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terça-feira, 16 de junho de 2015

Dezesseis anos depois

Há 16 anos atrás, eu era um garoto de 16 anos que morava longe de São Paulo, cidade que foi o palco daquela final de Libertadores, na noite de 16 de junho. A possibilidade da conquista de um título inédito do meu time era a maior motivação que eu podia ter até então. E, como a maioria das glórias alcançadas, só poderia vir com aquela carga de sofrimento que só os deuses são capazes de enviar.

E o Palmeiras no ardor da partida, tendo perdido a primeira partida por 1x0 para o Deportivo Cali na Colômbia, no saudoso Stadium Palestra Italia, fez 1x0 com Evair, tomou o empate e conseguiu, com Oséas, levar a partida para os pênaltis.

Dali em diante fica difícil lembrar com exatidão dos detalhes da partida. É a hora em que a noção de tempo e espaço se esvai, a realidade perde a forma, o universo inteiro se resume a uma coisa chamada disputa de pênaltis. No gol palmeirense todas as apostas na santidade de Marcos. Marcos era 12. O dia 16. Do outro lado o colombiano Zapata encarregado da última cobrança. Ele partiu para a bola e chutou. Marcos de um lado. Bola pra outro. Pra fora. Pra gritar. Pra morrer e reviver em uma questão de segundo. Pra ser Campeão da Libertadores. Pra 16 anos depois voltar a ser apenas um garoto de 16 anos, num dia 16.


quinta-feira, 9 de abril de 2015

Esquisitão 2015



Quem tem por volta dos 30 anos tem em sua memória o campeonato paulista como um dos mais disputados, fortes e emocionantes de se acompanhar.
Mesmo com a supremacia dos quatro grandes em número de conquistas, as disputas eram mais acirradas, os jogadores mais talentosos e os estádios mais cheios. Até os nomes dos atletas eram mais engraçados.

O objetivo principal era o futebol, pelo menos era essa a visão - ou ilusão - quando criança, e não apenas o lucro, fazendo do esporte pura especulação, como hoje vemos pela atitude de diversos dirigentes, empresários e dos meios de comunicação, principalmente a TV.
Nos últimos anos vemos times de aluguel, baixa qualidade técnica e aumento exorbitante dos ingressos com o surgimentos das novas arenas. Se o futebol é o esporte do povo, que povo é este que consegue pagar 80 reais num ingresso?

Dizem que os tempos mudam e a modernidade um preço. Neste caso, paga-se o distanciamento de grande parte da torcida que não pode arcar com tais gastos. É a gourmetização do futebol.

Além disso, alguém consegue entender este regulamento? O time que luta para avançar às quartas de finais perde e é rebaixado. Time com um único jogador no banco de reservas. Os primeiros colocados com a falsa vantagem de se jogar em casa podem ser eliminados logo de cara porque o jogo não é de mata-mata. É só mata. E mata o torcedor de raiva, de desgosto e ilusão. Porque o futebol, este sim, já morreu há tempos.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Casa nova, velhos problemas

Em 1920, o Palestra Itália, com apenas 6 anos de vida, resolveu comprar o estádio que alugava no Parque Antarctica e construiu, aos poucos,  o estádio que tinha o mesmo nome do time. Em 1930, realizou o primeiro jogo noturno, com um empate em 3x3 com o Juventus. Três anos depois, as arquibancadas de madeira foram substituídas por concreto armado, aumentando a capacidade do estádio, no jogo em que o Palestra venceu o Bangu por 6x0, dando início ao mais moderno estádio de futebol até então, antes da construção do Pacaembu. Na década de 50, as arquibancadas paralelas foram unificadas pela "ferradura", proporcionando um número ainda maior de espectadores e, em 1964, o gramado elevado fez nascer os famosos "Jardins Suspensos de Palestra Itália", inaugurado com uma vitória do Palmeiras sob o Guaratinguetá em 2x0.


O Palestra, nascido na primeira década do século XX, se afasta cada vez mais do Palmeiras que agoniza nas primeiras décadas do século XXI. Uma sucessão de erros de administração culminou em dois rebaixamentos (2002 e 2012) e dois títulos ( Paulista 2008 e Copa do Brasil 2012). E a história de um time é feita através de seus títulos, mas também através de seus fracassos. O Palmeiras coleciona os dois, ainda que os insucessos, infelizmente, insistem em acontecer com maior frequência.

O grande alento do torcedor alviverde é o retorno a sua casa, mais uma vez reformada, agora com status de arena multiuso, o Allianz Parque. Muito por conta da empolgação que tal retorno traria, como de fato aconteceu na noite de ontem, a torcida teve a sensação de que o estádio novo viria com um time novo, mas isso esteve longe de acontecer. Uma atuação pífia de jogadores com a menor condição de fazer parte de um elenco cujo time tem uma história tão vencedora quanto o Palmeiras. A inauguração da nova arena ficou marcada pela derrota de 2x0 para a equipe pernambucana do Sport.


Hoje o torcedor chora. De emoção pelo estádio novo. De apreensão pela ameaça de mais um rebaixamento. De insegurança pelo futuro incerto.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Os 100 Anos da Sociedade Esportiva Palmeiras

É possível falar do time do coração e ser imparcial? Em alguns momentos sim, hoje não é o caso. Hoje é dia que a paixão fala mais alto e forte e é ela quem comanda e cadencia as poucas palavras capazes de serem escritas diante desta tela, quando nem as palavras se bastam com tanta emoção, com tanto amor. Hoje o dia é do Palmeiras!



Os 100 anos são do Palmeiras, do Palestra, do time formado por imigrantes italianos que desejavam ter uma equipe de futebol, pois o esporte já contava com times de outras nacionalidades. Nasceu na Praça da Sé, cresceu na Água Branca e se espalhou pelo país inteiro, pelo mundo todo.



Com esquadrões cada vez mais fortes, o time foi ganhando mais adeptos, o campinho do Parque já não mais comportava tanta gente, veio o Conde, o investimento, o estádio. Stadium Palestra Italia. Mais tarde, as velhas arquibancadas de madeira dariam lugar a um moderno estádio feito em concreto armado, inovador para os padrões da época. Como inovador foi a elevação do campo, evitando assim a danificação do gramado com as recorrentes enchentes do bairro, surgindo os Jardins Suspensos.



Surgem Bianco, Heitor, Romeu, Imparato, Oberdan, Junqueira, Waldemar, Valdir, Leão, Luis, Dudu, Ademir, Nei, César, Velloso, Marcos, Evair, Edmundo, Arce, Alex, Rivaldo, Sampaio e uma constelação de craques que eternizaram o alviverde no patamar das grandes equipes de futebol. Enfrentou a peste e a guerra, envergou o fardamento da seleção brasileira com orgulho e vitória, ostentando a sua fibra.















Logo teremos casa nova. Esperanças renovadas, como o fogo da fênix verde que renasce e dá novas folhas a estas Palmeiras e aos nossos corações. Hoje o dia é do Palmeiras, vida longa ao alviverde imponente!

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Dica de Leitura #10 - Primeiros Passes

O futebol vem sendo, ao longo dos anos, tema de diversas pesquisas acadêmicas, devido sua importância e repercussão, direta ou indireta, na vida de todos nós. Um dos grupos responsáveis por estudar o esporte em vários aspectos é o LUDENS - NÚCLEO INTERDISCIPLINAR DE PESQUISAS SOBRE FUTEBOL E MODALIDADES LÚDICAS, criado na USP em 2010 e com pesquisadores da UNICAMP, UNIFESP, UNESP, além da Universidade de Bristol, Universidade Lusófona de Lisboa e Universidade do Porto e de instituições como o Museu do Futebol.

Juntamente com a Biblioteca Mário de Andrade, sob organização de Wilson Gambeta, foi lançado nesta semana o livro Primeiros Passes: Documentos para a História do Futebol em São Paulo (1897-1918), inaugurando o selo da biblioteca que permite o acesso ao acervo de obras raras lá existente. 

O livro é dividido em quatro partes, com textos de Hans Nobiling (Primórdios e dados históricos da implantação do futebol em São Paulo), Mario Cardim e Luiz Fonseca (Guia de Football), um resumo histórico do Club Athletico Paulistano e finaliza com Antonio Figueiredo mostrando a história do football em São Paulo.

Através dos fac-símiles existentes no livro, o leitor fica mais próximo dos documentos produzidos entre o final do século XIX e começo do XX, período em que o futebol surge e se consolida como preferência, mostrando dados como ficha técnica dos times e o estatuto da Liga Paulista de Football.

É uma obra que possui uma contribuição ímpar a todos os que se interessam pelo tema, com um caráter enriquecedor pelo acesso a uma documentação que tem muito a nos contar e ajudar a entender as dinâmicas socioculturais através do esporte.

terça-feira, 13 de maio de 2014

A mulher e o impedimento



Olá, pessoal que acompanha nosso blog. A vida acadêmica nos impede de escrever mais frequentemente e, também, o futebol se mostra cada vez mais chato que fica difícil até de arrumar um assunto legal pra escrever.

Além da falta de qualidade do espetáculo, o que se vê é banana atirada em campo, vaso sanitário atirado na rua, preconceito, racismo, machismo e intolerância atirados aos quatro ventos. Onde isso vai parar? Daqui a pouco mudaremos o nosso blog para Futebol, História e Bestialidades, porque do jeito que está não dá.

Domingo passado tivemos o caso da auxiliar de arbitragem Fernanda Colombo, no jogo Cruzeiro x Atlético Mineiro, em que ela cometeu um erro marcando um impedimento não existente do jogador cruzeirense Allison. Bandeirinhas erram, juízes erram. Mas, no caso de Fernanda, ela paga um preço maior por ser mulher.

As mesas redondas e especialistas em futebol dizem que sua pouca idade e experiência em jogos importantes foram cruciais em suas atuações no campo, mas será que é só isso mesmo? A declaração de um diretor do Cruzeiro foi clara: ela teria que pousar nua e não ir trabalhar na beira do campo. E quando um juiz ou bandeirinha erra, o que fazemos? Xingamos suas mães!

Futebol é um esporte machista ou ele é só mais um elemento que compõe este comportamento presente em todos os âmbitos de nosso cotidiano? 

quinta-feira, 20 de março de 2014

O Futebol e a Cidade

Em ano de Copa do Mundo no Brasil, cada vez mais se fala da paixão do brasileiro sobre o esporte bretão. E você sabe quando este sentimento começou? Falaremos um pouco dele hoje no nosso blog.

A maioria das pessoas sabe que o futebol foi trazido ao Brasil por Charles Miller no final do século XIX, numa partida entre funcionários da São Paulo Railway e da Companhia de Gás, no bairro do Brás, em São Paulo.

Logo a elite paulistana se interessou pelo novo esporte e alguns espaços para a prática do futebol foram surgindo, como a Chácara Dulley, o Velódromo da Dona Veridiana e o Parque Antarctica - onde houve a primeira partida oficial em 1902. Quem não era pertencente a esta classe ficava resignada à Várzea do Carmo - daí surge a expressão "Futebol de Várzea", que usamos até hoje, ligada diretamente ao futebol amador.


A virada do século XIX para o XX também ficou marcada por várias transformações na cidade de São Paulo, uma delas é essa busca por espaços de lazer e entretenimento. Além disso, neste período começam a surgir algumas indústrias que levariam a cidade, juntamente com o café, a um novo patamar de desenvolvimento.

Pensando nesta questão e nas relações entre a indústria que surgia e a demanda por locais de lazer, este blogueiro e também historiador procurou trazer à tona a história do [click no link] Parque Antarcticano seu TCC defendido há poucos diascontando um pouco das relações de urbanização que São Paulo viveu desde então. Neste trabalho podemos ver como o Parque e depois Estádio Palestra Italia contribui para o entendimento de questões sociais, culturais e urbanísticas da nossa cidade. Leia, deixe seu comentário e até a próxima!


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Racismo no Futebol



Ontem, 20 de Novembro, comemorou-se o Dia da Consciência Negra, data da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. A essa data, fazemos uma reflexão acerca da importância do negro na nossa sociedade no mesmo patamar e da mesma maneira que brancos, indígenas e qualquer etnia que seja, há de ser valorizar o ser humano, ainda que essa realidade esteja muito longe de acontecer, com exemplos no nosso cotidiano que nos mostra que esta humanidade ainda tem muito o que aprender.

Vejamos o exemplo do racismo no futebol, que é o carro-chefe do nosso blog. Há casos e mais casos lamentáveis de práticas racistas ao longo da existência do esporte amado por muitos, mas que ainda traz em si muita pequenez. Chama-se o jogador negro de macaco, oferecem a ele bananas na arquibancada,insulta-se das mais diversas formas, uma verdadeira atrocidade que já passou da hora de acabar.


Em um dos casos mais polêmicos do futebol, o jogador Grafite, que atuava pelo São Paulo, em 2005, foi alvo de ofensas racistas do jogador Leandro Desábato, do Quilmes. Disputando a Libertadores da América, os dois times se enfrentavam no Morumbi, quando Grafite empurrou o rosto do zagueiro argentino e foi expulso de campo. Justificando sua atitude, Grafite afirmou que foi vítima de racismo, ao ser chamado de “macaco” pelo argentino. Desábato foi preso no gramado e ficou dois dias na prisão. Grafite prestou queixa contra o argentino, e o jogador só foi liberado após pagar uma multa de R$ 10 mil, e pôde voltar à Buenos Aires, mas se comprometendo a voltar ao Brasil durante o processo. Algum tempo depois, Grafite retirou as queixas contra o argentino.

Se lembrarmos de grandiosos ídolos como Pelé, Coutinho, Luis Pereira, Eusébio, Dener, Dida, Leônidas da Silva, César Sampaio, Freddy Rincón, entre tantos outros jogadores negros, o futebol teria a beleza que é, sem a existência deles? Racismo em qualquer âmbito de nossa convivência como seres humanos é inadmíssivel. Sejamos inteligentes. Sejamos todos felizes!


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Andrés Sanches: O Bom, o Mau e o Feio


















Andrés Sanches pode ser enquadrado como sendo ao mesmo tempo os três personagens do clássico filme de Sergio Leone, "O Bom, o Mau e o Feio". Visto como "o Bom" por considerável parte da torcida do Corinthians; como "o Mau" por considerável parte dos torcedores adversários e, last but not least, "o Feio", tanto por sua figura do ponto de vista estético quanto por sua atuação em recentes casos, como o do "Clube dos 13", "CBF" e, mais recentemente, na reunião com Romário e Chilavert sobre o futebol sulamericano.

O Bom

Como já adiantado, Andrés é tido por considerável parte da torcida corinthiana como um grande, alguma parte o considera o maior, presidente do Corinthians. Além do "sonho da casa própria" realizado, Andrés de fato ajustou as contas do clube, agregou um novo significado e magnitude à marca Corinthians, foi responsável pela concretização dos planos de um CT moderno, o que os rivais já possuíam há boas décadas, enfim, uma série de realizações.
Ainda que muitos adeptos, e muitos adversários, consigam perceber que Andrés não é um personagem dos faroestes, maniqueísta, sua figura em muitas discussões toma forma de Deus pelos partidários e de Diabo pelos opositores. Em qualquer dos lados, o que ocorre é um pré conceito na avaliação de sua atuação como dirigente.

O Mau

Em estatísticas não oficiais, quer dizer, no puro achismo, 9 entre 10 torcedores rivais não "vão com a cara" de Andrés Sanches. Parte dessa "birra" pode se dever ao fato do status que o presidente corinthiano alçou o time de Parque São Jorge. Outra parte dessa visão dos torcedores dos demais clubes pode ser também uma reação ao modo como o ex presidente é tratado pelos torcedores alvinegros e pelo modo mais informal com que Andrés exerceu a presidência. Não me lembro de caso parecido com algum presidente de qualquer clube do mundo com aquele jogo em que Andrés assistiu junto da torcida, na arquibancada, lugar avesso ao conforto das tribunas ao qual estamos todos acostumados a ver os presidentes. Afora todo o exposto, Andrés sempre "brigou" pelos interesses do Corinthians. Quando saliento isso, quero explicitar o fato de que se a gestão encontrava algum entrave aos seus interesses gerado por algum clube, Andrés simplesmente optou pelo Corinthians em vez das soluções políticas. Caso exemplar foi o de não mais jogar alugando o estádio do Morumbi.

O Feio

Recentemente diversas reuniões "em prol do futebol como um todo" têm sido feitas. O movimento de jogadores "Bom Senso FC" em relação ao calendário vêm de uma tendência que, bem ou mal, podemos tomar como ponto a dissolução do "Clube dos 13". O monopólio do repasse dos direitos de transmissão exercido pelo "Clube dos 13" mostrava-se, no mínimo, improdutivo do ponto de vista econômico, já que as cifras no primeiro contrato negociado individualmente cresceram para todos os clubes.
A atuação de Andrés pós Corinthians, na CBF, se mostrou bastante conturbada em relação ao caso Mano Meneses. A aparente estreita relação com Ricardo Teixeira também deixava Andrés aos olhos da opinião pública como mais um vilão do futebol, já que Teixeira e sua atuação como presidente têm sido questionada há um bom tempo do ponto de vista ético. A mudança de presidente da instituição e a demissão de Mano, o técnico de Andrés, colocou anches em uma posição insustentável. A demissão era o único caminho.
O vulto de Andrés voltou a se manifestar no começo de setembro. Uma reunião para discutir o futebol sulamericano, criticado desde os tempos à frente do Corinthians, foi realizada no Parque São Jorge com as presenças mais repercutidas do deputado Romário, notabilizado no cargo com processos relativos à CBF, e Chilavert e Maradona. Os rumos ou os porquês da reunião ainda permanecem nas versões oficiais, que não cabem ser discutidas aqui graças às matérias presentes nos maiores sites de comunicação que podem facilmente ser acessadas. Porém, apenas pela presença de Andrés na reunião já foram ouvidos burburinhos em relação a esses rumos e porquês...


O objetivo deste post, autoral em seu conteúdo, não é de forma alguma encerrar ou "dar números finais à partida", mas sim oferecer um panorama do que posso perceber nessa questão. Creio que nos dois extremos das opiniões esse post não representará grande coisa. Porém, para aqueles que se colocam em posição de pensar sobre o futebol de forma mais "científica" esse post pode trazer argumentos e certa bagagem para continuarmos essa discussão que ainda está bem longe de terminar.

(Post publicado simultaneamente em http://ehtudohistoria.blogspot.com.br/)

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Futebol, Crianças e Heróis



Chegou o mês das crianças e como é bom celebrar este momento de alegria junto a elas, vendo seus sorrisos estampados em toda parte. A alegria de muitas crianças da minha época, quando não havia internet e suas redes sociais que nos emaranham em frente a uma tela de celular, pc ou tablet, era a bola de futebol. Ou algo que lembrasse uma: lata, meia, jornal enrolado com fita adesiva, etc. Lembrando que se jogava na rua, ou nos terrenos ou campos de várzea, fazendo as traves com pedras, tijolos ou chinelos.

O futebol, portanto, estava integrado ao cotidiano infantil e as discussões clubísticas eram inevitáveis, cito como exemplo o trio-de-ferro paulista, com importante destaque na década de 90, o Palmeiras com a Era Parmalat, o São Paulo de Telê e o Corinthians de Marcelinho Carioca.

Outro fato marcante na infância de muitos eram as histórias em quadrinhos da Marvel e da DC Comics publicadas aqui pela Editora Abril. Homem-Aranha, Hulk, Superman e Batman, entre tantos outros, dividiam lugar na banca de jornal com os álbuns de figurinhas do Campeonato Brasileiro.

Para unir esta paixão pelo futebol com o mundo dos heróis, a Revista Placar, da mesma editora, criou, em 1995, uma sessão chamada Os Super-Heróis da Bola. Era um grupo de 12 heróis, cada qual representando um time do Eixo Rio-São Paulo, além de Minas e Rio Grande do Sul. Assim sendo, temos:




TRIMINATOR - FLUMINENSE
COLORADO DO ESPAÇO - INTER-RS
GALO VINGADOR - ATLÉTICO-MG
CYBERPORK - PALMEIRAS
LANÇA CHAMAS - BOTAFOGO
ACQUATÔMICO - SANTOS
THUNDER TRICOLOR - SÃO PAULO
POWER URUBU - FLAMENGO
CAPITÃO VASCO - VASCO
MEGA TIMÃO - CORINTHIANS
FOX - CRUZEIRO
ESPADACHIM AZUL - GRÊMIO



O projeto, do então redator de direção, Marcelo Duarte, não surtiu o efeito desejado e acabou sendo engavetado. Mesmo assim, vale a pena usar um pouco a imaginação e viajar nessas histórias onde nosso time é mais que nosso eterno campeão, é o nosso herói, nosso sonho de criança. Até a próxima!


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Palmeiras - 99 anos

Nosso blog nasceu da conversa no bar entre quatro amigos, dois palmeirenses e dois corintianos, que acreditam que a vida é sustentada pela tríade: futebol - história - futilidades. Cada qual da sua maneira, procuramos contar nossas experiências e opiniões sempre no intuito de entreter e servir de assunto para mais conversas de bar, assim como são as nossas.

Particularmente hoje é um dia mais que especial para mim pois trata-se do aniversário de 99 anos da Sociedade Esportiva Palmeiras. Caso não saiba, foi uma reunião entre quatro amigos imigrantes italianos em 1914, que sonharam com a criação de um clube que representasse seu povo na cidade de São Paulo.


De lá para cá, muita coisa aconteceu, o mundo mudou, as pessoas mudaram, tudo está diferente. Vivemos glórias e decepções, em todos os aspectos da vida. Isso nos torna humanos. Isso nos torna únicos. Como único é também o sentimento que cada um tem pelo time que ama. Eu amo o Palmeiras. Milhões de pessoas também, e muitas outras não. E isso faz de mim ser apenas o que eu sei ser: palmeirense. 


Amar incondicionalmente é encontrar o seu próprio reflexo diante de si. É saber que existe um pedaço de você, nem que seja uma partícula, naquele universo em que você deseja estar o tempo todo presente. Com o Palmeiras eu vivo todas as emoções passíveis de um ser humano viver, às vezes nem todas são tão boas de se viver, mas até no sofrimento se faz necessário o aprendizado para que nos tornemos cada vez mais fortes. Fiz amigos, amores, tristezas, alegrias, fiz a minha vida e quero fazer a minha história.

O Palmeiras é meu sonho, como é este blog, e como foi o sonho daqueles 4 italianos imgrantes. É necessário muita luta para se conseguir um objetivo, mas acima de tudo, há de se acreditar em si mesmo e no valor que cada um de nós temos. Apesar do nome, tenho pouco de filósofo, não sou capaz de entender muita coisa do mundo. Principalmente o amor, tampouco sei explicá-lo, mas se tivesse que dizê-lo em uma só palavra, só poderia dizer: PALMEIRAS.

À nossa torcida alviverde, meus parabéns e obrigado por ser mais um torcedor que canta e vibra! Avanti!!!


Diógenes Sousa
torcedor da SEPalmeiras

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Dica de Leitura #8



O novo estádio do Palmeiras - o Allianz Parque - está entrando em sua fase de finalização e, em breve, o torcedor palmeirense estará de volta à sua casa nova. Enquanto isso, o Verdão vai adotando o Pacaembu como seu segundo lar e fazendo o dever de casa para voltar à série A. Porém, não é a primeira vez que uma reforma acontece lá no Palestra, então, vamos conhecer um pouco sobre a história deste estádio?

O livro ALMA, de José Custódio e Luiz Carlos Fernandes, é excelente para nos contar sobre "a história da arena esportiva mais antiga do país." Além do campo de futebol, onde houve a primeira partida oficial da história, entre o Germânia e o Mackenzie, ocorreu a primeira corrida de automóveis da América Latina e pousou o primeiro avião do nosso correio aéreo.


Feito em quadrinhos com uma ótima qualidade, o livro traz o surgimento do estádio, desde a fundação do Parque da Companhia Antarctica, no finalzinho do século XIX, até os dias atuais, além de momentos históricos como os primeiros títulos do Palestra Italia, a mudança do nome para Palmeiras e os grandes craques que passaram pelo time durante esses quase 100 anos.

É uma emocionante aula de história, que mostra um pouco do crescimento da cidade de São Paulo através do esporte e, principalmente, de demonstração de amor por um clube, amor que não se explica, que vem do fundo do coração, que vem do fundo da Alma.

ALMA - A História da Arena Esportiva mais antiga do País
Custódio e Fernandes
64 páginas

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Acervo de Camisas do Futebol, História e Futilidades - Parte I

Por Sousa e Martins

Ter uma camisa do seu time de coração não é tão simples quanto se parece, até porque os preços de venda são cada vez maiores. Porém, mais do que o preço que tem a camisa, é o valor que ela representa. Esse sim é inestimável e torna a camisa o nosso manto sagrado.

A camisa faz parte do uniforme, ou seja, que tem a mesma forma, idêntico, fazendo do torcedor parte integrante do time, principalmente no estádio. Mas quem não tem camisa não é torcedor? É sim mas, convenhamos, que usar a camisa do clube nos faz realmente crer que somos parte daquilo tudo, é algo que mexe com nosso imaginário.

A minha primeira camisa do Palmeiras só veio em 2007. Presente de um tio, era a número 7 que Edmundo usou na sua segunda passagem pelo clube. Foi a primeira de muitas, de lá, sempre que posso compro uma para ampliar a pequena coleção que tenho, com algumas comemorativas, como a do primeiro jogo que fui, em 1987, a do goleiro Leão e uma do Palestra Italia. Enfim, se as camisas são nossas segundas peles, nada melhor do que ver várias delas...

Todos nós procuramos nos encaixar em algum grupo desde a infância. A noção de pertencimento é tão remota quanto à própria civilização humana. Ser corintiano é o que melhor me define. Sinto-me parte de um todo, de um grupo social que mesmo bastante heterogêneo compactua da mesma convicção: o amor incondicional pelo Corinthians.

Mas vou além. Faço parte de um grupo ainda maior. Do grupo que gosta de futebol acima de tudo. E meu acervo de camisas se baseia acima de tudo em futebol...e mais um pouco. Não vou ser hipócrita; por mais que eu goste de futebol, jamais compraria a camisa de um rival de São Paulo. Palmeiras, São Paulo e Santos: JAMAIS!!!

Na verdade, como bem lembrou o Sousa, até do Corinthians eu tendo a não comprar. Afinal os preços das camisas oficiais são exorbitantes e me recuso a pagar um preço tão alto, por mais que eu ache os uniformes 1 e 2 desse ano sensacionais. Meu acervo do Corinthians é na maioria de camisas ganhas, exceto a de 1997 – período em que Túlio Maravilha vestiu o manto – a de 2003 com patrocínio da Pepsi e a réplica da camisa de 1910, que fora minha última aquisição.

Fora isso, tenho três que considero relíquias:

- Autografada de 1987, contendo assinaturas de Ronaldo Giovanelli, Biro Biro, Wilson Mano, Eduardo Amorim (para ficar nos mais importantes).

- Autografada de número 9 (do Nilson) de 1994, contendo assinaturas de Ronaldo Giovanelli, Souza, Fabinho, Marques e do zagueiro Gralak.

- Autografada de número 10 (do Souza) de 1994, contendo assinaturas de Marcelinho, Ezequiel, Zé Elias e do Rivaldo.

Além dessas, tenho um de treino e um agasalho, que embora não seja o oficial, me acompanha nas tardes e noites frias no Pacaembú. Possuo duas réplicas da camisa da Fiorentina – uma preta e branca e outra branca e roxa – em homenagem a primeira camisa que o Dr. Sócrates vestiu na Europa, apesar de não ter tido muito sucesso por lá.

Outras duas, não ligadas a minha memória emocional, são a de torcedor do glorioso ASA de Arapiraca e do Nova Iguaçu. Gosto muito de sair com camisas de times com menos visibilidade. Ando mirando uma do Juventus da Móoca...

Enfim, se existem duas mercadorias que me encantam com seu fetiche são camisas de futebol e livros. Hoje em dia, devido ao trabalho e ao estudo tenho me dedicado mais aos livros. Mas espero um dia que o preço dos artigos esportivos caia ou que aumente o meu poder de compra. Assim posso usufruir de belas camisas de futebol e livros mais belos ainda.
 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

O dia em que dei um título para o Palmeiras

Dia 12 de Junho de 1993. Uma data histórica para todos os torcedores palmeirenses. Mais do que um simples dia dos namorados, esse dia se eternizaria por quebrar um jejum de 17 anos da equipe alviverde frente ao seu maior rival Corinthians, um 4x0 de um dos jogos mais eletrizantes entre os dois times, um clássico de tirar o fôlego de milhões de pessoas em todo o país.

Ontem comemorou-se 20 anos deste feito homérico. E esta epopéia palestrina foi contada de maneira brilhante representada na figura daquele que foi uns dos maiores centroavantes que o Palmeiras teve, cuja camisa número 9 era o símbolo de um guerreiro, de um artilheiro, de um matador, de um Evair. E ele mesmo nos conta nessa obra como foi a sua chegada ao Palmeiras, todos os percalços pelos quais teve que passar (e superar) para ser o grande representante da conquista de 1993.

Se, no campo, Evair contava com Zinho e Edmundo para arrasar as defesas adversárias, aqui ele forma outra parceria de imenso sucesso e talento, com o jornalista Mauro Beting e o historiador Fernando Galuppo, que nos fazem reviver toda a atmosfera daquela galáxia composta pelo próprio Evair e as demais estrelas palmeirenses.

À esta altura você deve estar se perguntando o que o título do post tem a ver com tudo isso. É muito simples e também muito louco. A poucos meses antes do lançamento da obra, Evair, lançou nas redes sociais que alguém sugerisse o nome do título do livro. O escolhido foi: Fim do Jejum, Início da Lenda.  E o autor foi este humilde blogueiro que vos escreve agora. A emoção foi muito grande e com certeza será eterna, como é a minha admiração por esses três palmeirenses (Evair, Beting e Galuppo). O primeiro fez história, os outros dois a contaram com extrema maestria e eu procurei resumir o sentimento de uma vida em uma frase pois, naquele 12 de junho, uma lenda nasceu.


SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS
1993 - Fim do Jejum, Início da Lenda
Evair Aparecido Paulino, Mauro Beting e Fernando Razzo Galuppo
BB Editora
178 páginas
2013

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Dica de Leitura #7




Organizado por Fernando Razzo Galuppo, o livro serve de guia para todo palmeirense como também para todo amante do futebol e, mais do que nunca, apreciador de uma boa leitura.

De uma maneira bastante didática e fácil de ler, o livro conta a origem do Palestra Itália, desde a sua formação em 1914 até a mudança do nome para Palmeiras em 1942, de acordo com o decreto estabelecido pelo presidente Getúlio Vargas que proibia nomes que se relacionassem com os países do Eixo: Itália, Alemanha e Japão.

Galuppo nos conta esta e diversas outras histórias com uma riqueza de detalhes surpreendente, apresentando números referentes às centenas de conquistas nacionais e internacionais e sem esquecer os craques sensacionais que fizeram do Palmeiras o Campeão do Século XX.  

O historiador tem uma série de livros sobre o Palmeiras, sendo que o último deles trata da épica vitória sobre o Corinthians na final do Campeonato Paulista de 1993, pondo um fim ao jejum de títulos alviverdes, que perdurara desde 1976. Em breve trataremos melhor deste assunto, fique de olho. Um grande abraço!

PALMEIRAS - O TIME DO MEU CORAÇÃO
Fernando Razzo Galuppo
Editora Leitura
2009
104 páginas