Por Sousa e Martins
Ter
uma camisa do seu time de coração não é tão simples quanto se parece,
até porque os preços de venda são cada vez maiores. Porém, mais do que o
preço que tem a camisa, é o valor que ela representa. Esse sim é
inestimável e torna a camisa o nosso manto sagrado.
A
camisa faz parte do uniforme, ou seja, que tem a mesma forma, idêntico,
fazendo do torcedor parte integrante do time, principalmente no
estádio. Mas quem não tem camisa não é torcedor? É sim mas, convenhamos,
que usar a camisa do clube nos faz realmente crer que somos parte
daquilo tudo, é algo que mexe com nosso imaginário.
A
minha primeira camisa do Palmeiras só veio em 2007. Presente de um tio,
era a número 7 que Edmundo usou na sua segunda passagem pelo clube. Foi
a primeira de muitas, de lá, sempre que posso compro uma para ampliar a
pequena coleção que tenho, com algumas comemorativas, como a do
primeiro jogo que fui, em 1987, a do goleiro Leão e uma do Palestra
Italia. Enfim, se as camisas são nossas segundas peles, nada melhor do
que ver várias delas...
Todos nós procuramos nos encaixar em algum grupo desde a
infância. A noção de pertencimento é tão remota quanto à própria civilização
humana. Ser corintiano é o que melhor me define. Sinto-me parte
de um todo, de um grupo social que mesmo bastante heterogêneo compactua da
mesma convicção: o amor incondicional pelo Corinthians.
Mas vou além. Faço parte de um grupo ainda maior. Do grupo
que gosta de futebol acima de tudo. E meu acervo de camisas se baseia acima de
tudo em futebol...e mais um pouco. Não vou ser hipócrita; por mais que eu goste de futebol,
jamais compraria a camisa de um rival de São Paulo. Palmeiras, São Paulo e
Santos: JAMAIS!!!
Na verdade, como bem lembrou o Sousa, até do Corinthians eu tendo
a não comprar. Afinal os preços das camisas oficiais são exorbitantes e me
recuso a pagar um preço tão alto, por mais que eu ache os uniformes 1 e 2 desse
ano sensacionais. Meu acervo do Corinthians é na maioria de camisas ganhas, exceto
a de 1997 – período em que Túlio Maravilha vestiu o manto – a de 2003 com
patrocínio da Pepsi e a réplica da camisa de 1910, que fora minha última
aquisição.
Fora isso, tenho três que considero relíquias:
- Autografada de 1987, contendo assinaturas de Ronaldo
Giovanelli, Biro Biro, Wilson Mano, Eduardo Amorim (para ficar nos mais
importantes).
- Autografada de número 9 (do Nilson) de 1994, contendo
assinaturas de Ronaldo Giovanelli, Souza, Fabinho, Marques e do zagueiro
Gralak.
- Autografada de número 10 (do Souza) de 1994, contendo
assinaturas de Marcelinho, Ezequiel, Zé Elias e do Rivaldo.
Além dessas, tenho um de treino e um agasalho, que embora
não seja o oficial, me acompanha nas tardes e noites frias no Pacaembú. Possuo
duas réplicas da camisa da Fiorentina – uma preta e branca e outra branca e
roxa – em homenagem a primeira camisa que o Dr. Sócrates vestiu na Europa,
apesar de não ter tido muito sucesso por lá.
Outras duas, não ligadas a minha memória emocional, são a de
torcedor do glorioso ASA de Arapiraca e do Nova Iguaçu. Gosto muito de sair com
camisas de times com menos visibilidade. Ando mirando uma do Juventus da
Móoca...
Enfim, se existem duas mercadorias que me encantam com seu fetiche
são camisas de futebol e livros. Hoje em dia, devido ao trabalho e ao estudo
tenho me dedicado mais aos livros. Mas espero um dia que o preço dos artigos
esportivos caia ou que aumente o meu poder de compra. Assim posso usufruir de
belas camisas de futebol e livros mais belos ainda.