de pouco dinheiro em caixa. Até os poderosos e gastões espanhóis Barcelona e Real Madrid apertaram os cintos, mesmo levando em conta os quase 40 milhões de euros pagos pelo meia Modric, pelo time madrileno: uma temporada de poucas contratações, perante a gastação desenfreada de outrora.

Tirando exceções como o PSG, que contam com investimentos vindos do Oriente Médio e/ou dos magnatas russos, os times europeus tem procurado uma política de contratação moderada.

É engraçado perceber que nos dias atuais, as jovens promessas preferem ir para ligas menos importantes ou times que não disputam títulos no exterior para poder jogar. Nas décadas de 1980 e 1990, as jovens promessas eram emprestadas aos times do interior para jogar e adquirir experiência. Voltavam amadurecidos e logo viravam titulares, como o caso do Viola e do Casagrande que jogaram no São José e no Caldense respectivamente, assim que viraram profissionais.

Hoje o Marquinhos vai ganhar experiência no Roma. E os times europeus vêm atrás de jogadores com 18 anos, reservas nos times brasileiros, para reforçarem seus elencos.

Parece contra-senso...

Eu se fosse jogador e tivesse 18 anos, preferiria ficar no Brasil. Os salários são bons – equiparados aos da Europa – sendo o custo de vida relativamente baixo, perto das principais cidades européias. A estrutura de boa parte dos clubes brasileiros, sobretudo os de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul são tão boas (ou melhores) que da maioria dos clubes europeus.

Se quisesse ter chance de atuar, pediria para ser emprestado para algum time de menor expressão, que dispute a Série B do Brasileiro. Atuaria por esse clube por uma ou duas temporadas, ganharia experiência e amadureceria disputando um campeonato complicado e voltaria para brigar por posição no meu time formador. Iria para Europa apenas se fosse para atuar num grande clube, com condições de ganhar a Champions League.

Entre ter oportunidade de jogar num grande clube Brasileiro como o Corinthians ou ir atuar na quinta ou sexta força do Calcio, é melhor ficar no Brasil e ter chances de ser campeão brasileiro ou sulamericano.

Infelizmente hoje os jogadores são alienados e fazem aquilo que seu staff quer. Não tem opinião própria, a compram de seus empresários e vão se esconder na Rússia ou na Ucrânia. Largam a possibilidade de jogar nos maiores clubes do Brasil para disputar posição em times médios da Europa, enquanto muitos fazem o caminho inverso.

A crise não é só financeira. É de personalidade...