sexta-feira, 12 de julho de 2013

Futebol pelo Mundo – São Thomé das Letras



Foram três dias intensos de heavy metal em Varginha. Festival Roça’n Roll, acontecendo na fazenda Estrela.

De lá íamos esticar nossa viagem até São Thomé das Letras, fazer umas trilhas, ver umas cachoeiras, tomar umas cachaças.

Tudo começou com o fim do último dia de evento do festival. Desmontamos acampamento, colocamos as mochilas nas costas e rumamos para pegar o ônibus que nos levaria até a cidade.

Uma caminhada até a rodoviária, um lanche e uma dormida das 3h30 da madrugada até as 6h da manhã, já que o ônibus que ia para Três Corações sairia meia hora depois. Parada na cidade que o Pelé nasceu e pegamos outro ônibus até São Thomé.

Chegamos na cidade por volta das 9h da manhã, encontramos o camping, montamos acampamento e demos uma boa descansada.

Depois do descanso, o mercado. Compramos os suprimentos e na volta para o camping, um carro de som anunciava: “É hoje, às 14h, o jogo entre o São Thomé Esporte Clube e Sociedade Esportiva Juventus de São Bento Abade, no Arizão. Prestigiem!”

Na mesma hora, Gustavo e eu nos olhamos e dissemos: “vamos ver esse jogo”.

Vista do lado interno do Arizão
Almoçamos, pegamos a máquina fotográfica e lá fomos nós para o Arizão.

Chegamos às 14h em ponto. E tudo muito vazio, muito tranquilo. Começaram a chegar os primeiros torcedores e descobrimos, que na verdade, o jogo seria às 15h. Resolvemos que iríamos tomar uma cerveja.

Nesse ínterim surge o torcedor-símbolo do São Thomé, o Zé Carlos: já entra embriagado, tumultuando e dizendo que ia tocar o terror no bandeirinha. Também sentou um senhor do nosso lado. Começou a contar história da época em que jogou e também treinou o time da cidade. Que jogavam num campo de pedregulhos, com barranco para todos os lados do campo.

Eis que surge o time da casa. 14h45 e nada do time adversário. Passam-se uns dez minutos e o time de São Bento chega, junto com sua torcida barulhenta. Ficamos sabendo que a viagem atrasou porque o motorista do ônibus, que trouxe o time e a torcida, atropelou um motoqueiro no caminho.

A torcida adversária interrompeu o nosso papo com o senhor, que estava interessante.

14h55 entra o goleiro adversário para se aquecer e junto com ele o trio de arbitragem. Uma enrolação sem fim e a gente a fim de mais uma cerveja.

Ambos os times em campo, saúdam a torcida e mais demora. Por fim, o jogo começa com uns 20 minutos de atraso.

São Thomé Esporte Clube
Grudamos no alambrado e começamos a conversar sobre quem seriam os destaques. Gustavo apostou no camisa 7 do time de São Thomé, dizendo que parecia o líder do time e também pelos passes no aquecimento. Eu apostei no camisa 9, que tinha jeito de fazedor de gol. Do time de São Bento, quem chamou a atenção foi um sósia do Ronaldinho Gaúcho.

Só um parêntese: é incrível que quase em toda pelada que participo ou assisto tem um sósia do R10. Em Alagoas foi assim, por exemplo...

Jogo começa e vai amarrado até o fim do primeiro tempo. A única coisa que salvava era o volante do time de São Thomé: sujeito franzino e com perfil de veterano que não perdia uma bola dividida e antecipava a marcação como poucos que eu vi. Usava a camisa 17.

Mas o jogo continuava tão ruim que o bandeirinha que estava do nosso lado, virou para gente e disse: “esse jogo está ruim demais, parece que os dois times estão com medo de perder”. Assim, sem o mínimo de decoro mesmo. E para seu azar ainda teve que escutar o Zé Carlos dizendo que ia arrancar a orelha dele, arrancar o carrapato que supostamente estaria preso na orelha dele com o dente, para finalizar com “o bandeirinha, não fica triste não”.

Fim do primeiro tempo e um pulo ao mercado para comprar mais uma cerveja.

Começa o segundo tempo mais agitado. O goleiro de São Thomé não segurava uma bola e assustava a torcida. Mas aí que os craques de São Thomé resolveram a partida: primeiro o camisa 7 num bate e rebate na área do Juventus; e o segundo do camisa 9, gol de centroavante, entrando por trás da zaga e fuzilando o goleiro, mesmo depois de um escorregão.

Infelizmente as intempéries climáticas não permitiram que assistíssemos ao jogo até o fim. Uma chuva colossal se aproximava e preocupados com a possibilidade de um dilúvio destruir nossas barracas, voltamos ao camping para montá-las num local mais protegido.

Assim terminou uma das experiências mais engraçadas da minha vida, no que diz respeito ao futebol.

Se o jogo não primou pela qualidade técnica, garantiu diversão através do Zé Carlos e dos torcedores que apelidaram o juiz de “bunda baixa”. Fora a bateria menos animada que eu já vi e os gritos de guerra que a gente usava no primário.

Não é só pelos cinco títulos mundiais com a seleção. Não é só pelo domínio dos clubes brasileiros nos campeonatos continentais. Não é só pelo Pelé, Romário, Ronaldo, Ronaldinho e outros gênios dentro de campo (as vezes não tão gênios fora deles).No fim das contas, é vendo que existe futebol e campeonatos amadores em lugares tão ermos e pequenos como São Thomé e São Bento é que faz sentido a afirmação: “Brasil, a pátria de chuteiras”.

Ficamos devendo a ficha técnica. Nesse caso, nem a internet pode nos salvar.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Acervo de Camisas do Futebol, História e Futilidades - Parte I

Por Sousa e Martins

Ter uma camisa do seu time de coração não é tão simples quanto se parece, até porque os preços de venda são cada vez maiores. Porém, mais do que o preço que tem a camisa, é o valor que ela representa. Esse sim é inestimável e torna a camisa o nosso manto sagrado.

A camisa faz parte do uniforme, ou seja, que tem a mesma forma, idêntico, fazendo do torcedor parte integrante do time, principalmente no estádio. Mas quem não tem camisa não é torcedor? É sim mas, convenhamos, que usar a camisa do clube nos faz realmente crer que somos parte daquilo tudo, é algo que mexe com nosso imaginário.

A minha primeira camisa do Palmeiras só veio em 2007. Presente de um tio, era a número 7 que Edmundo usou na sua segunda passagem pelo clube. Foi a primeira de muitas, de lá, sempre que posso compro uma para ampliar a pequena coleção que tenho, com algumas comemorativas, como a do primeiro jogo que fui, em 1987, a do goleiro Leão e uma do Palestra Italia. Enfim, se as camisas são nossas segundas peles, nada melhor do que ver várias delas...

Todos nós procuramos nos encaixar em algum grupo desde a infância. A noção de pertencimento é tão remota quanto à própria civilização humana. Ser corintiano é o que melhor me define. Sinto-me parte de um todo, de um grupo social que mesmo bastante heterogêneo compactua da mesma convicção: o amor incondicional pelo Corinthians.

Mas vou além. Faço parte de um grupo ainda maior. Do grupo que gosta de futebol acima de tudo. E meu acervo de camisas se baseia acima de tudo em futebol...e mais um pouco. Não vou ser hipócrita; por mais que eu goste de futebol, jamais compraria a camisa de um rival de São Paulo. Palmeiras, São Paulo e Santos: JAMAIS!!!

Na verdade, como bem lembrou o Sousa, até do Corinthians eu tendo a não comprar. Afinal os preços das camisas oficiais são exorbitantes e me recuso a pagar um preço tão alto, por mais que eu ache os uniformes 1 e 2 desse ano sensacionais. Meu acervo do Corinthians é na maioria de camisas ganhas, exceto a de 1997 – período em que Túlio Maravilha vestiu o manto – a de 2003 com patrocínio da Pepsi e a réplica da camisa de 1910, que fora minha última aquisição.

Fora isso, tenho três que considero relíquias:

- Autografada de 1987, contendo assinaturas de Ronaldo Giovanelli, Biro Biro, Wilson Mano, Eduardo Amorim (para ficar nos mais importantes).

- Autografada de número 9 (do Nilson) de 1994, contendo assinaturas de Ronaldo Giovanelli, Souza, Fabinho, Marques e do zagueiro Gralak.

- Autografada de número 10 (do Souza) de 1994, contendo assinaturas de Marcelinho, Ezequiel, Zé Elias e do Rivaldo.

Além dessas, tenho um de treino e um agasalho, que embora não seja o oficial, me acompanha nas tardes e noites frias no Pacaembú. Possuo duas réplicas da camisa da Fiorentina – uma preta e branca e outra branca e roxa – em homenagem a primeira camisa que o Dr. Sócrates vestiu na Europa, apesar de não ter tido muito sucesso por lá.

Outras duas, não ligadas a minha memória emocional, são a de torcedor do glorioso ASA de Arapiraca e do Nova Iguaçu. Gosto muito de sair com camisas de times com menos visibilidade. Ando mirando uma do Juventus da Móoca...

Enfim, se existem duas mercadorias que me encantam com seu fetiche são camisas de futebol e livros. Hoje em dia, devido ao trabalho e ao estudo tenho me dedicado mais aos livros. Mas espero um dia que o preço dos artigos esportivos caia ou que aumente o meu poder de compra. Assim posso usufruir de belas camisas de futebol e livros mais belos ainda.