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terça-feira, 16 de junho de 2015

Dezesseis anos depois

Há 16 anos atrás, eu era um garoto de 16 anos que morava longe de São Paulo, cidade que foi o palco daquela final de Libertadores, na noite de 16 de junho. A possibilidade da conquista de um título inédito do meu time era a maior motivação que eu podia ter até então. E, como a maioria das glórias alcançadas, só poderia vir com aquela carga de sofrimento que só os deuses são capazes de enviar.

E o Palmeiras no ardor da partida, tendo perdido a primeira partida por 1x0 para o Deportivo Cali na Colômbia, no saudoso Stadium Palestra Italia, fez 1x0 com Evair, tomou o empate e conseguiu, com Oséas, levar a partida para os pênaltis.

Dali em diante fica difícil lembrar com exatidão dos detalhes da partida. É a hora em que a noção de tempo e espaço se esvai, a realidade perde a forma, o universo inteiro se resume a uma coisa chamada disputa de pênaltis. No gol palmeirense todas as apostas na santidade de Marcos. Marcos era 12. O dia 16. Do outro lado o colombiano Zapata encarregado da última cobrança. Ele partiu para a bola e chutou. Marcos de um lado. Bola pra outro. Pra fora. Pra gritar. Pra morrer e reviver em uma questão de segundo. Pra ser Campeão da Libertadores. Pra 16 anos depois voltar a ser apenas um garoto de 16 anos, num dia 16.


sábado, 21 de junho de 2014

A Eterna Muralha

As mãos que tremem ao escrever este pequeno rascunho não são nada perto das gigantes mãos de um grande homem que se foi, e que nunca tremeu.
Estas mãos eram de Oberdan Cattani, a muralha verde palestrina, que proporcionou muitas alegrias, além do respeito e admiração de todos.
Vencedor por diversas vezes. Viu e fez do Palestra líder, o Palmeiras campeão. Um dos símbolos da "defesa que ninguém passa", ainda assim, ele passou e nos marcou, deixando o legado de amor incondicional e dedicação entre o homem e o esporte.

Seu Oberdan permanecerá vivo em nossos corações, como o grande P, no centro de seu peito.
Difícil escrever e descrever algo que foge da compreensão, o que nos resta é somente aplaudir e agradecer por tudo aquilo que o grande goleiro fez.



"Iniciei no Palestra e vesti a camisa do Palmeiras, o que representa muito mais do que amor.
Oberdan Cattani
12/06/1919
20/06/2014

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Mandela

Há poucas semanas falávamos sobre o racismo no futebol - post anterior - e ontem nos deparamos com a partida de Nelson Mandela, que dispensa maiores apresentações. Como singela homenagem a um dos maiores líderes políticos de todos os tempos, falaremos sobre o filme Invictus, que tem a direção de Clint Eastwood.

Invictus  conta a história do primeiro ano do mandato de Mandela como presidente da África do Sul, quatro anos após sua libertação.  O roteiro é de Anthony Peckham, baseado no livro "Conquistando o Inimigo" de John Carlin. Mandela acreditava no perdão como libertador da alma humana, sendo magistralmente interpretado por Morgan Freeman e tendo Matt Damon como o capitão da seleção sulafricana de rugby no filme.

Mandela percebe que mesmo com o fim do apartheid, a África do Sul ainda sofre com o racismo e com vários problemas econômicos. Na tentativa de unir a nação através do esporte, Madiba - como era chamado entre seu povo - incentiva o capitão do time a vencer o campeonato mundial de 1995.


"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar".
(Nelson Mandela - 1918-2013)

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Homenagem - Mauro Beting

No dia 2 de Setembro, o jornalista e comentarista Mauro Beting comemorou mais um aniversário. Na imprensa desde os anos 90, certamente você já o viu em algum canal de televisão, já o ouviu no rádio e já leu suas colunas no jornal e na internet, até mesmo nos videogames. Ele é unânime entre os que acompanham futebol, pelo modo imparcial como comenta e escreve, pelo senso de humor inteligente que lhe é peculiar. Nunca negou a ninguém que é palmeirense e nunca fez questão de ser lembrado por isso.


Juntamente com outros jornalistas, lançou há pouco tempo o canal CHUPA FC, em que sua veia cômica está ainda mais veemente, muito mais até do que sua vasta cabeleira. Além disso, é autor dos livros A Ira de Nasi, Nunca fui Santo, Bolas & Bocas - Frases de Craques e Bagres do Futebol, As Melhores Seleções Estrangeiras de Todos os TemposOs Dez Mais do Palmeiras, Fim do Jejum - Início da Lenda, entre outros.


O futebol é um esporte tão simples que, explicá-lo, paradoxalmente, é algo complicado, pois é necessário escapar do óbvio. Mauro faz isso exatamente como seu amado pai Joelmir fazia com a economia, consegue transcrever seus conceitos de forma palpável, plausível, prazerosa.

Mauro é exemplo de quem faz o que gosta e Beting é sinônimo de quem sabe como fazer. Orgulho de Joelmir e Lucila. Da esposa e filhos. Do jornalismo brasileiro, da torcida palmeirense, de todos amantes do futebol e espelho para quem tergiversa sobre História, Futebol e Futilidades. 


Parabéns, Mauro!

quinta-feira, 13 de junho de 2013

O dia em que dei um título para o Palmeiras

Dia 12 de Junho de 1993. Uma data histórica para todos os torcedores palmeirenses. Mais do que um simples dia dos namorados, esse dia se eternizaria por quebrar um jejum de 17 anos da equipe alviverde frente ao seu maior rival Corinthians, um 4x0 de um dos jogos mais eletrizantes entre os dois times, um clássico de tirar o fôlego de milhões de pessoas em todo o país.

Ontem comemorou-se 20 anos deste feito homérico. E esta epopéia palestrina foi contada de maneira brilhante representada na figura daquele que foi uns dos maiores centroavantes que o Palmeiras teve, cuja camisa número 9 era o símbolo de um guerreiro, de um artilheiro, de um matador, de um Evair. E ele mesmo nos conta nessa obra como foi a sua chegada ao Palmeiras, todos os percalços pelos quais teve que passar (e superar) para ser o grande representante da conquista de 1993.

Se, no campo, Evair contava com Zinho e Edmundo para arrasar as defesas adversárias, aqui ele forma outra parceria de imenso sucesso e talento, com o jornalista Mauro Beting e o historiador Fernando Galuppo, que nos fazem reviver toda a atmosfera daquela galáxia composta pelo próprio Evair e as demais estrelas palmeirenses.

À esta altura você deve estar se perguntando o que o título do post tem a ver com tudo isso. É muito simples e também muito louco. A poucos meses antes do lançamento da obra, Evair, lançou nas redes sociais que alguém sugerisse o nome do título do livro. O escolhido foi: Fim do Jejum, Início da Lenda.  E o autor foi este humilde blogueiro que vos escreve agora. A emoção foi muito grande e com certeza será eterna, como é a minha admiração por esses três palmeirenses (Evair, Beting e Galuppo). O primeiro fez história, os outros dois a contaram com extrema maestria e eu procurei resumir o sentimento de uma vida em uma frase pois, naquele 12 de junho, uma lenda nasceu.


SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS
1993 - Fim do Jejum, Início da Lenda
Evair Aparecido Paulino, Mauro Beting e Fernando Razzo Galuppo
BB Editora
178 páginas
2013

sábado, 20 de abril de 2013

A Moleca Travessa

       Nosso post de hoje é uma sugestão da leitora Mylena Fantini, torcedora do Juventus, que nos conta um pouco da sua paixão pelo famoso time da Moóca. Faça como ela, nos conte sua história e, quem sabe, suas palavras serão as nossas. Abraços!



"Bom, no dia 20/04 o meu time comemora 89 anos ... Gostaria de comemorar de uma outra forma esse ano. Infelizmente o Juventus voltou novamente pra A3 .. Mas, enfim, meu amor pelo Juventus é igual amor bandido, mesmo depois de quedas, sei que o sentimento é o mesmo.
Pra quem não conhece, contarei uma breve história de como meu time foi fundado. O time foi fundado aqui na Mooca, bairro com influências operárias desde a imigração.

O Juventus foi fundado com um propósito: Garantir um entretenimento para os funcionários da fábrica de tecidos da tradicional família Crespi (prédio que hoje em dia é o Extra Mooca). Por isso, o estádio do Juve tem o nome de “Estádio Conde Rodolfo Crespi.”
O Clube Atlético Juventus só ganhou esse nome e a famosa cor grená quase 6 anos depois da fundação. Em 1930 entramos de vez na elite do futebol estadual, com o jogo de Juventus x Santos, lá na Vila Belmiro, disputando o Campeonato Paulista da Divisão Principal. 
Já indo ao ano de 1982, o Juventus fez a melhor campanha no Campeonato Paulista, garantindo o time jogar a taça de Ouro de 1983, aonde jogamos com os tradicionais times brasileiros. Ganhamos a taça de Prata de 83. Como dizem “O maior orgulho do Moleque Travesso na História” .
Já em 2012 tivemos acesso à A2, porém a felicidade não durou muito.. 
Como já havia dito, voltamos para o inferno da A3, mas são nas quedas que o amor verdadeiro prevalece.
Em homenagem ao meu time e ao meu amor verdadeiro, eu fiz uma tatto com o ano que o Juve foi fundado =)
Indo mais adiante, em 2005 fomos campeões da A2. Jogo memorável ! (Meu coração até palpita de lembrar). Em 2007 fomos campeões da Copinha, porém esses dias bons tiveram fim em 2008 e 2009, pois foram anos péssimos pro meu Juve, fomos rebaixados para a A2 e um ano depois para a A3.
O Juventus para mim é além de um time. Simplesmente representa um pedaço de história que vem sido apagada com a verticalização mooquense.
Torcer para o Juventus é lutar para que o tradicionalismo não acabe e que as coisas simples da vida criem um valor único, é lembrar sempre dos momentos em família, é saber que você pode apoiar o time cara a cara, é saber que irão ouvir você torcendo ou xingando. 
Torcer pro Juventus me faz sentir que realmente sou torcedora de futebol."




sexta-feira, 12 de abril de 2013

Ao Ídolo Com Carinho

Geralmente nós ou a imprensa e a mídia de um modo geral ou, por que não dizer, o mundo todo, sempre homenageiam um ídolo quando da partida deste. Essa homenagem se resume a um, dois dias e depois fica no esquecimento. Mas e quando o homenageado é alguém que transpõe essa linha, tornando-se imortal? É disso que pretendo tratar com você hoje, que acompanha o FutHistFut.

Se nosso ídolo morreu é porque ele então não era de fato nosso ídolo. Eles não morrem. Digamos que fique mais difícil de conseguir um autógrafo, tirar uma foto, mas ele está lá, ou melhor, está aqui, dentro da memória de cada fã, de cada pessoa que admirava seu trabalho.



Joelmir Beting é um desses heróis. Herói economista. Por que? Ele nos salvou da inflação? Não, mas ele ajudou a entendê-la, com sua maestria em decifrar linguagens extensas e complexas e transformá-las num bate-papo informal durante anos na TV e no rádio. Me lembro da minha infância, de ouvir aquele homem falando no telejornal sem saber uma palavra sequer do assunto mas com uma atenção imensa naquele modo simples de falar que cativara não só a mim, como a todos os que estavam na sala.

Jornalista e eterno palmeirense, cujo amor o fez deixar o jornalismo esportivo, ainda assim tenho a certeza de que tinha e tem orgulho do filho Mauro que seguiu a mesma profissão, a mesma paixão. Paixão essa que começa com P de Palestra, P de Palmeiras, P de Pai, do qual também sempre me orgulho do meu.

Eu termino o post homenageando a Família Beting pela importância na história do jornalismo e também do Palmeiras e deixo uma das célebres frases do Seo Joelmir:

"Explicar a emoção de ser palmeirense, a um palmeirense, é totalmente desnecessário. E a quem não é palmeirense... É simplesmente impossível!".

domingo, 3 de março de 2013

Heleno: O Príncipe Maldito



"Heleno" foge do lugar comum dos filmes brasileiros, trazendo a história do que seria um dos primeiros "jogadores problema" do futebol.
Heleno de Freitas era formado em Direito, vindo de família rica e vaidoso. Nada muito a ver com a maioria dos boleiros que em grande parte não tem acesso à educação ou deixam de lado mesmo quando começam a jogar bola.

O grande destaque do primeiro "bad boy" foi no Botafogo, clube onde despontou e teve suas melhores fases, tanto no campo quanto no extra-campo. Ao longo de sua curta carreira, colecionou gols e mulheres. Fez 209 gols em 235 partidas, uma marca realmente impressionante e teve muitos casos amorosos, frutos de sua "boa pinta", classe social, e, claro, sua agitada vida noturna na boêmia carioca.

Sua saída de General Severiano se deu em 1948, a maior transferência do futebol brasileiro até então, para o Boca Juniors, da Argentina, onde teria conhecido Eva Perón, supostamente mais um de seus casos. Sua passagem pelo Boca foi curta e logo no ano seguinte Heleno voltava ao Brasil, para defender um alvinegro, mas dessa vez o Vasco da Gama. A glória tão buscada no Botafogo veio então no Vasco, um título carioca, o único por clubes da carreira de Heleno.

Assim como deveria ser com qualquer jogador, Heleno tinha o sonho de disputar um mundial de clubes, o que não ocorreu devido ao cancelamento do mundial graças a Segunda Guerra Mundial. Heleno fica extremamente frustado mas ao mesmo tempo obcecado pela copa em 50 que seria disputada no Brasil.

Sífilis. Com uma palavra podemos encerrar a carreira de um dos melhores jogadores brasileiros antes dos títulos mundiais. Sua vida cheia de prazeres o castigou com a contração de sífilis e o posterior agravamento da doença que naquela época carecia em tratamentos efetivos. Assim, a doença o deixa em um sanatório em seus últimos seis anos de vida, em Barbacena. A obsessão em jogar a Copa no Brasil passou ao desejo de jogar ao menos uma partida no maior estádio do mundo, o Maracanã, o que conseguiu por alguns minutos com a camisa do América...

A dedicação e a obsessão de Heleno em ser o melhor jogador de seu tempo e a gana de representar seu clube e seu país, parecem apenas utopias em tempos hodiernos. O desleixo, a despreocupação e o não comprometimento dos nossos atletas nos últimos 20 anos tomou o lugar do "amor à camisa". Claro que não generalizo. Sem dúvidas que Marcos, Rogério Ceni, Harley ou até mesmo um Émerson Sheik ou Tevez, que têm amor pelo que fazem e jogam como se fosse o últimos jogo de suas carreiras ainda existem, mas são cada vez mais raros; assim como no tempo de Heleno não eram todos jogadores que tinham sua dedicação.

Mas, sem dúvidas, eram em maior número do que hoje...

(Post simultaneamente publicado em http://ehtudohistoria.blogspot.com.br/)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Ronaldo: O Eterno Camisa 1 do Corinthians


Em 07 de fevereiro de 1988 estreava com a camisa 1 do Corinthians, meu primeiro grande ídolo no mundo do ludopédio: Ronaldo Soares Giovanelli, ou simplesmente Ronaldo. Num empate, em jogo amistoso com o São José, o então terceiro goleiro do time profissional do Corinthians iniciava sua trajetória de 601 jogos com o manto alvinegro.

Era reserva de Valdir Peres e Carlos, dois goleiros consagrados, titulares nas campanhas da seleção brasileira nas Copas do Mundo de 1982 e 1986.

Com a dispensa de Valdir e as sucessivas convocações de Carlos para a seleção, tornou-se então titular da meta alvinegra.

Consagrou-se, com apenas 20 anos de idade, defendendo um pênalti de Dario Pereyra na abertura do Campeonato Paulista do mesmo ano, no clássico contra o São Paulo. Era apenas um prenúncio do sucesso que culminaria com o título, que também consagraria outro jovem valor que se tornaria ídolo: Viola.

Com apenas 22 anos foi fundamental – junto com Neto – na conquista do Campeonato Brasileiro de 1990, inclusive sendo ganhador da tradicional Bola de Prata da revista Placar.

Era conhecido por defesas espetaculares e também por seu temperamento explosivo. Muito provavelmente foi por isso, poucas vezes convocado para a seleção brasileira, mesmo sendo um dos principais arqueiros do país no início da década de 1990.

Foi um dos precursores dos goleiros que saiam jogando muito bem com os pés. Arriscava dribles dentro da área que dava calafrios na Fiel, ao mesmo tempo em que a levava a loucura. Fazia excelentes lançamentos, atuando muitas vezes como um “quase-líbero” do time.

Após 601 partidas no gol corinthiano, o que o tornou o terceiro atleta a mais vestir o manto sagrado, atrás apenas de dois mitos como Wladimir e Luizinho, foi fritado no clube em 1998 a mando do então técnico Vanderlei Luxemburgo.

Mesmo tendo uma dispensa indigna de sua carreira irretocável no clube em que foi titular por 10 anos, se encontra no panteão dos imortais que vestiram a camisa do Corinthians: Luizinho, Neco, Gilmar, Rivellino, Wladimir, Sócrates e porque não seu xará Ronaldo Fenômeno?!

Parabéns Ronaldo Soares Giovanelli pelos 25 anos de sua estréia pelo Todo Poderoso. Você foi inspiração de muitos garotos com pouca habilidade nos pés e que mandava bem debaixo das traves, como eu, e quando faziam uma defesa difícil gritavam assim como Osmar Santos: Ronaaaaaaaaaaldo!

Segue um vídeo com alguns lances do eterno camisa 1 do Corinthians. A qualidade não é das melhores, mas para os da nova geração serve para ter uma idéia da grandeza dele nos gramados:

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Amém, Marcos!

"Jamais vou conseguir agradecer por isso, peço que nunca se esqueçam de mim, porque nunca vou me esquecer de vocês."

Foi com essa frase dita num Pacaembu lotado, que Marcos fez sua última partida pelo Palmeiras. O jogo era o time do Palmeiras de 1999 e a Seleção Brasileira de 2002, representando os dois maiores títulos de uma carreira iniciada em 1992, a Libertadores e a Copa do Mundo. O resultado pouco importava, muito menos quem fariam os gols, exceto por um detalhe, quando Edmundo foi derrubado na área por Beletti e a juíza Ana Paula de Oliveira marcou o pênalti a favor do Palmeiras. A torcida e os jogadores em uníssono pediram a Marcos que efetuasse a cobrança, muito reticente ele partiu e marcou, com um chute forte no meio do gol. Isso foi o bastante para o público ir ao delírio, inclusive este que vos relata, era um dos presentes naquela noite iluminada pelos deuses.

Marcos conseguiu extrapolar a barreira da admiração de um único time, há quem diga não gostar dele, mas esse tipo de gente não deve gostar nem de si mesmos, nem de nada. O que é mais bonito no caráter de Marcos é o modo simples como o caipira enxerga a vida, isso cativa todos à sua volta e sua presença é sempre certeza de alegria e de bons causos.

Poderia aqui ficar dias falando sobre o que Marcos representa na minha vida, como torcedor palmeirense e amante do bom futebol, mas tenho certeza de que a homenagem recebida nesta noite só foi uma pequena demonstração do carinho e admiração que todos temos por ele e por tudo que ele fez em nome do futebol.

E, pode estar certo, Marcos, nunca vamos te esquecer! 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O Forasteiro do Cangaço

Sousa e Martins


O sonho de todo jogador é vestir a camisa da Seleção Brasileira, mas nem todo jogador que a veste está no sonho da torcida. É o caso do zagueiro Durval, que estreou como titular do Brasil contra a Argentina no Super Clássico das Américas, em que o escrete Canarinho venceu na cobrança de pênaltis.

Durval, o homem que consegue marcar dois gols contra em duas finais de Libertadores em 2005 e 2011, é também um predestinado, tem em seu histórico 10 títulos estaduais consecutivos pelo Botafogo-PB (2003), Brasiliense (2004), Atlético-PR (2005), Sport Recife (2006 a 2009) e Santos (2010 a 2012).

Está bem longe de ser um craque. Entretanto, com esse decréscimo qualitativo do futebol brasileiro nas últimas décadas, também não pode ser taxado como perna-de-pau. Não compromete e faz bem sua função, de vez em quando, até consegue marcar seus golzinhos.

Dificilmente será convocado para a Copa das Confederações em 2013 ou para a Copa do Mundo em 2014. No entanto, isso pouco importa.

Durval encarna o anti-herói. Tímido, humilde e sem nenhum apelo mercadológico como seu companheiro de time Neymar, não provoca gritos histéricos das adolescentes que sonham em ser suas princesas encantadas.

Contudo, quantos sorrisos ele não deve ter arrancado de seus conterrâneos na pequena Cruz do Espírito Santo, na Paraíba e em todo o nordeste brasileiro?

Enquanto para a maioria dos torcedores brasileiros simboliza o anti-futebol, o brucutu, um mal que deve ser extirpado do futebol brasileiro, para outros ele encarna a bravura e o senso de honradez, digno de um herói popular.
Qualquer semelhança com o Cangaço, não é mera coincidência.

Apesar da crítica dos “especialistas de plantão”, temos quase certeza que houve festa na sua cidade natal. Outra semelhança com os famosos cangaceiros do sertão nordestino. Mas acreditamos que muito mais pela convocação de seu filho do que pela conquista canarinho.

A Seleção Brasileira, para nós torcedores brasileiros, tem perdido cada vez mais seu valor. O quem tem valido nos últimos anos são justamente essas histórias particulares (talvez reflexo dessa nossa sociedade cada vez mais individualista?). E nada mais foi tão bacana na noite de quarta do que o depoimento com voz embargada do emocionado Durval após o final da partida.


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Dica de Leitura #6


Nossa dica de leitura hoje também pode ser considerada uma homenagem a todos os leitores palmeirenses, aos amantes de futebol, aos devotos de um santo. Um homem simples, de uma cidade mais simples ainda, no interior de São Paulo, chamada Oriente. Este homem, filho do seu Ladislau e da dona Antonia, é Marcos Roberto Silveira Reis, o São Marcos de Palestra Itália.

Um santo consagrado pela torcida devido aos milagres embaixo das traves palestrinas e também da seleção brasileira que nos deu o penta em 2002, mas glorificado por seu caráter de saber levar a vida de um jeito humilde, fazendo dele uns dos poucos atletas do futebol admirado não só pela sua torcida.

Nunca gostou de ser chamado de santo e, sendo assim, Nunca Fui Santo é a obra assinada por um outro gênio, não dos campos, mas das palavras, o escritor e jornalista Mauro Beting, que teve a missão de transcrever as peripécias vividas por Marcos nos seus 39 anos completados no último dia 4, seja nos gramados ou fora deles.

São vários "causos", a maioria divertidíssimos, que fazem da leitura um bate-papo entre amigos sobre futebol, glória e dificuldades. Estas, sempre superadas com muito bom humor, como toda pessoa deve fazer, ainda que nunca venha a ser um santo.


NUNCA FUI SANTO
Mauro Beting
Universo dos Livros
167 páginas

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Homenagem ao Dia do Goleiro

Toda criança brasileira, lá em meados da década de 90, quando ia jogar bola na rua e usava seus chinelos nas mãos como luvas, quando defendia uma bola gritava sempre a mesma coisa: "TAFFAREL! SAI QUE É SUA, TAFFAREL!"

Nosso goleiro tetracampeão era muito inspirador, principalmente por suas defesas de pênaltis, sua especialidade. E, para nós, crianças, era sensacional gritar que o Brasil era campeão do mundo novamente após 24 anos de jejum, tornando o goleiro parte fundamental dessa idolatria.

Mas houve outros guarda-metas ao longo de nossa história que são tão heróis quanto os artilheiros e meias habilidosos que habitam a mente de todos aqueles amantes do futebol. Cada time tem o seu herói embaixo das traves e fica a critério do nosso leitor elencar qual foi o melhor goleiro da história de seu time.

Herói e vilão, duas faces de uma moeda, separada por uma linha muito tênue, a linha do gol. O goleiro que hoje faz milagres incríveis, não pode se dar ao luxo de cometer um mínimo erro, que pode culminar na derrocada de seu time. 

Todos nós já ouvimos que "onde o goleiro pisa, não nasce grama", porém, em suas mãos estão as esperanças de milhões de pessoas em cada defesa que faz. É treinado para ser perfeito, mas é só um homem que faz de tudo para evitar a maior alegria do futebol: o gol.

Nossa sincera homenagem a todos os goleiros do mundo, fazendo a alegria de uns e a tristeza de outros. Parabéns!

terça-feira, 3 de abril de 2012

Um Divino chamado Ademir


Hoje, na estreia de mais uma categoria em nosso blog, eu tenho a honra de falar sobre um dos maiores craques da história do Palmeiras, Ademir da Guia, que completa 70 anos nessa data.

Filho de Domingos da Guia, outro craque da bola, Ademir chegou ao Palmeiras em 1962, fazendo parte de um dos grandes times já montados em nosso país, fazendo frente ao temível Santos de Pelé, protagonizando excelentes partidas, bem diferentemente do que vemos hoje em dia.

Dono de uma categoria singular, colocando a bola onde queria e com tamanha beleza e desenvoltura, foi denominado "O Divino" e disputou 901 jogos e 153 gols no Palmeiras, encerrando a carreira em 1977, porém, voltou para mais um jogo em 1984. Em 1992, ganhou um busto nos jardins do Parque Antarctica, como homenagem ao que consideram o maior jogador do Palmeiras de todos os tempos.

Infelizmente não tive a oportunidade de vê-lo jogar ao vivo, mas é muito bom poder ouvir as histórias dos torcedores mais antigos, além de reportagens e matérias na tv e internet, sobre o modo como Ademir conduzia a bola e sua maneira de jogar.

Num esporte hoje marcado mais pela força do que pela técnica, esses craques da antiga, como Ademir, merecem muito mais do que uma simples homenagem, estão num patamar junto dos grandes deuses do futebol.