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sexta-feira, 11 de julho de 2014

Dica de Leitura #10 - Primeiros Passes

O futebol vem sendo, ao longo dos anos, tema de diversas pesquisas acadêmicas, devido sua importância e repercussão, direta ou indireta, na vida de todos nós. Um dos grupos responsáveis por estudar o esporte em vários aspectos é o LUDENS - NÚCLEO INTERDISCIPLINAR DE PESQUISAS SOBRE FUTEBOL E MODALIDADES LÚDICAS, criado na USP em 2010 e com pesquisadores da UNICAMP, UNIFESP, UNESP, além da Universidade de Bristol, Universidade Lusófona de Lisboa e Universidade do Porto e de instituições como o Museu do Futebol.

Juntamente com a Biblioteca Mário de Andrade, sob organização de Wilson Gambeta, foi lançado nesta semana o livro Primeiros Passes: Documentos para a História do Futebol em São Paulo (1897-1918), inaugurando o selo da biblioteca que permite o acesso ao acervo de obras raras lá existente. 

O livro é dividido em quatro partes, com textos de Hans Nobiling (Primórdios e dados históricos da implantação do futebol em São Paulo), Mario Cardim e Luiz Fonseca (Guia de Football), um resumo histórico do Club Athletico Paulistano e finaliza com Antonio Figueiredo mostrando a história do football em São Paulo.

Através dos fac-símiles existentes no livro, o leitor fica mais próximo dos documentos produzidos entre o final do século XIX e começo do XX, período em que o futebol surge e se consolida como preferência, mostrando dados como ficha técnica dos times e o estatuto da Liga Paulista de Football.

É uma obra que possui uma contribuição ímpar a todos os que se interessam pelo tema, com um caráter enriquecedor pelo acesso a uma documentação que tem muito a nos contar e ajudar a entender as dinâmicas socioculturais através do esporte.

sábado, 21 de junho de 2014

A Eterna Muralha

As mãos que tremem ao escrever este pequeno rascunho não são nada perto das gigantes mãos de um grande homem que se foi, e que nunca tremeu.
Estas mãos eram de Oberdan Cattani, a muralha verde palestrina, que proporcionou muitas alegrias, além do respeito e admiração de todos.
Vencedor por diversas vezes. Viu e fez do Palestra líder, o Palmeiras campeão. Um dos símbolos da "defesa que ninguém passa", ainda assim, ele passou e nos marcou, deixando o legado de amor incondicional e dedicação entre o homem e o esporte.

Seu Oberdan permanecerá vivo em nossos corações, como o grande P, no centro de seu peito.
Difícil escrever e descrever algo que foge da compreensão, o que nos resta é somente aplaudir e agradecer por tudo aquilo que o grande goleiro fez.



"Iniciei no Palestra e vesti a camisa do Palmeiras, o que representa muito mais do que amor.
Oberdan Cattani
12/06/1919
20/06/2014

quinta-feira, 20 de março de 2014

O Futebol e a Cidade

Em ano de Copa do Mundo no Brasil, cada vez mais se fala da paixão do brasileiro sobre o esporte bretão. E você sabe quando este sentimento começou? Falaremos um pouco dele hoje no nosso blog.

A maioria das pessoas sabe que o futebol foi trazido ao Brasil por Charles Miller no final do século XIX, numa partida entre funcionários da São Paulo Railway e da Companhia de Gás, no bairro do Brás, em São Paulo.

Logo a elite paulistana se interessou pelo novo esporte e alguns espaços para a prática do futebol foram surgindo, como a Chácara Dulley, o Velódromo da Dona Veridiana e o Parque Antarctica - onde houve a primeira partida oficial em 1902. Quem não era pertencente a esta classe ficava resignada à Várzea do Carmo - daí surge a expressão "Futebol de Várzea", que usamos até hoje, ligada diretamente ao futebol amador.


A virada do século XIX para o XX também ficou marcada por várias transformações na cidade de São Paulo, uma delas é essa busca por espaços de lazer e entretenimento. Além disso, neste período começam a surgir algumas indústrias que levariam a cidade, juntamente com o café, a um novo patamar de desenvolvimento.

Pensando nesta questão e nas relações entre a indústria que surgia e a demanda por locais de lazer, este blogueiro e também historiador procurou trazer à tona a história do [click no link] Parque Antarcticano seu TCC defendido há poucos diascontando um pouco das relações de urbanização que São Paulo viveu desde então. Neste trabalho podemos ver como o Parque e depois Estádio Palestra Italia contribui para o entendimento de questões sociais, culturais e urbanísticas da nossa cidade. Leia, deixe seu comentário e até a próxima!


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Dica de Carnaval em São Paulo

Para você que sempre acompanha nosso blog, pedimos desculpas pelo longo período sem postagens novas, a vida acadêmica é algo que nos consome por completo e nos deixa sem tempo para coisas mais legais, como escrever para todos.

Falaremos hoje de algo muito significativo com a história da cidade de São Paulo, infelizmente, uma história um pouco esquecida pela maioria das pessoas. Trata-se dos rios que compõem a cidade. Ficamos atentos somente ao Tietê, Pinheiros e Tamanduateí porque, além de estarem visíveis, são motivos de preocupação quando vem as chuvas e mostram claramente a ação do homem na transformação da cidade.

Mas existem tantos outros rios, retificados e canalizados, escondidos sob a manta de asfalto que fazem sua história ser esquecida. Um deles é o Rio Saracura, que corre onde hoje é a Avenida Nove de Julho. Para trazer o rio à tona, ou ao menos a sua história, e aproveitando o clima de carnaval que já percorre pela cidade, foi criado o BLOCO FLUVIAL DO PEIXE SECO, que sairá pela avenida cantando sobre o Saracura e mostrando a importância que o rio tem para toda a cidade.

Venha fazer parte desta navegação, vista-se de azul e branco e vamos todos navegar pelas águas do Saracura, com muita alegria e diversão neste carnaval! Até lá!!


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Mandela

Há poucas semanas falávamos sobre o racismo no futebol - post anterior - e ontem nos deparamos com a partida de Nelson Mandela, que dispensa maiores apresentações. Como singela homenagem a um dos maiores líderes políticos de todos os tempos, falaremos sobre o filme Invictus, que tem a direção de Clint Eastwood.

Invictus  conta a história do primeiro ano do mandato de Mandela como presidente da África do Sul, quatro anos após sua libertação.  O roteiro é de Anthony Peckham, baseado no livro "Conquistando o Inimigo" de John Carlin. Mandela acreditava no perdão como libertador da alma humana, sendo magistralmente interpretado por Morgan Freeman e tendo Matt Damon como o capitão da seleção sulafricana de rugby no filme.

Mandela percebe que mesmo com o fim do apartheid, a África do Sul ainda sofre com o racismo e com vários problemas econômicos. Na tentativa de unir a nação através do esporte, Madiba - como era chamado entre seu povo - incentiva o capitão do time a vencer o campeonato mundial de 1995.


"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar".
(Nelson Mandela - 1918-2013)

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Andrés Sanches: O Bom, o Mau e o Feio


















Andrés Sanches pode ser enquadrado como sendo ao mesmo tempo os três personagens do clássico filme de Sergio Leone, "O Bom, o Mau e o Feio". Visto como "o Bom" por considerável parte da torcida do Corinthians; como "o Mau" por considerável parte dos torcedores adversários e, last but not least, "o Feio", tanto por sua figura do ponto de vista estético quanto por sua atuação em recentes casos, como o do "Clube dos 13", "CBF" e, mais recentemente, na reunião com Romário e Chilavert sobre o futebol sulamericano.

O Bom

Como já adiantado, Andrés é tido por considerável parte da torcida corinthiana como um grande, alguma parte o considera o maior, presidente do Corinthians. Além do "sonho da casa própria" realizado, Andrés de fato ajustou as contas do clube, agregou um novo significado e magnitude à marca Corinthians, foi responsável pela concretização dos planos de um CT moderno, o que os rivais já possuíam há boas décadas, enfim, uma série de realizações.
Ainda que muitos adeptos, e muitos adversários, consigam perceber que Andrés não é um personagem dos faroestes, maniqueísta, sua figura em muitas discussões toma forma de Deus pelos partidários e de Diabo pelos opositores. Em qualquer dos lados, o que ocorre é um pré conceito na avaliação de sua atuação como dirigente.

O Mau

Em estatísticas não oficiais, quer dizer, no puro achismo, 9 entre 10 torcedores rivais não "vão com a cara" de Andrés Sanches. Parte dessa "birra" pode se dever ao fato do status que o presidente corinthiano alçou o time de Parque São Jorge. Outra parte dessa visão dos torcedores dos demais clubes pode ser também uma reação ao modo como o ex presidente é tratado pelos torcedores alvinegros e pelo modo mais informal com que Andrés exerceu a presidência. Não me lembro de caso parecido com algum presidente de qualquer clube do mundo com aquele jogo em que Andrés assistiu junto da torcida, na arquibancada, lugar avesso ao conforto das tribunas ao qual estamos todos acostumados a ver os presidentes. Afora todo o exposto, Andrés sempre "brigou" pelos interesses do Corinthians. Quando saliento isso, quero explicitar o fato de que se a gestão encontrava algum entrave aos seus interesses gerado por algum clube, Andrés simplesmente optou pelo Corinthians em vez das soluções políticas. Caso exemplar foi o de não mais jogar alugando o estádio do Morumbi.

O Feio

Recentemente diversas reuniões "em prol do futebol como um todo" têm sido feitas. O movimento de jogadores "Bom Senso FC" em relação ao calendário vêm de uma tendência que, bem ou mal, podemos tomar como ponto a dissolução do "Clube dos 13". O monopólio do repasse dos direitos de transmissão exercido pelo "Clube dos 13" mostrava-se, no mínimo, improdutivo do ponto de vista econômico, já que as cifras no primeiro contrato negociado individualmente cresceram para todos os clubes.
A atuação de Andrés pós Corinthians, na CBF, se mostrou bastante conturbada em relação ao caso Mano Meneses. A aparente estreita relação com Ricardo Teixeira também deixava Andrés aos olhos da opinião pública como mais um vilão do futebol, já que Teixeira e sua atuação como presidente têm sido questionada há um bom tempo do ponto de vista ético. A mudança de presidente da instituição e a demissão de Mano, o técnico de Andrés, colocou anches em uma posição insustentável. A demissão era o único caminho.
O vulto de Andrés voltou a se manifestar no começo de setembro. Uma reunião para discutir o futebol sulamericano, criticado desde os tempos à frente do Corinthians, foi realizada no Parque São Jorge com as presenças mais repercutidas do deputado Romário, notabilizado no cargo com processos relativos à CBF, e Chilavert e Maradona. Os rumos ou os porquês da reunião ainda permanecem nas versões oficiais, que não cabem ser discutidas aqui graças às matérias presentes nos maiores sites de comunicação que podem facilmente ser acessadas. Porém, apenas pela presença de Andrés na reunião já foram ouvidos burburinhos em relação a esses rumos e porquês...


O objetivo deste post, autoral em seu conteúdo, não é de forma alguma encerrar ou "dar números finais à partida", mas sim oferecer um panorama do que posso perceber nessa questão. Creio que nos dois extremos das opiniões esse post não representará grande coisa. Porém, para aqueles que se colocam em posição de pensar sobre o futebol de forma mais "científica" esse post pode trazer argumentos e certa bagagem para continuarmos essa discussão que ainda está bem longe de terminar.

(Post publicado simultaneamente em http://ehtudohistoria.blogspot.com.br/)

domingo, 1 de setembro de 2013

Corinthians - 103 anos



Bairro do Bom Retiro. Esquina da rua José Paulino com a Cônego Martins. Por volta das 20h30 do dia 1º de setembro de 1910, quatorze operários fundaram o Sport Club Corinthians Paulista. Miguel Battaglia fora escolhido seu primeiro presidente e imortalizou a célebre frase:

"O Corinthians vai ser o time do povo e o povo é quem vai fazer o time"

De fato, o Corinthians ficou marcado em sua longeva história como o time do povo, das classes mais humildes e menos favorecidas social e economicamente.  Mas desde sua fundação, o clube cresceu de tal forma que sua torcida abrange a todas as classes e setores da sociedade. Contudo, o sangue maloqueiro continua a correr nas veias de todos os corintianos, independente de sua classe social.

Time de sofredores, de vinte e três anos sem títulos, da corrupta “Era Dualib”, do rebaixamento à Série B em 2007.

Mas também o fantástico time da Era de Ouro dos anos 1950, da Invasão do Maracanã em 1976, da quebra do jejum no ano posterior, da Democracia Corintiana da década de 1980, do time multicampeão do final da década de 1990, ao também elenco multicampeão atual.

Time que elevou a condição de ídolo jogadores pouco badalados como o Pé de Anjo Basílio, o raçudo Biro Biro, ao voluntarioso Tupãzinho.

Time que pode idolatrar craques como Luizinho, Rivelino, Sócrates, Casagrande, Ronaldo.

O time do Mosqueteiro e de São Jorge.

O time da Fiel.

Dizem que o Corinthians não é um time que tem uma torcida, mas uma Torcida que tem um time. E nada faz o Corinthians maior do que ele é, que cada um de nós que estamos no Pacaembú e em todos os rincões do país.

Títulos são importantes. História também o é. E temos as duas coisas, diga-se de passagem. Mas nada é mais importante que o nosso AMOR incondicional pelo Corinthians.

Parabéns a todos nós que fazemos parte dessa religião chamada Corinthians, pelos 103 anos de História!

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Dica de Leitura #7




Organizado por Fernando Razzo Galuppo, o livro serve de guia para todo palmeirense como também para todo amante do futebol e, mais do que nunca, apreciador de uma boa leitura.

De uma maneira bastante didática e fácil de ler, o livro conta a origem do Palestra Itália, desde a sua formação em 1914 até a mudança do nome para Palmeiras em 1942, de acordo com o decreto estabelecido pelo presidente Getúlio Vargas que proibia nomes que se relacionassem com os países do Eixo: Itália, Alemanha e Japão.

Galuppo nos conta esta e diversas outras histórias com uma riqueza de detalhes surpreendente, apresentando números referentes às centenas de conquistas nacionais e internacionais e sem esquecer os craques sensacionais que fizeram do Palmeiras o Campeão do Século XX.  

O historiador tem uma série de livros sobre o Palmeiras, sendo que o último deles trata da épica vitória sobre o Corinthians na final do Campeonato Paulista de 1993, pondo um fim ao jejum de títulos alviverdes, que perdurara desde 1976. Em breve trataremos melhor deste assunto, fique de olho. Um grande abraço!

PALMEIRAS - O TIME DO MEU CORAÇÃO
Fernando Razzo Galuppo
Editora Leitura
2009
104 páginas

sábado, 20 de abril de 2013

A Moleca Travessa

       Nosso post de hoje é uma sugestão da leitora Mylena Fantini, torcedora do Juventus, que nos conta um pouco da sua paixão pelo famoso time da Moóca. Faça como ela, nos conte sua história e, quem sabe, suas palavras serão as nossas. Abraços!



"Bom, no dia 20/04 o meu time comemora 89 anos ... Gostaria de comemorar de uma outra forma esse ano. Infelizmente o Juventus voltou novamente pra A3 .. Mas, enfim, meu amor pelo Juventus é igual amor bandido, mesmo depois de quedas, sei que o sentimento é o mesmo.
Pra quem não conhece, contarei uma breve história de como meu time foi fundado. O time foi fundado aqui na Mooca, bairro com influências operárias desde a imigração.

O Juventus foi fundado com um propósito: Garantir um entretenimento para os funcionários da fábrica de tecidos da tradicional família Crespi (prédio que hoje em dia é o Extra Mooca). Por isso, o estádio do Juve tem o nome de “Estádio Conde Rodolfo Crespi.”
O Clube Atlético Juventus só ganhou esse nome e a famosa cor grená quase 6 anos depois da fundação. Em 1930 entramos de vez na elite do futebol estadual, com o jogo de Juventus x Santos, lá na Vila Belmiro, disputando o Campeonato Paulista da Divisão Principal. 
Já indo ao ano de 1982, o Juventus fez a melhor campanha no Campeonato Paulista, garantindo o time jogar a taça de Ouro de 1983, aonde jogamos com os tradicionais times brasileiros. Ganhamos a taça de Prata de 83. Como dizem “O maior orgulho do Moleque Travesso na História” .
Já em 2012 tivemos acesso à A2, porém a felicidade não durou muito.. 
Como já havia dito, voltamos para o inferno da A3, mas são nas quedas que o amor verdadeiro prevalece.
Em homenagem ao meu time e ao meu amor verdadeiro, eu fiz uma tatto com o ano que o Juve foi fundado =)
Indo mais adiante, em 2005 fomos campeões da A2. Jogo memorável ! (Meu coração até palpita de lembrar). Em 2007 fomos campeões da Copinha, porém esses dias bons tiveram fim em 2008 e 2009, pois foram anos péssimos pro meu Juve, fomos rebaixados para a A2 e um ano depois para a A3.
O Juventus para mim é além de um time. Simplesmente representa um pedaço de história que vem sido apagada com a verticalização mooquense.
Torcer para o Juventus é lutar para que o tradicionalismo não acabe e que as coisas simples da vida criem um valor único, é lembrar sempre dos momentos em família, é saber que você pode apoiar o time cara a cara, é saber que irão ouvir você torcendo ou xingando. 
Torcer pro Juventus me faz sentir que realmente sou torcedora de futebol."




segunda-feira, 25 de março de 2013

Futebol e Música: Baza a Correr com o Paulo Bento


Futebol e música. Música e futebol.

Uma relação intrínseca. Jogadores de futebol nutrem uma paixão fora do comum quando se trata de música. Quando descem do ônibus, estão eles com fones de ouvido imensos; quando comemoram gols, comemoram com dancinhas de mau gosto; aparecem em vídeo-clipes; frequentam shows e boates, onde seus artistas – ou ritmos – preferidos tocam ou são tocados.

O inverso também é válido.

Músicos normalmente gostam de futebol. De jogar e torcer.

Casos célebres como Chico Buarque e Toquinho reforçam o argumento. Mas abro essa nova sessão para falar de um músico que se utilizou do talento para cornetar seu time. Melhor dizendo, o treinador de seu time a época.

Não, ele não é brasileiro.

Falo de Valete. Nascido em Lisboa, mas filho de São Tomeenses, ingressou no cenário Hip Hop em 1997. Têm dois discos, Educação Visual e Serviço Público, lançados em 2002 e 2006 respectivamente. Era reconhecido pela habilidade no improviso e grande ganhador de diversas batalhas de Freestyle, mas surpreendeu pelas letras extremamente politizadas em seus dois trabalhos de estúdio. Atualmente o considero como melhor MC (master of cerimony) de língua portuguesa, devido o seu flow, sua erudição e qualidade das letras.

Mas um sujeito engajado assim vai criticar um técnico de futebol?

Sim. E o alvo de sua crítica é Paulo Bento, atual técnico da Seleção Portuguesa e que na época dirigia o Sporting Lisboa, time pelo qual Valete é torcedor fanático.

Primeiro falaremos uma pouco da história de Paulo Jorge Gomes Bento.  Ex-jogador de futebol, com diversas passagens por times portugueses, se notabilizou especialmente pelas passagens pelo Benfica e pelo próprio Sporting, em que encerrou a carreira. Chegou a jogar pela Seleção Portuguesa, mas nunca alcançou muito prestigio fora da terrinha. Obteve sucesso como treinador do Sporting, mas seu auge foi ser chamado para o comando da seleção nacional. Contudo, uma má fase a frente do tradicional time de Lisboa, desencadeou uma série de protestos da torcida sportinguista, inclusive a música de Valete que postarei mais adiante.

Por fim, falar um pouco do Sporting Lisboa. Na verdade, Sporting Clube de Portugal.  Fundado em 1906 é considerado um dos três grandes clubes portugueses, junto com Benfica e Porto. Conquistou 18 vezes a Liga Sagres, 19 vezes a Taça de Portugal e 7 vezes a Supertaça. Foi também uma vez vice-campeão da antiga Taça da UEFA, na temporada de 2004/05.

O Sporting foi responsável a apresentar ao mundo, o melhor jogador português de todos os tempos e um dos melhores do mundo na atualidade: Cristiano Ronaldo. Contou com inúmeros jogadores brasileiros em seu elenco como Ricardo Rocha e Silas, na década de 1980. Mais recentemente, podemos citar Anderson Polga, André Cruz e Fábio Rochemback. Contudo, os dois jogadores que fizeram mais sucesso com a camisa alviverde de Lisboa foram os centroavantes Jardel e Liédson. Ambos viraram ídolos máximos no clube lisboeta.

Outros conhecidos dos brasileiros que vestiram a camisa sportiguista: Frank Rijkaard, Rodolfo Rodriguez, Luis Figo, Peter Schmeichel e Nani.

Os três personagens foram desvendados. Vamos agora à música, o vídeo com a letra a seguir:


BAZA A CORRER COM O PAULO BENTO
Eu sou sportinguista de compromisso tácito
Coração verde e branco às riscas como um fanático
Vi o Sporting com mística, vi o Sporting apático
Chorei fracassos e conquistas desde Jordão a Sá Pinto
Hoje estou desapaixonado, desprendido, desinteressado
Já nem vejo os jogos na TV, muito menos me apanhas no estádio
O desinteresse começou esta temporada
Quando eu via o Sporting a levar abadas jornada após jornada
Com aquele futebol dormente, burocrático, improdutivo
Depois dizem-me que o Paulo Bento é muito táctico e científico?
Nah Paulo Bento ouve, tu és básico e ridículo
Inválido sem sentido, inábil e sem currículo
Vê se fazes um curso de treinador a sério Paulo
Porque esse teu esquema é burro nem quando ganhas tu tens mérito, Paulo
Como é que podes um gajo como o Ronny a defesa esquerdo
Esse lateral vegetal que mal ataca, mal defende
Insonso e lento, só safa mesmo nos cruzamentos
Tonto e pachorrento como a passada dum jumento
Às vezes parece mesmo que esse teu cérebro só tem pó
Ninguém percebe como que pões a jogar um gajo como o Djaló, Paulo
Diz-lhe que ele é tecnicamente um cataclismo
E que um campo de futebol n é uma pista de atletismo
Djaló, serias bom se isto fosse uma Liga de crianças
E se tivesses um talento do tamanho das tuas tranças
Refrão:
Baza Correr com o Paulo Bento
Lenços Brancos no ar, baza correr com o Paulo Bento
Baza correr com o Paulo Bento
Merecemos bem mais, baza correr com o Paulo Bento
Baza correr com o Paulo Bento
Tomates e assobios, baza correr com o Paulo Bento
Baza correr com o Paulo bento
Sportinguistas, baza correr com o Paulo Bento

Degradas o plantel com Farneruds e Pereirinhas
Não és treinador para este clube vai treinar o Fontainhas Paulo
A crise n é da agora desde o inicio que tu já vinhas mal
"É preciso tranquilidade", acaba com essas ladainhas Paulo
Fizeram do Freitas bode expiatório
Como se fosse o Freitas a dar ordens no balneário
Assume a culpa a equipa não tem estratégia ofensiva
Só tens fé nesse losango suicida, nunca tens alternativa
O Porto já está a milhas há muito que saímos da briga
E dizes que ainda temos um grande objectivo, qual é? A Taça da Liga?
Fizeste um plantel sem um único extremo de raiz
Nah, é o pereirinha o nosso extremo de raiz
O Douala pertencia aos quadros até ao fecho do mercado
dispensaste-o como se o plantel já tivesse excesso de qualidade
Misturas a qualidade do Moutinho, Veloso e Romagnoli
Com a mediocridade do Farnerud, Djaló e Ronny
Tu sabes que em corridas de cavalos não se devem por pôneis
Até me fazes ter saudades do Peseiro e do Boloni
Já chega Paulo, vê-se bazas daqui para fora
Antes que isto acabe mal com tomates na tua cara

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Ronaldo: O Eterno Camisa 1 do Corinthians


Em 07 de fevereiro de 1988 estreava com a camisa 1 do Corinthians, meu primeiro grande ídolo no mundo do ludopédio: Ronaldo Soares Giovanelli, ou simplesmente Ronaldo. Num empate, em jogo amistoso com o São José, o então terceiro goleiro do time profissional do Corinthians iniciava sua trajetória de 601 jogos com o manto alvinegro.

Era reserva de Valdir Peres e Carlos, dois goleiros consagrados, titulares nas campanhas da seleção brasileira nas Copas do Mundo de 1982 e 1986.

Com a dispensa de Valdir e as sucessivas convocações de Carlos para a seleção, tornou-se então titular da meta alvinegra.

Consagrou-se, com apenas 20 anos de idade, defendendo um pênalti de Dario Pereyra na abertura do Campeonato Paulista do mesmo ano, no clássico contra o São Paulo. Era apenas um prenúncio do sucesso que culminaria com o título, que também consagraria outro jovem valor que se tornaria ídolo: Viola.

Com apenas 22 anos foi fundamental – junto com Neto – na conquista do Campeonato Brasileiro de 1990, inclusive sendo ganhador da tradicional Bola de Prata da revista Placar.

Era conhecido por defesas espetaculares e também por seu temperamento explosivo. Muito provavelmente foi por isso, poucas vezes convocado para a seleção brasileira, mesmo sendo um dos principais arqueiros do país no início da década de 1990.

Foi um dos precursores dos goleiros que saiam jogando muito bem com os pés. Arriscava dribles dentro da área que dava calafrios na Fiel, ao mesmo tempo em que a levava a loucura. Fazia excelentes lançamentos, atuando muitas vezes como um “quase-líbero” do time.

Após 601 partidas no gol corinthiano, o que o tornou o terceiro atleta a mais vestir o manto sagrado, atrás apenas de dois mitos como Wladimir e Luizinho, foi fritado no clube em 1998 a mando do então técnico Vanderlei Luxemburgo.

Mesmo tendo uma dispensa indigna de sua carreira irretocável no clube em que foi titular por 10 anos, se encontra no panteão dos imortais que vestiram a camisa do Corinthians: Luizinho, Neco, Gilmar, Rivellino, Wladimir, Sócrates e porque não seu xará Ronaldo Fenômeno?!

Parabéns Ronaldo Soares Giovanelli pelos 25 anos de sua estréia pelo Todo Poderoso. Você foi inspiração de muitos garotos com pouca habilidade nos pés e que mandava bem debaixo das traves, como eu, e quando faziam uma defesa difícil gritavam assim como Osmar Santos: Ronaaaaaaaaaaldo!

Segue um vídeo com alguns lances do eterno camisa 1 do Corinthians. A qualidade não é das melhores, mas para os da nova geração serve para ter uma idéia da grandeza dele nos gramados:

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Amém, Marcos!

"Jamais vou conseguir agradecer por isso, peço que nunca se esqueçam de mim, porque nunca vou me esquecer de vocês."

Foi com essa frase dita num Pacaembu lotado, que Marcos fez sua última partida pelo Palmeiras. O jogo era o time do Palmeiras de 1999 e a Seleção Brasileira de 2002, representando os dois maiores títulos de uma carreira iniciada em 1992, a Libertadores e a Copa do Mundo. O resultado pouco importava, muito menos quem fariam os gols, exceto por um detalhe, quando Edmundo foi derrubado na área por Beletti e a juíza Ana Paula de Oliveira marcou o pênalti a favor do Palmeiras. A torcida e os jogadores em uníssono pediram a Marcos que efetuasse a cobrança, muito reticente ele partiu e marcou, com um chute forte no meio do gol. Isso foi o bastante para o público ir ao delírio, inclusive este que vos relata, era um dos presentes naquela noite iluminada pelos deuses.

Marcos conseguiu extrapolar a barreira da admiração de um único time, há quem diga não gostar dele, mas esse tipo de gente não deve gostar nem de si mesmos, nem de nada. O que é mais bonito no caráter de Marcos é o modo simples como o caipira enxerga a vida, isso cativa todos à sua volta e sua presença é sempre certeza de alegria e de bons causos.

Poderia aqui ficar dias falando sobre o que Marcos representa na minha vida, como torcedor palmeirense e amante do bom futebol, mas tenho certeza de que a homenagem recebida nesta noite só foi uma pequena demonstração do carinho e admiração que todos temos por ele e por tudo que ele fez em nome do futebol.

E, pode estar certo, Marcos, nunca vamos te esquecer! 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O Forasteiro do Cangaço

Sousa e Martins


O sonho de todo jogador é vestir a camisa da Seleção Brasileira, mas nem todo jogador que a veste está no sonho da torcida. É o caso do zagueiro Durval, que estreou como titular do Brasil contra a Argentina no Super Clássico das Américas, em que o escrete Canarinho venceu na cobrança de pênaltis.

Durval, o homem que consegue marcar dois gols contra em duas finais de Libertadores em 2005 e 2011, é também um predestinado, tem em seu histórico 10 títulos estaduais consecutivos pelo Botafogo-PB (2003), Brasiliense (2004), Atlético-PR (2005), Sport Recife (2006 a 2009) e Santos (2010 a 2012).

Está bem longe de ser um craque. Entretanto, com esse decréscimo qualitativo do futebol brasileiro nas últimas décadas, também não pode ser taxado como perna-de-pau. Não compromete e faz bem sua função, de vez em quando, até consegue marcar seus golzinhos.

Dificilmente será convocado para a Copa das Confederações em 2013 ou para a Copa do Mundo em 2014. No entanto, isso pouco importa.

Durval encarna o anti-herói. Tímido, humilde e sem nenhum apelo mercadológico como seu companheiro de time Neymar, não provoca gritos histéricos das adolescentes que sonham em ser suas princesas encantadas.

Contudo, quantos sorrisos ele não deve ter arrancado de seus conterrâneos na pequena Cruz do Espírito Santo, na Paraíba e em todo o nordeste brasileiro?

Enquanto para a maioria dos torcedores brasileiros simboliza o anti-futebol, o brucutu, um mal que deve ser extirpado do futebol brasileiro, para outros ele encarna a bravura e o senso de honradez, digno de um herói popular.
Qualquer semelhança com o Cangaço, não é mera coincidência.

Apesar da crítica dos “especialistas de plantão”, temos quase certeza que houve festa na sua cidade natal. Outra semelhança com os famosos cangaceiros do sertão nordestino. Mas acreditamos que muito mais pela convocação de seu filho do que pela conquista canarinho.

A Seleção Brasileira, para nós torcedores brasileiros, tem perdido cada vez mais seu valor. O quem tem valido nos últimos anos são justamente essas histórias particulares (talvez reflexo dessa nossa sociedade cada vez mais individualista?). E nada mais foi tão bacana na noite de quarta do que o depoimento com voz embargada do emocionado Durval após o final da partida.


terça-feira, 30 de outubro de 2012

04 de maio de 2006 - Parte 2


Por AMFP e Martins

Quando o Corinthians parecia próximo de marcar outro gol, o River matou o jogo com outro gol, agora de Higuaín que se tornaria o carrasco do Timão, num contra-ataque rápido.

Protestos e vaias começaram a ecoar nas arquibancadas. Nessa hora eu já estava em um momento catártico e confesso que só me lembro de relance o que ocorria em meu redor.

Em outro contra-ataque, o golpe de misericórdia: Higuaín marcou o terceiro gol do River.

A partir disso, o clima no estádio ficou pesadíssimo. Pressenti que algo de ruim parecia próximo e resolvi que iria embora antes do jogo terminar. Ia voltar de transporte público mesmo, não iria esperar o pessoal da organizada. Só queria chegar logo na minha casa, com o coração destruído mais uma vez, por uma das derrotas mais sofridas que vi no estádio.

Em todas as minhas idas ao estádio acompanhar o Corinthians, era a primeira e única vez que saí antes do jogo terminar. Na verdade, não consegui sair...

Lembro que o gol que sacramentava a vitória inconteste do River e a eliminação do Corinthians bateu em mim como um meteoro. Do gol adversário, lembro apenas do som de desgosto da torcida. Nesse momento, por mais estranho que possa parecer, entrei em algum tipo de estado de choque, que deve ter contribuído para a alteração já citada de minhas lembranças desse dia.

Quando estava me dirigindo ao portal principal, fui interceptado por uma horda de corinthianos vindos das arquibancadas amarelas e verdes. Num piscar de olhos, me vi no meio da multidão, um monstro sem rosto e coração como diria Mano Brown. Comecei a ser espremido e empurrado: não pensei duas vezes! Como sou macaco velho de estádio, comecei a empurrar, xingar...fui tomado por aquela ira coletiva que pairava no Pacaembu aquela noite.

Depois de contidos por uma dúzia de PM’s, a multidão se dispersou. Eu, entre eles.

Da indesejável reação do gol argentino até ser chamado à realidade por meu amigo, no momento da dispersão da torcida subindo as arquibancadas, não consigo lembrar de nada.

Quando retomei consciência de si, rumei para o portão principal, cabisbaixo. E dores, muitas dores: pela derrota sofrida e pelos empurrões e borrachadas entre a multitudão.

Por onde saí do estádio, não sei. Como era acostumado nos jogos de quarta-feira em que íamos eu e Bro’z, por morarmos perto ele me deixava em casa. Mesmo forçando, não consigo lembrar do caminho ou algo do tipo, se conversamos no trajeto. O que sei é que amanheci em casa. Triste. Foi a primeira derrota realmente sentida que acompanhei no estádio. As outras, contando a Copa do Brasil do ano anterior, superei como se fossem acidentes normais de percurso. Essa não...