quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Festas!!!

Fim de ano, época de festa e alegria em todos os cantos do mundo. Tempo também de refletir e pensar no ano que passou e tirar várias lições para o ano novo que se aproxima.

Em nome da equipe do blog Futebol, História e Futilidades, desejamos a todos os leitores um excelente final de ano e que todos vocês sejam muito felizes.

Voltaremos em Janeiro, após as festas e também as ressacas!!!

Um grande abraço!!!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Amém, Marcos!

"Jamais vou conseguir agradecer por isso, peço que nunca se esqueçam de mim, porque nunca vou me esquecer de vocês."

Foi com essa frase dita num Pacaembu lotado, que Marcos fez sua última partida pelo Palmeiras. O jogo era o time do Palmeiras de 1999 e a Seleção Brasileira de 2002, representando os dois maiores títulos de uma carreira iniciada em 1992, a Libertadores e a Copa do Mundo. O resultado pouco importava, muito menos quem fariam os gols, exceto por um detalhe, quando Edmundo foi derrubado na área por Beletti e a juíza Ana Paula de Oliveira marcou o pênalti a favor do Palmeiras. A torcida e os jogadores em uníssono pediram a Marcos que efetuasse a cobrança, muito reticente ele partiu e marcou, com um chute forte no meio do gol. Isso foi o bastante para o público ir ao delírio, inclusive este que vos relata, era um dos presentes naquela noite iluminada pelos deuses.

Marcos conseguiu extrapolar a barreira da admiração de um único time, há quem diga não gostar dele, mas esse tipo de gente não deve gostar nem de si mesmos, nem de nada. O que é mais bonito no caráter de Marcos é o modo simples como o caipira enxerga a vida, isso cativa todos à sua volta e sua presença é sempre certeza de alegria e de bons causos.

Poderia aqui ficar dias falando sobre o que Marcos representa na minha vida, como torcedor palmeirense e amante do bom futebol, mas tenho certeza de que a homenagem recebida nesta noite só foi uma pequena demonstração do carinho e admiração que todos temos por ele e por tudo que ele fez em nome do futebol.

E, pode estar certo, Marcos, nunca vamos te esquecer! 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

"O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball)" x Estatísticas no futebol

Assim como as críticas de filme começam praticamente todas com um "cabeçalho", começarei nesse modelo por aqui também:


"O Homem que Mudou o Jogo", título original "Moneyball", é um filme estadunidense de 2011, estrelado por Brad Pitt, no papel de Billy Beane, gerente do  Oakland A's na temporada de 2002. Beane tem que montar um time competitivo, à revelia de um orçamento que chega a ser 1/3 do das grandes equipes da liga.
Muito bem, a história é essa. Mas qual esporte é o dos A's? Beisebol.
A pergunta de 1 milhão de dólares então seria: E o que um filme que fala sobre beisebol faz num blog dedicado a "História, Futebol e Futilidades"? A resposta se resume a uma palavra: Estatísticas.
As estatísticas são utilizadas na hora de selecionar os jogadores para o time levando em conta estritamente a sua função e posição no campo de jogo. Não entendo lhufas de beisebol, mas a ideia é bem interessante: um jogador que tem em sua função apenas rebater a bola, precisa saber lançar ou receber? A resposta, segundo Peter Brand (Jonah Hill), o coadjuvante do filme, é não. Um rebatedor que tem bom aproveitamento em rebatidas que resultam em pontos é um jogador a ser contratado; por eventualmente não conseguir grande desempenho em lançamentos ou algo do tipo, esse jogador então seria barato, já que o pensamento até então seria o de que os jogadores a contratar seriam aqueles mais "completos".
Após muita resistência e percalços, com essa filosofia a dupla Beane/Brand consegue 20 vitórias consecutivas, um recorde na liga americana. Ao final da temporada, Beane recebe uma proposta do Boston Red Sox, o que o tornaria o gerente mais bem pago da história. Ele recusa a oferta, permanecendo em Oakland, e dois anos depois, baseando-se nas idéias de Brand e Beane, o Red Sox é campeão.

Para além da qualidade fílmica (fotografia, roteiro, atores e etc), o filme traz uma questão bastante interessante que talvez possa ser extrapolada ao futebol, por exemplo. Todos querem ter Messi, Cristiano Ronaldo e Iniesta em seus times, porém, ter esse tipo de jogador é muito caro. A saída então para os times com menos recursos poderia ser encontrada na análise das características dos jogadores de forma absolutamente racional? Para mim, sim.
Quais as qualidades do volante Ralf, do Corinthians? Desarme e marcação. Qual função ele desempenha em campo? Primeiro volante, que requer "desarme e marcação". Assim como Pierre, ex-Palmeiras, atual Atlético-MG, Ralf não possui boas habilidades de passe ou drible; porém, se observarmos sua função em campo, essas qualidades não são requeridas, do mesmo modo que Iniesta não precisar saber dar botes ou Cristiano Ronaldo tirar bolas de cabeça em sua área. Por mais que pareça algo óbvio, nem sempre essa observação é feita, o que resulta em contratações desastrosas, como por exemplo, Daniel Carvalho pelo Palmeiras. Daniel não é péssimo em nada, apenas no peso. Como um meia que tem a responsabilidade de organizar o jogo e puxar o time pode não ser ágil?

Assim como no filme, apenas estatísticas não bastam nas horas de decisão. Por outro lado, apenas o individual também não. O conceito de equipe coesa, com funções e obrigações bem definidas é colocado no filme como sendo a chave do sucesso do A's. Se observarmos a Inter de Milão 09/10 com Mourinho, o Brasil 94/02 e o Corinthians 11/12, o conceito de equipe está bem claro. Nessas equipes, quando muito existiam 2 craques que desequilibravam as partidas: Sneijder e Etoo; Bebeto e Romário; Ronaldo e Rivaldo; Emerson e Paulinho. O resto do time ficava longe de ser constituído de craques. Em alguns casos encontramos até jogadores que fora daquele contexto, não seriam nem titulares.

Supertimes dão certo? Sem dúvidas. Os "galácticos" do Real Madrid (01 - 07, 09 - ), provam isso. Contudo, não parece que será possível contratar um Zidane, Ronaldo, Figo e Beckham por 200 milhões de euros em um contexto em que a UEFA vem com o "Fair Play financeiro". Não obstante, dirigentes vivem reclamando que não dá para montar uma equipe competitiva para a disputa do campeonato brasileiro sendo que a receita de seu time é em alguns casos 20% da dos times de ponta. Como resolver?

Além de acessar o futhistfut.blogspot.com, acho que os dirigentes deveriam assistir ao "Moneyball" acompanhados de leituras sobre "Periodização Tática", também já comentada no citado blog...

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O Forasteiro do Cangaço

Sousa e Martins


O sonho de todo jogador é vestir a camisa da Seleção Brasileira, mas nem todo jogador que a veste está no sonho da torcida. É o caso do zagueiro Durval, que estreou como titular do Brasil contra a Argentina no Super Clássico das Américas, em que o escrete Canarinho venceu na cobrança de pênaltis.

Durval, o homem que consegue marcar dois gols contra em duas finais de Libertadores em 2005 e 2011, é também um predestinado, tem em seu histórico 10 títulos estaduais consecutivos pelo Botafogo-PB (2003), Brasiliense (2004), Atlético-PR (2005), Sport Recife (2006 a 2009) e Santos (2010 a 2012).

Está bem longe de ser um craque. Entretanto, com esse decréscimo qualitativo do futebol brasileiro nas últimas décadas, também não pode ser taxado como perna-de-pau. Não compromete e faz bem sua função, de vez em quando, até consegue marcar seus golzinhos.

Dificilmente será convocado para a Copa das Confederações em 2013 ou para a Copa do Mundo em 2014. No entanto, isso pouco importa.

Durval encarna o anti-herói. Tímido, humilde e sem nenhum apelo mercadológico como seu companheiro de time Neymar, não provoca gritos histéricos das adolescentes que sonham em ser suas princesas encantadas.

Contudo, quantos sorrisos ele não deve ter arrancado de seus conterrâneos na pequena Cruz do Espírito Santo, na Paraíba e em todo o nordeste brasileiro?

Enquanto para a maioria dos torcedores brasileiros simboliza o anti-futebol, o brucutu, um mal que deve ser extirpado do futebol brasileiro, para outros ele encarna a bravura e o senso de honradez, digno de um herói popular.
Qualquer semelhança com o Cangaço, não é mera coincidência.

Apesar da crítica dos “especialistas de plantão”, temos quase certeza que houve festa na sua cidade natal. Outra semelhança com os famosos cangaceiros do sertão nordestino. Mas acreditamos que muito mais pela convocação de seu filho do que pela conquista canarinho.

A Seleção Brasileira, para nós torcedores brasileiros, tem perdido cada vez mais seu valor. O quem tem valido nos últimos anos são justamente essas histórias particulares (talvez reflexo dessa nossa sociedade cada vez mais individualista?). E nada mais foi tão bacana na noite de quarta do que o depoimento com voz embargada do emocionado Durval após o final da partida.


domingo, 18 de novembro de 2012

A Queda

E chega ao fim o suplício da torcida palmeirense. Porém o time não caiu hoje. Não com tantos gols perdidos, falhas banais da zaga, erros de arbitragem, falta de qualidade dos atacantes na hora de finalizar. Caiu em 2002, ou antes ainda, com o fim da co-gestão com a Parmalat, a diretoria não teve capacidade ou quiçá intenção de manter  a qualidade de jogadores que fizeram do Palmeiras o campeão do século XX. 

Com a campanha da série B, o time voltou à elite com a esperança de tempos melhores. Passaram 10 anos do descenso, vieram um campeonato paulista, em 2008, em parceria com a Traffic e neste ano a Copa do Brasil. Também vieram times "bons e baratos", técnicos sem alguma expressão e também o que havia de melhor no mercado e, ainda assim, nada foi suficiente para reverter esta situação.

O Palmeiras tornou-se motivo de piada. O legado deixado por Ademir, Dudu, César, Edmundo, Marcos, Evair, Alex, Rivaldo etc foi aos poucos se esvaindo por vários motivos: a incompetência da diretoria, a violência da torcida, muitos jogadores que não souberam envergar o manto sagrado, não suportando o peso que a camisa alviverde carrega, fazendo do time um celeiro de jogadores genéricos, no nome e na bola.

Surgiram, dentro dessa balbúrdia, os chamados pseudo-ídolos, Valdivia e Kleber, vitoriosos no Paulista-08 e... só. Além disso, Diego Souza e Vágner Love saindo pela porta dos fundos, vítima de uma parte da torcida que acha que na porrada podem resolver alguma coisa. Podem sim, ajudar a afundar o time ainda mais. 

A reformulação, ou melhor, a revolução se faz mais que necessária. É imprescindível. Tem que ser agora. Chega de jogadores medíocres, de repatriar jogadores que já passaram e, principalmente, chega de uma diretoria omissa, desunida e que só pensa em benefício próprio em detrimento do clube.

Que venha a série B, que venha a Libertadores e que venha um Palmeiras de verdade pro ano que vem.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Fluminense: o Campeão Brasileiro de 2012


Numa conversa de boteco há uns três meses atrás, os autores desse blog, discutíamos se o Atlético-MG sendo campeão brasileiro de 2012 seria uma chaga para o futebol brasileiro, já que marcaria a redenção do Ronaldinho: a vitória do jogador insolente, que só joga quando tem vontade e faz sempre o que quer.

A divergência foi grande, mas passados três meses o campeão brasileiro deste ano saiu com três rodadas de antecedência: o Fluminense.

A pergunta que fica é: será que o título do Fluminense não seria também uma chaga para o futebol brasileiro?

Digo isso porque o triunfo do tricolor carioca é a redenção do amadorismo que marcam o futebol carioca: falta de estrutura para treinamentos, ingerência do dono do patrocinador no departamento de futebol, uma diretoria/presidência de fachada e uma grande injeção de recursos financeiros que saem do bolso do consumidor que contratam a operadora de plano de saúde e que muitas vezes não torcem pelo time carioca.

A maior folha salarial do Brasil é do time carioca e faz com que seja um excelente time de futebol, sem dúvidas. São R$7,5 milhões de reais por mês, sendo que R$5,5 milhões saem dos cofres da patrocinadora, que paga R$10 por consulta para os médicos cadastrados.

Ninguém nega que o time do Fluminense é muito bom e muito bem montado por Abel Braga. Ninguém nega que a campanha do tricolor carioca foi quase perfeita: apenas 3 derrotas em 35 jogos, incríveis 72,4% de aproveitamento.

Mas enfim.

Os atletas, comissão técnica e torcida merecem todos os cumprimentos pelo título e pela campanha.

Mas esse modelo de gestão merece ser questionado. Se a patrocinadora sair amanhã, o que vai ser do Fluminense?

Enquanto o dono da operadora de saúde brinca de cartola, o clube – enquanto instituição – se enfraquece.

A pergunta que fica é: será que a vitória do Fluminense é bom para o futebol brasileiro?

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Antiga Paixão

Por Sousa e Martins

Além do título do nosso blog, uma paixão em comum e bastante comentada em nossas mesas de bar são os carros. De preferência, os antigos, os clássicos. Eu venho de uma família bastante numerosa e quando criança me maravilhava ao ouvir as histórias vividas por meus tios em seus bólidos possantes. Alguns eu tive a oportunidade de ver e andar no banco de trás, já que nem tinha idade para tirar a habilitação, como dois Opalas lindos sendo um com o câmbio na coluna de direção, popularmente chamado de câmbio em cima, um Escort XR-3 vermelho, considerado carro de boy, entre tantos outros. Alguns nem nascido eu era, como os Mavericks que já estiveram na garagem e só sei através dos 'causos' contados em outras rodas de cerveja.
Como morei um tempo em Goiás à viagem a São Paulo de lá foi marcante. O ano era 1995 e nós fomos em um carro do ano, modelo top de linha: o russo Laika, da Lada. Um carro tão sui generis que a chave da ignição ficava do lado esquerdo. Sim! Você dá partida no carro virando a chave com a mão direita e nunca reparou nisso. Lá em Goiás, meu tio (são vários mesmo) tinha um fusquinha vermelho com volante de madeira lindo. Conforme o tempo foi passando, nós tínhamos um acordo: eu o ajudava a lavar o carro no fim de semana e ele começava a me ensinar a dirigir. E assim foi: com um Gol GL 94, um Uno Mille, até que passamos a ir pra fazenda com uma Ford Rural 76, uma das maiores diversões que o moleque de 17 anos morando no interior pode ter! A folga do volante dava uma volta completa e fazer curvas era algo sensacional, um verdadeiro rally na estrada de terra até a chegada da sede da fazenda. “Quem aprende a dirigir isso, dirige qualquer coisa” - dizia meu tio. E realmente você se acostuma a domar aquela fera.
Anos depois, já morando em São Paulo, recém-habilitado, surge uma festa feita pela turma do cursinho. “Pai, me empresta o carro?” – falei, mas sem muita pretensão. Quando vejo aquele chaveiro brilhando em sua mão, dizendo que podia ir sim. E aquele Santana GLS 95 só para mim foi uma sensação tão incrível que a festa mesmo ficou em segundo plano, eu queria era curtir essa liberdade sobre quatro rodas. Sem falar na magnífica Quantum, que até geladeira já carregou, com sua força e robustez, uma grande companheira, literalmente.
Hoje eu tenho uma relação intrínseca de amor e ódio com meu carro, o Gigante Guerreiro Palio, só quem nos conhece já sabe tudo o que passamos. E chegamos a conclusão de que realmente fomos feitos um para ou outro.
Assim como o Sousa, também nutro paixão por carros antigos. Aprendi a dirigir aos 12 anos, em um Fiat 147 azul bebê, modelo 1981 que era do meu avô paterno. Lembro da minha ansiedade nos finais de semana, quando esperava meu avô me dizer: “vamos manobrar o carro!” E lá ia eu todo feliz, em primeirinha, até o final da rua e voltando.
O tempo foi passando e eu aprendendo cada vez mais. Esse meu mesmo avô, tinha uma irmã que possuía um sítio na cidade de Socorro, interior de São Paulo. Íamos quase a todos os feriados e num desses, ele deu na minha mão o Corcel II, marrom escuro, modelo 1982 que está com ele até hoje. Fazia o trajeto da estrada de terra, entre a pista e o sítio e também servia de chofer para levá-lo a vendinha para tomar sua costumeira cachaça com limão, enquanto me deliciava com uma tubaína.
Não preciso nem dizer a emoção que era dirigir aquela barca, possante e super confortável.

Nesse ínterim dirigi muitas vezes o Fusca amarelo dos meus tios. Não me lembro bem o ano dele, mas me lembro que tinha uma ponteira de Dodge Dart e fazia um barulho absurdo. Nossa diversão era chegar a estacionamentos fechados – como os de shopping e grandes mercados – e esticar o motor, para logo em seguida reduzir a marcha bruscamente, apenas para “causar” no estacionamento.

Outro antigo, esse clássico, que dirigi foi uma TL, amarelo gema. Raridade. Sempre ficava ansioso para dirigir aquela beleza de carro e sonhava em herdá-lo dos meus pais. Infelizmente, minha alegria durou pouco, pois meu pai sofreu um acidente que deu perda total no veículo.

Assim fui crescendo e tomando gosto por carros antigos. O primeiro clássico que tive o gostinho de chamar de meu, foi um Gol AP, prata, modelo 1985. O carro não era meu de fato, mas do meu falecido e saudoso avô materno. Recebera o carro em troca de serviços prestados como construtor civil e como não dirigia, eu que praticamente utilizava o carro no dia a dia. Foi meu primeiro companheiro de viagens a Socorro e a Praia Grande nos feriados e fins de semana, meu primeiro companheiro de baladas na Chopperia Pólo Norte, na Cantareira, e também das pescarias em família.

Mas meu primeiro carro de verdade foi um Opala Comodoro, verde escuro, modelo 1985. Passei alguns anos juntando dinheiro para comprar um carro e esse caiu no meu colo. Amava aquele carro, com todo o seu estilo e seu conforto. A caranga chamava tanto a atenção, que gerou briga entre manobristas num restaurante para poder estacionar meu carro. Fora as inúmeras vezes que me paravam, com a seguinte pergunta: “vende?” Ou também os inúmeros olhares de satisfação de outros adoradores de carros clássicos, principalmente aqueles de mais idade que me acenavam pela rua.

Por fim, minha experiência findou-se com um Fusca, laranja, modelo 1972. A particularidade desse carro é que era movido a GNV e tinha bancos de couro do Vectra. Eu rodava a semana toda, de casa para o trabalho, do trabalho para a faculdade e de volta para casa com míseros cinco reais de combustível. Como todo Fusca, tinha suas gambiarras, como um pedaço de cabo de vassoura que usei para calçar os pedais. Mas mesmo assim nunca me deixou na mão e me levou para muitos lugares.

Infelizmente precisei vender, com dor no coração, meus dois últimos carros. Nunca mais comprei carro algum, mas espero em breve comprar outro antigo e novamente receber olhares de admiração e aprovação de outras pessoas, que assim como o Sousa e eu, nasceram para andar nos gloriosos velhinhos.

sábado, 3 de novembro de 2012

Ética no Futebol


Fim de campeonato chegando e a grande discussão do momento está nas mãos da CBF. Discussão essa fruto da mão do artilheiro, puxado pelas mãos do zagueiro, que o juiz não viu mas depois ouviu o que alguém de fora havia visto. Essa tamanha sinestesia é fruto de uma anestésica e letárgica decisão do uso ou não da tecnologia dentro da partida de futebol para a solução de questões polêmicas, como a da semana passada, entre Internacional e Palmeiras. É esse 'pode' ou 'não-pode' que leva a debates intermináveis nas mesas de bar (até baixarem as portas) e que nós convidamos o leitor a participar dizendo o que pensa sobre ética no futebol. 

O conceito de ética, através da História, altera-se tanto pelo tempo como pelo grupo social que o formula. Na Grécia Antiga, Aristóteles, em Ética a Nicômacoassume o papel de um pai preocupado com a educação e a felicidade de seu filho, mas não somente isso, como também a intenção de fazer com que as pessoas reflitam sobre as suas ações e coloque a razão acima das paixões, buscando a felicidade individual e coletiva, pois o ser humano é um ser social e suas práticas devem visar o bem comum.

Já na Roma de Nero, em se tratando de ética política, há conceitos que hoje não se aplicariam mais como éticos, por exemplo, a submissão do Senado e a centralização do poder nas mãos do imperador, ou seja, o tempo pode nos mostrar que o homem busca, ou ao menos tenta, maneiras diferentes de entender e de viver com determinado conceito.

Fazendo um paralelo com o futebol, será que já está na hora da implementação de tecnologias que venham a suprir qualquer tipo de erro ocasionado por uma interpretação errônea por parte da arbitragem? Isto fere a ética? Isto cria uma nova ética?  Até que ponto o chamado fair play não é induzido pela equipe adversária para adquirir uma certa vantagem durante a partida? Talvez tais perguntas ainda levarão um certo tempo a serem respondidas, o fato é que, quando elas surgem, quem fica em segundo plano é o próprio futebol.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

04 de maio de 2006 - Parte 2


Por AMFP e Martins

Quando o Corinthians parecia próximo de marcar outro gol, o River matou o jogo com outro gol, agora de Higuaín que se tornaria o carrasco do Timão, num contra-ataque rápido.

Protestos e vaias começaram a ecoar nas arquibancadas. Nessa hora eu já estava em um momento catártico e confesso que só me lembro de relance o que ocorria em meu redor.

Em outro contra-ataque, o golpe de misericórdia: Higuaín marcou o terceiro gol do River.

A partir disso, o clima no estádio ficou pesadíssimo. Pressenti que algo de ruim parecia próximo e resolvi que iria embora antes do jogo terminar. Ia voltar de transporte público mesmo, não iria esperar o pessoal da organizada. Só queria chegar logo na minha casa, com o coração destruído mais uma vez, por uma das derrotas mais sofridas que vi no estádio.

Em todas as minhas idas ao estádio acompanhar o Corinthians, era a primeira e única vez que saí antes do jogo terminar. Na verdade, não consegui sair...

Lembro que o gol que sacramentava a vitória inconteste do River e a eliminação do Corinthians bateu em mim como um meteoro. Do gol adversário, lembro apenas do som de desgosto da torcida. Nesse momento, por mais estranho que possa parecer, entrei em algum tipo de estado de choque, que deve ter contribuído para a alteração já citada de minhas lembranças desse dia.

Quando estava me dirigindo ao portal principal, fui interceptado por uma horda de corinthianos vindos das arquibancadas amarelas e verdes. Num piscar de olhos, me vi no meio da multidão, um monstro sem rosto e coração como diria Mano Brown. Comecei a ser espremido e empurrado: não pensei duas vezes! Como sou macaco velho de estádio, comecei a empurrar, xingar...fui tomado por aquela ira coletiva que pairava no Pacaembu aquela noite.

Depois de contidos por uma dúzia de PM’s, a multidão se dispersou. Eu, entre eles.

Da indesejável reação do gol argentino até ser chamado à realidade por meu amigo, no momento da dispersão da torcida subindo as arquibancadas, não consigo lembrar de nada.

Quando retomei consciência de si, rumei para o portão principal, cabisbaixo. E dores, muitas dores: pela derrota sofrida e pelos empurrões e borrachadas entre a multitudão.

Por onde saí do estádio, não sei. Como era acostumado nos jogos de quarta-feira em que íamos eu e Bro’z, por morarmos perto ele me deixava em casa. Mesmo forçando, não consigo lembrar do caminho ou algo do tipo, se conversamos no trajeto. O que sei é que amanheci em casa. Triste. Foi a primeira derrota realmente sentida que acompanhei no estádio. As outras, contando a Copa do Brasil do ano anterior, superei como se fossem acidentes normais de percurso. Essa não...

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

04 de maio de 2006 - Parte 1*


Por AFMP e Martins

Mais um dia de aula da minha graduação na PUC. O tradicional migué na aula de quarta seria necessário, já que o Corinthians 2h15 após o início da aula jogaria no Pacaembú pela Libertadores da América em busca do título até então inédito.

E lá vou eu mais uma vez assistir o Corinthians in loco. As 21h45 começaria mais uma das fatídicas partidas do meu time na Libertadores da América.

Sempre gostei de chegar cedo ao estádio. Ficava sempre junto das organizadas, na arquibancada amarela. Cheguei na praça Charles Miller com o busão da Estopim da Fiel, umas duas horas antes do início da partida, não me lembro bem. Entramos no estádio sem muitos problemas e nos acomodamos nos assentos de sempre.

O adversário? River Plate, da Argentina.

Assim como o tradicional migué na aula, naqueles tempos eu tradicionalmente deixava para comprar o ingresso na última hora junto com um camarada, o apelidado Bro’z, confiando na sorte e nos cambistas. Quando pegamos os ingressos, ao preço de R$ 80, os dois, percebi uma coisa estranha: os ingressos eram diferentes...

A escalação que ficaria marcada pelo fracasso? Silvio Luiz, Coelho (Eduardo Ratinho), Marcos Vinícius, Betão e Rubens Júnior; Marcelo Mattos, Xavier (Roger Chinelinho) Ricardinho e Carlos Alberto (Rafael Moura); Tevez e Nilmar. O técnico a época, o coroa metrossexual Ademar Braga.

Dada a diferença visual nos ingressos, deixei o camarada passar primeiro na catraca, já que se o ingresso dele não funcionasse, voltaríamos para tirar satisfação com o cambista. Quando ele colocou o ingresso na catraca, nenhum problema. Resultado? Provavelmente o meu que estaria “zoado”. Quando fui passar, escutei em alto em bom som, à revelia do barulho do estádio, o “estrondo” característico da catraca quando o ingresso é falso. O “catraqueiro” prontamente disse: “O ingresso é falso. Pode ‘sair fora’”.

Perdi aula, gastei quase o triplo comprando o ingresso e não consigo entrar no estádio. Como último arroubo de insistência, fui na última catraca do lado direito, completamente contrário a que tinha ido. Escutei o mesmo som. O “catraqueiro” deste lado, por sua vez, pegou meu ingresso na catraca e disse, dando uma rasgadinha no ingresso: “Pula aí...”. Pulei.

Se eu disser que me lembro de tudo que aconteceu naquela noite, estarei mentindo para vocês. Do que me lembro do jogo em si, foi que o jogo começou nervoso com muitas faltas e muitos passes errados para os dois lados. Lembro-me que o Corinthians tinha muito volume de jogo, mas não finalizava.

Primeiro tempo quase indo embora. 0 x 0.

O Corinthians perdera o jogo de ida em Buenos Aires por 3x2 e uma vitória simples nos colocaria nas quartas-de-final. E com moral: afinal passaríamos pelo grande River Plate!

Aquela agonia pelo gol que não saía, quando na reta final do primeiro tempo Nilmar desviou uma cobrança de falta com a cabeça e o Pacaembu explodiu em festa.

Acabou o primeiro tempo e todos estavam confiantes. Sair para o intervalo vencendo a partida, sem levar gols era tudo que sonhávamos: o resultado parecia perfeito! No segundo tempo era cozinhar o galo e tentar matar o jogo num contra-ataque.

Mas não foi bem assim.

Logo no começo do primeiro tempo, Gallardo – que voltou com o diabo no corpo para a segunda etapa – cobrou uma falta (ou escanteio, apenas me lembro que foi uma bola cruzada) e Coelho marcou contra.

Para mim, até 15s atrás, imaginava que o gol contra de Coelho tinha sido o terceiro e que tinha colocado fim ao sonho da Liberta. Porém, segundo Martins, o co-autor, e o Google, realmente o gol de Coelho foi apenas o de empate do River. Como explicar então essa memória selecionada que guardei? Provavelmente o fim trágico do jogo assim como o nervosismo no estádio forçou meu cérebro a alterar essa lembrança e tornar ainda mais trágico esse momento...

A alegria virou agonia, nervosismo. Ainda mais quando o River se retrancou.

*Como o post ficou extenso, os autores optaram por dividir o texto em duas partes. Próximo capítulo vem na próxima semana.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Parte uma estrela...


Por Martins e Sousa*

Sylvia Krystel foi uma atriz e modelo holandesa que ganhou fama mundo afora pela clássica série erótica Emmanuelle. Todo guri, ao menos uma vez na vida, deve ter ficado até tarde acordado, num sábado de madrugada, para assistir a pelo menos um filme da série no programa – também clássico – da rede Bandeirantes, Cine Prive.

O primeiro filme em que Emmanuelle aparece é de 1969, chamado Io, Emmanuelle, baseado no livro The Joys of the Woman da autora Emmanuelle Ars. No entanto, a Krystel só encarnaria a personagem principal a partir de 1974 com a recriação do filme. A atriz holandesa continuou interpretando a personagem-título em Emmanuelle 2.

A partir disso, surgiu uma série de filmes que seriam supostas continuidades da série erótica durante a década de 1980 e 1990, inclusive uma versão de ficção científica um tanto bizarra, em que Emmanuelle ia ao espaço sideral. No entanto, a partir de 1980 Krystel deixou de interpretar a personagem principal, apesar de fazer diversas aparições enquanto Emmanuelle mais velha.

Hoje, vítima de complicações sofridas após um AVC, a atriz que fez a cabeça de várias gerações de guris faleceu.

Mas podemos dizer que Emmanuelle já havia morrido com a alta propagação da pornografia na internet, que fez com que se perdesse o certo glamour que existiu outrora Hoje vemos mulheres seminuas em horário nobre, seja em novelas, filmes não-eróticos, programas de auditório, entre outros. 

Nos idos da década de 1980 e início da de 1990, era praticamente impossível ver qualquer tipo de seminudez na TV ou cinema; revista do tipo Playboy eram artigos raros e caros, exceção feita ao Carnaval e seus bailes televisionados ao longo da madrugada, conforme vimos reaparecendo com fervor, até em recordações na disputa política pela prefeitura de São Paulo.

O Cine Prive, junto com Emmanuelle, rompeu essas barreiras e inaugurou a alegria da meninada, talvez até no prazer pelo proibido, no fato de ter que ver tais filmes escondidos dos pais e, porque não dizer, na descoberta do próprio sexo. A internet acabou com o glamour do erotismo com a pornografia explícita. 

Pode-se fazer um paralelo: do mesmo modo que a internet acabou com o erotismo, a TV e o Pay-per-view vêm acabando com o glamour de ir ao estádio de futebol. Hoje ninguém mais assiste a filmes eróticos pela vasta oferta de pornografia na rede, do mesmo modo que os estádios do Brasil vêm assistindo ao seu esvaziamento, ano a ano.

Fica aqui o luto do Futebol, História e Futilidades pela morte de Sylvia Krystel.

Mas principalmente a campanha para que o torcedor comum volte aos estádios!!!

* sugestão de nosso leitor Francisco Rômulo, vulgo Lixo.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Futebol e o Dia das Crianças

O bebê antes de nascer já chuta a barriga de sua mãe. Quando começa a aprender a andar, já é presenteado com uma bola. Se toma gosto pelo presente, não a largará nunca mais. Na rua e na escola, aprenderá que, qualquer objeto que possa ser chutado pode tornar-se uma bola, como meias enroladas, tampinha de garrafa, latinhas, jornais com fitas adesivas, enfim, há uma infinidade de possibilidades para o futebol, ou melhor, para jogar bola. Porque é isso que criança faz e é isso que a faz feliz.

Mas não é só nas ruas que as crianças se divertem com o futebol ou algo relacionado a ele. Em casa também há muita diversão que envolve este esporte e temos certeza de que algumas delas trará ao leitor uma enorme nostalgia e outras serão belas dicas de presente para o dia das crianças comemorado hoje.

A primeira delas é o futebol de botão, inventado em 1930 pelo brasileiro Geraldo Cardoso Décourt que, primeiro jogava com botões de cueca, passando posteriormente a usar os botões da calça de seu uniforme escolar. Dessa brincadeira de criança surgiu o "jogo de botões", aquilo que se tornaria o esporte difundido e praticado como modalidade esportiva, apresentando uma diversidade de regras e materiais, tendo adeptos em um grande número de países.

Outro brinquedo bastante legal, baseado no próprio futebol de botão, era o Futebol Gulliver, que substituía os botões por jogadores, cada qual com um tipo de pé diferenciado, específico para um determinado tipo de chute.


Não podemos esquecer também do divertido pebolim ou, em alguns lugares, totó:

Porém, o que mais a galera curte hoje em matéria de futebol, sem dúvida, são os jogos para videogame. Há uma lista imensa de jogos sobre o assunto, mas o que impera nos dias de hoje são o PES e o FIFA. Aqui fica uma menção honrosa a um dos maiores jogos de todos os tempos, quem tem mais de 20 anos, certamente irá se lembrar:





Independentemente do jogo, o que vale é a brincadeira, é ser criança sem se ligar para a idade, é se divertir e desfrutar sempre a vida. O futebol ajuda muito nisso. Lembrou de mais algum brinquedo que envolva o futebol? Escreva-nos!
Aproveite bem o Dia das Crianças e seja feliz!

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Eleições no Futebol

Olá amigos, primeiramente gostaria de pedir desculpas pela ausência nos últimos tempos, mas vida de estudante-estagiário-blogueiro não é nada fácil. Prometo que, tanto eu quanto meus outros amigos blogueiros, faremos o possível para manter o blog atualizado e pedimos que continuem nos acompanhando sempre.

Domingo é dia de eleições para prefeito e vereador por todo o país. Campanhas publicitárias dignas de verdadeiros shows de humor (ou horror) para fazer a cabeça do eleitor na conquista do voto. Para quem já nasceu praticamente na época das eleições diretas (início da década de 80), votar é algo cotidianamente normal, diferentemente de quem sofreu  a coerção política da ditadura e a supressão de seus anseios em privilégio de outro.

Ainda que a democracia seja algo que foi conceitualmente alterado de certa forma ao longo da história, dizer o que se pensa e expressar a vontade através do voto é um fato deveras importante. No futebol não é diferente. O maior exemplo disso está no próprio nome de um dos maiores movimentos ideológicos da história do futebol brasileiro, a Democracia Corintiana, capitaneada por Sócrates, Wladimir, Casagrande e Zenon que, entre outras coisas, estabelecia uma espécie de autogestão, onde tudo era decidido pelo voto.

Há poucos dias, o Palmeiras realizou uma reunião que promoverá, caso tudo se resolva positivamente, as primeiras eleições diretas para presidente do clube, tentando dissolver a ditadura carcamana que lá se instala desde tempos idos. Permitir ao associado a escolha do candidato à presidência do clube, teoricamente, aumenta a quantidade de torcedores que tornar-se-ão sócios, além de uma maior responsabilidade e compromisso por parte do presidente eleito, assim esperamos.

Para se ter uma ideia veja um ranking de eleições do futebol brasileiro feito em  09/11/2010 


RANKING DAS MAIORES VOTAÇÕES
  1. Internacional – 2008 – 7.473 votos – Reeleição de Vittorio Píffero
  2. Grêmio – 2008 – 5.365 votos – Eleição de Duda Kroeff
  3. Internacional – 2001 – 4.171 – Eleição de Fernando Carvalho
  4. Internacional – 2004 – 3.977 votos – Reeleição de Fernando Carvalho
  5. Internacional - 2006 - 3.500 votos - Renovação do Conselho Deliberativo 
  6. Sport – 2008 – 3.457 sócios – Eleição de Sílvio Guimarães
  7. Grêmio - 2010 - 3.063 votos - Renovação do Conselho Deliberativo
  8. Santos - 2009 - 3.204 votos - Eleição de Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro
  9. Grêmio – 2004 – 2.427 votos – Eleição de Paulo Odone
  10. Flamengo – 2001 – 2.367 votos – Eleição de Edmundo Santos Silva


A importância do voto traz o torcedor ativamente para o clube, da mesma forma que traz o cidadão para sua cidade. Saiba escolher bem o seu candidato e seja participativo na melhoria do local onde você mora e do time onde mora seu coração. Seja consciente e seja feliz. 

domingo, 16 de setembro de 2012

Palmeiras - Sobrou pro matemático Oswald de Souza


13 rodadas pro fim do campeonato e já estamos fazendo contas. Não há quem imaginasse que o time campeão da Copa do Brasil lutaria contra o rebaixamente e chegaria ao ponto que chegou hoje. Não vou discutir as circunstâncias da derrota de hoje. O Palmeiras perdeu para a situação psicológica que vive.

Não vimos esse campeonato passar. Em plena euforia nos demos conta dessa situação. Talvez tarde demais para mudar alguma coisa. Fato é que essa situação evidencia que a falta de planejamento dentro de um clube de futebol gera problemas gravíssimos e nos trouxe a esse ponto lamentável. Os palmeirenses mais realistas afirmavam, logo após o título da Copa do Brasil, que deveríamos ter cuidado, o bom momento poderia esconder os problemas do nosso time desestruturado. Dito e feito.

Em 25 jogos temos 5 vitórias. Campanha de campeão, só que não. E nos resta somente torcer contra a desgraça, torcer para que existam forças ocultas a nosso favor, porque enquanto tivermos esse elenco de medrosos e essa diretoria incompetente, nada vai mudar. E antes que eu me esqueça, parabéns ao Felipão que tirou leite de pedra. Entra na categoria de incompetentes também porque cometeu erros que não podia cometer, mas ser campeão de qualquer coisa com esse time sem vergonha é milagre.

Entram em cena os matemáticos. 13 rodadas para fazer - segundo dizem os especialistas - pelo menos 22 pontos. Nem preciso dar voz à minha opinião, cabe a cada um dizer o que pensa.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Medo de Fantasma

"No creo en brujas pero que las hay las hay". Este ditado castelhano, conhecido por muitos, nos mostra que a crença no mundo espiritual é internalizada, ou seja, posso até acreditar em fantasmas mas ninguém ficará sabendo.

Não sei se bruxas, fantasmas, vampiros e demais monstros que habitam nosso imaginário são de fato reais mas existe um que é muito verdadeiro e todo ano assombra àqueles que não fazem o necessário para mantê-lo longe: o fantasma do rebaixamento.

O ano de 2012, considerado ano do fim do mundo, ficará eternamente marcado na memória do torcedor palmeirense. Seja pela redenção causada pela Copa do Brasil que, eventualmente, mascarou os problemas do elenco, seja por esta fase fúnebre pela qual o time passa neste momento, patinando entre seus maus resultados que não permitem sua saída desta areia movediça chamada Z-4.

Alguns dizem que dos remédios mais amargos saem as mais fortes curas, talvez tenha funcionado quando Corinthians e Vasco caíram, revolucionaram suas diretorias e fortaleceram-se novamente. Em 2002, o Palmeiras caiu, a diretoria manteve-se incólume em sua dinastia perene e o resultado mais uma vez pode ser o descenso.

Há tempo para sair desta situação? Sim. Há condições favoráveis para tal? Confesso não saber responder, mas cabe ao torcedor apoiar o time incondicionalmente, seja qual o for o rumo a se percorrer. E muita reza para espantar o fantasma. "Andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar."

sábado, 8 de setembro de 2012

O amor não tem distância


Hoje trazemos um prisma diferente do futebol. Acreditamos realmente que a torcida pode influenciar no resultado do jogo, seja incentivando ou até mesmo vaiando e criticando. Tivemos o exemplo de Palmeiras x Sport essa semana, com vídeos motivadores, ingressos mais baratos por parte da diretoria, para incentivar o time alviverde na luta para sair da zona de descenso. O resultado foi positivo com mais de 30 mil pagantes no Pacaembu e o Palmeiras vencendo o jogo por 3x1.

Mas e quem mora longe do seu time de coração e não pode acompanhar os jogos ao vivo no estádio? Para ilustrar essa ligação entre o time e a torcida um depoimento de uma torcedora do Vasco, leitora do nosso blog, Mariana Rezende:

"Quando se ama o futebol não há barreiras para o torcedor, mas é certo que a distância tira um pouco o brilho do momento caloroso e único que é estar em um estádio.

Nasci em uma cidade do interior do Goiás, e isso nunca me impediu de torcer pelo Clube de Regatas Vasco da Gama. A paixão me foi passada de família, pela minha avó, torcedora fanática desde 1945.

Mesmo o futebol goiano não sendo muito forte, minha cidade, apesar de ser pequena, tem um time, a Jataiense, chamada de raposa do sudoeste goiano, que fazia a alegria da arquibancada nos clássicos goianos, e que já teve Borges (atualmente atacante do Cruzeiro) no time, e que hoje, infelizmente, está passando por um mau momento.


Não é que eu não goste ou não apoie os times goianos, eu gosto sim, eu torço sim, espero que eles se recuperem da má fase atual, e espero frequentar mais vezes os estádios goianos, mas minha paixão pelo Vasco foi algo muito natural, e que me inspirou a amar esse esporte ainda mais.

Tive a oportunidade de assistir jogos do Vasco em Goiânia, contra o Goiás (quando ainda fazia parte da série A) e mais recentemente contra o Atlético-GO. Hoje faço faculdade em Minas Gerais, e toda oportunidade que tenho de assistir aos jogos do Cruzeiro ou Galo contra o meu time (ou não) eu vou.


Esse ano na primeira rodada do Brasileirão, no jogo: Cruzeiro x Atlético-GO, em Minas Gerais, senti o que era estar no meio da torcida organizada, junto com a Máfia Azul. Foi algo extraordinário. Não existe nada tão forte quanto o futebol para unir tantas pessoas em um só coro, um só grito, e uma só paixão, como esse esporte.

É verdade que não sei o que é um jogo em casa, com a minha torcida, e estar na torcida adversária, fora de casa nunca é fácil, tem que ter sangue frio para aguentar a pressão, mas isso não me faz acompanhar ou torcer menos pelo Vasco do que um carioca, pelo contrário. Acho importante ir ao estádio, torcer, apoiar, vibrar junto com o time, mas essa paixão, essa alegria, tem que ser pelo time que realmente gostamos, e não pelo que moramos mais perto do estádio.

O meu grito de gol não é diferente do grito de um carioca, minhas lágrimas não são menos verdadeiras do que a de um carioca, e minha satisfação em vestir a camisa cruzmaltina não é menor que a de um carioca. Torcedor é torcedor. Independente do Estado onde mora e do time que ama".